segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Aguja Saint Exupéry - Chaltén 2015

AS "JANELAS"

Aproximadamente um ano antes, fui com o Otto e o Cruel pela primeira vez ao lugar, e pudemos comprovar que o tempo por lá não é muito amigável. Relato aqui.

Estudando o guia...

Funciona mais ou menos assim: você fica monitorando diariamente sites de previsão do tempo e aguardando uma boa "janela", como são chamados os períodos de bom tempo, as tais janelas duram normalmente dois ou três dias no máximo, quando muito, cinco ou seis dias (raramente acontecem). 

Muitas coisas influenciam na sua "janela", ano passado abriam janelas de um ou dois dias, porém nos dias anteriores nevava muito, impossibilitando algumas escaladas. Basicamente três coisas devem se alinhar: temperatura, vento e precipitação. Em uma janela boa a temperatura pode passar dos 20°C, a precipitação zera e o vento para completamente! Nos diziam isso ano passado e era difícil de acreditar que dias assim existiam em Chaltén.

A PASSAGEM

Dezesseis de janeiro de 2015 foi a data escolhida, com meses de antecedência, para o início da minha segunda "temporada" em El Chaltén, Argentina. 

A ideia maluca de repetir a trip pelo segundo ano consecutivo foi do Otto, dessa vez 25 dias seriam suficientes pra escalar ou voltar pra casa injuriado.

Dias antes da partida estávamos de olho no windguru.com, e achamos estranho quando começou a aparecer uma sequência de dias perfeitos no fim da previsão, a janela foi se mostrando firme e não paravam de aparecer dias bons na sequência, chegamos a pensar que o site tava bugado, hahaha.

Pegamos o avião de Recife (eu) e Curitiba (Otto) pra Guarulhos, depois seguimos pra Buenos Aires, trocamos de aeroporto lá e pegamos o último vôo pra Calafate, chegamos lá já era dia 17/01, primeiro dia de tempo bom, segundo a previsão. De Calafate ainda seguimos de van até El Chaltén, onde finalmente chegamos apenas às 19h.

PREPARAÇÃO
Não pode ultrapassar o limite!!

Nos alojamos no camping El Refugio, compramos comida pra cinco dias, isso mesmo, teríamos cinco dias de tempo bom pela frente! O cardápio, que se mostrou muito interessante: Aveia no café da manhã, castanhas e frutas caras secas durante o dia e sopa de macarrão com algum salame/atum/queijo de noite. 

Mochila pra 5 dias!

Jantamos, e dormimos com a mochila pronta pra começar os trabalhos no dia seguinte.

APROXIMAÇÃO POLACOS

Dia 18 de janeiro, primeiro dia da janela pra nós, café da manhã reforçado, mochila nas costas e caminhada até o camp Polacos. O Polacos nada mais é do que uma pedra grande com um muro de pedras improvisado pra proteger a barraca (nós levamos uma) do vento. Ele fica entre as cadeias do Fitz Roy e do Cerro Torre, mais próximo das agulhas do lado do Fitz.

Pra chegar lá, a caminhada de aquecimento consiste em 10km até a Laguna Torre, esse trecho é em trilha batida e bem sinalizada, pois muitos turistas vão visitar a laguna e ver o cerro torre ao fundo. Depois que chega na laguna atravessa uma tirolesa e em mais alguns km começa a parte chata da trilha: as morainas! Mais 10km de pedregulho e cascalho, um glaciar pra atravessar, mais pedregulho e chega-se ao Niponino, um acampamento mais baixo e mais centralizado, depois mais 1h de pedregulho e chegamos ao destino. Foram quase dez horas de Chaltén a Polacos. Jantamos e dormimos, pensando no que viria pela frente no dia seguinte.


Após a tirolesa, passando ao lado da Laguna Torre

Final do Glaciar Torre (?) 

Fitz Roy, Desmochada, Poincenot e Rafael Juarez

"Polacos"

VIA CHIARO DI LUNA (6B+ 750m) - AGUJA SAINT EXUPÉRY

Durante a viagem ficamos olhando os croquis das nossas opções principais, mais amenas: Medialuna, Mocho, la'S, mas por algum motivo uma via nos chamava a atenção, a Chiaro de Luna, descrita no guia como uma via três estrelas, uma das melhores da área. Ficamos com ela na cabeça até que finalmente chegou a hora de escolher nosso rumo para a primeira tentativa, titubeamos um pouco, pensamos em talvez fazer uma via mais fácil na mesma agulha, mas acabamos decidindo arriscar essa escalada! Não teria outra escolha melhor!

Acordamos 3:30 e enquanto tomávamos nossa aveia com café, passam por nós um trio de americanos vindo do Niponino indo escalar a mesma via, engolimos o que faltava e seguimos na cola deles. Do acampamento não dá pra ver a montanha e um pouco de navegação é necessário pra achar o caminho até a base. Quanto mais próximo da via, mais fácil fica, pois o caminho perde inclinação e você passa a enxergar a base da montanha e da via, facilmente identificável pelo dique de basalto que corta a agulha inteira.
   
Poincenot, Rafael e Exupéry!

Saint Exupéry

No caminho...Cerro Torre ao fundo

 Em três horas (o dobro do indicado no guia) chegamos na base da via, na verdade já na P1, após a rampa de neve inicial, onde aguardamos o trio que estava na nossa frente sair pra podermos começar.

Finalmente começamos a escalar, cerca de 8:00, e comecei guiando o dique e o diedro da sequência, depois Otto tocou o crux da via, um diedro lindo de 6b+, bem duro, toquei um 6b mais amigável e depois escalamos lindas enfiadas de 5+ e um 6a+ estranho onde roubei feliz da vida, com mais um trecho bem positivo de uns 80m concluímos a primeira parte da via, o primeiro "pontão". Tínhamos escalado 9 enfiadas, de um total de 19, já estávamos cansados, mas mantínhamos um bom ritmo, uma certa preocupação com a hora nos fez pensar se o certo seria continuar ou não, como o tempo não ameaçava mudar, resolvemos seguir e assumir a possibilidade de um bivaque emergencial, mas continuamos seguindo e desfrutando muito da via!


 CRux! Final do 6b+

Descanso

Tocamos mais um trecho e encontramos os americanos na frente novamente, aguardamos um pouco e seguimos, não tínhamos velocidade para ultrapassá-los, mas eles também não iam tão rápido pra se distanciar de nós, então ficou aquele embaço de leve...de vez em quando dávamos uma esperadinha nas paradas. Apesar desta demora, eles acabaram nos dando mais confiança para continuar nosso looongo dia de escalada. Passamos pela última enfiada de dificuldade da via, um 6b lindo, que começava fácil e ia piorando, até chegar numa oposição de pés chapados protegida com microfriends, na qual claro, tive que "agilizar" (bonita palavra né...). Pra cima só algumas enfiadas de 5+ de chaminé, três americanos, e o cume! Deixamos as mochilas na parada (daí pra baixo o rapel segue por outra linha, diferente da via) e partimos pro sprint final, as chaminés são um pouco chatas, mas seguimos para o cume, onde chegamos às 20:00, com sol (dias longos, a única coisa garantida no verão patagônico), batemos umas duas fotos, demos um 360° e começamos a descer, acho que não passamos nem 5 minutos por lá, o caminho era longo pra baixo!

 Décima enfiada

 Cume

 Cume, Chaltén ao fundo.

Cume, Poincenot ao fundo!

Rapelamos as chaminés, depois pegamos a sequência de rapéis que não passa por nenhuma via, uma linha mias direta até alcançar novamente a via Kearing Haryngton, depois mais alguns rapéis chegam já na rampa de neve, lá pelas 23h. Essa linha de rapel é bem mais rápida, curta e direta do que rapelar a própria via, entretanto, por não ser uma via de escalada, se a corda prender o bixo pega! Felizmente a corda não prendeu nenhuma vez, e quanto a última corda do último rapel  caiu no chão até os americanos comemoraram, gente boa esses três malucos, desceram bem rápido até o Niponino, e nós bem devagar, bem devagar mesmo, até o Polacos. 

Finalizamos nosso longo dia às 3:00 no polacos, após cerca de 23h de atividade, jantei um copo de sopa de macarrão muito gentilmente preparado pelo Otto e dormi profundamente até o dia seguinte às 14h.

Que via!!! Que escalada!! Que lugar!! Que cansaço!!! =D

Pra quem quiser dar uma olhada no traçado da via, acesse PATACLIMB.com

Continua...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Deuses Esquecidos em Livre!

Segunda-feira tiramos o dia para escalar algo mais pesadinho, após a realização da Mulambada (evento para iniciantes que realizamos em Brejo) no final de semana.


Fui com o Miguelito fazer a Deuses Esquecidos (5º VIIIb/A1 A2 E2 220m), na Serra do Ponto, com a intenção de tentar encadenar as duas últimas enfiadas da via, que já tinham sido livradas, porém sem cadena (a penúltima eu tinha feito de top e a última com quedas), quando entrei com Otto da vez passada.

Começamos a caminhada às 4h40, e às 6h estávamos na base da via.

Início da trilha

Miguel tocou a primeira enfiada, onde já rola um crux de 7c ou A1, ele passou "meio-a-meio" e terminou a primeira enfiada sob leve garoa. Guiei a segunda passando por uma rampinha suja no fator 2, depois por um diedrinho que olhando parece fácil, mas é bem estranho, terminando numa aderência meio musguenta. Terminamos assim a parte fácil e rápida da via, andamos no platô de mato até o início da próxima enfiada e havia uma nova plantação de urtigas, que Miguel gentilmente removeu pela raiz. Miguel começou guiando, passando pelo artificial fixo, alguns parafusos, entrando no diedro em móvel, chegando em umas colocações melhores desceu e me passou a ponta da corda, de cara coloquei a próxima peça, parecia boa, dei uns pulinhos no estribo e ela nem se mexeu, quando coloco o peso tomo uma vaca, a fenda é escorregadia por causa da sujeira/merda de morcego...voltei, passei um lance que eu não lembrava ser tão chato, meio saindo dos cliffs e dominando um platôzinho meio em livre, pra continuar mais uma sequencia em móvel e chegar nos grampos do final da enfiada, já em livre. Demoramos muito nesse trecho, chegando no fim da enfiada ao meio dia, com o sol rachando, e assim seria até o final!

 Platô da P3

Miguel no início do Artificial (4ª Enfiada)

Restavam agora duas enfiadas, a primeira delas é curtinha, cerca de 15m, conquistada originalmente em artificial, protegida em móvel com um grampo perto do fim . Entrei em livre carregado de peças, mas acabei usando três friends e uma costura no grampo, felizmente a cadena saiu, mas já tava batendo o cansaço...

 Miguel jumareando a 5ª enfiada

Platô antes da última enfiada

Ainda tinha a última enfiada, que da outra vez eu tinha feito com algumas quedas, mas fazendo todos os movimentos, eu achei que seria difícil, mas que dava pra fazer, porém antes de entrar eu estava totalmente tranquilo quanto à possibilidade de não conseguir encadenar, não seria um problema, chegar no cume e achar uma sombra já seria perfeito. Conquistamos essa enfiada quase toda em artificial com cliffs de agarras, de buraco e grampos, muitos grampos, são 18 costuras, sem contar as das paradas, ao longo dos 40 m verticais.

Comecei e já passei aperto no início, vertical com micro agarras, cristaizinhos de pegadas estranhas, e cada vez piores, ainda não sei como, mas em uma fração de segundos achei um pé salvador quando estava preste a cair, e consegui recuperar e tocar mais alguns lances delicados até um trecho positivo no meio da enfiada, onde dava pra descansar um pouco, saindo do positivo quando a sapata começava a fritar, começa a tortura, trecho técnico com um lance mais chato que o outro, e quando você pensa que acabou, tem um pior acima. Primeiro tem um lance onde você sai de um pé bom, e tem que abraçar uma laca, chapar os pés no nada e fazer uns lances de oposição, o grampo tá no pé e a queda é bem na rampinha abaixo, antes de entrar nesse lance, fiquei uns 10 minutos tentando entrar sem sucesso, até que tive a brilhante ideia de laçar o grampo, felizmente eu tinha uma fita de 120 de nylon, e o grampo estava providencialmente com o olhal alguns milímetros distante da pedra, lacei e passei o lance, quase não consegui parar pra costurar o grampo com uma costura de verdade, por falta de posição, costurei quando ele já tava abaixo da minha cintura, e nada de lugar pra descansar, as agarras de mão melhoraram, mas eram todas laterais, uma merda pros pés, aí vem um lance exótico, duas canaletas, uma ao lado da outra, com uma coluna abaolada no meio, as pernas vão em tesoura e o corpo em oposição pra esquerda até passar pelo lance meio negativo. Mas acha que no vertical vai aliviar? Ainda tem mais dois lances tesourando pra chegar em uma linha de regletes pra mão, são ótimos e salvadores, mas o problema é dominá-los pra ficar em pé neles, e quando você fica em pé neles, suas mãos estão no cume, mas o cume é abaolado, então tem que pagar uma viradinha de boulder, pra concluir as 7 vezes que tive certeza que eu ia cair e não caí!

Cheguei na parada, meio sem acreditar que eu não tinha caído, fixei a corda e o Miguel veio jumareando enquanto eu recuperava o fôlego e esperava em uma sombrinha.

Acho que apesar de não ter lances isoladamente mais difíceis que 8a, a última enfiada vale um 8b pelo conjunto da obra, ou seja, as intermináveis sequências de lances "derrubáveis" após o crux. Aguardamos confirmações!!

Chegamos no cume às 14h30, caminhamos até o Sítio Amaro, de onde fomos resgatados de moto pelo Silas e pelo Zé do Ovo, no caminho pro abrigo tomamos uma chuva boa pra esfriar a cabeça!

Graduação Atualizada!

Luciano W. e eu conquistamos essa via em 2011, em um total de 05 dias de trabalho, repeti ela com o Otto em 2012 e no mesmo ano, durante o Festival de Escalada Tradicional, Mário e Minhoka fizeram a primeira repetição sem conquistadores. Esta foi a terceira repetição da via, que está em plenas condições para receber novos escaladores, em livre ou em artificial! Valeu a parceria de todos!!!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Festival de Escalada de Itatim/BA

Como Itatim é incrível!!

No final de semana dos dias 20 e 21 de Setembro rolou o 1° Festival de Escalada de Itatim, organizado pelo Clube de Escalada Paraguaçu, e fui matar a saudade desse lugar fantástico!

Cheguei sexta-feira cedo no aeroporto de Salvador onde encontrei Juan e Dani, organizadores do festival, e os mineiros Felipe Belisário e Marcella Romanelli que completaram o bonde! Seguimos pra Itatim, onde encontramos o Raphael Donato que completou o time, ainda fizemos os últimos ajustes pro festival e fomos escalar!

Foto: Marcella Romanelli

Já tinha gente espalhada pelos setores e nós fomos pra Fonte, entrei na Aquários (6sup) e na Leão (7b), destaque pra essa última que vai aumentando de dificuldade progressivamente, sendo o final feito em regletes contados pro sucesso! 

No sábado o setor foi o Talhado, onde as vias que eu tinha entrado antes cresceram e onde não tinha nenhuma via agora tem!
Entrei na Granito Fashion, um 7b de 25m lindo! Depois experimentei a nova via do Juan e do Raphael, Retorno do Titan (8a) que saiu à vista, foi bem legal. E pra fechar a estadia no talhado entrei de flash na Faixa de Gaza, um 8c/9a novo que eles abriram por lá, a via tem quase 30m, o crux é no início, depois ela segue mais amena e no final fica mais negativinha com um lance mais chato, e adivinha onde eu caí...na última agarra, isso mesmo, na última! hahahaha Mesmo sem a cadena fiquei muito feliz com essa escalada, nem dei chilique quando caí! Depois volto pra "tocar a sirene".
Nesse setor todas as vias são incríveis, levemente negativas, compridas, alguns regletes, muitos batentes e agarras boas, abrasividade na medida e movimentação boa.

No mesmo dia de tarde fomos pro Enxadão, onde entrei na Martírio, um bonito diedro de 6sup em móvel. Calangorex (7a) eu fiz uma força boa e na Pata Choca (7b) os betas ajudaram muito, todas as duas curtinhas e regletera!

Visual do Jararaca - Foto: Marcella Romanelli

Domingo o destino não poderia ser diferente e o saldo não poderia ter sido melhor! Jararaca. Sem comentários, veja as fotos!
Da última vez que fui lá dei duas entradas na Esmirilator (9a), isolei mas me pareceu distante ainda. Dessa vez entrei de novo nela, primeiro equipando e parando de grampo em grampo tentando memorizar bem as passadas com os betas complexos, que incluem por exemplo um lance meio de cabeça pra baixo, entalando o pé acima da cebaça, enfim...desci, descansei mais de 1h e entrei de novo, sem muito compromisso, passei a primeira parte, onde tem o crux mais duro (isoladamente falando) e cheguei no descanso sem as mãos, fiquei ali bastante tempo até zerar os braços, criei coragem e entrei na segunda parte, onde os tinha por exemplo esse mov estranho que ainda não tava decoradinho, fui indo, cheguei nessa passada sentindo bem, fiz o lance um pouco diferente ainda, e cheguei na agarra de descanso antes da última sequência, entrei e senti o braço tijolando, peguei na agarra de costurar a penúltima e não senti firmesa pra costurar, adiantei logo pra próxima agarra, e mais uma, já melhorsinha...costura a parada e pow! Saiu!! Desci e encerrei as atividades feliz da vida!


Esmirilator (9a) - Fotos: Antônio Paulo

Valeu demais os parceiros da trip!! Muito bom!! Juan e Dani como sempre dando aquela força!! Até a próxima!!
As fotos eu roubei no facebook...

Foto oficial dos participantes, foram cerca de 100 inscritos! Parabéns galera!!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Guia de Escalada de Brejo da Madre de Deus - Download

Faz duas semanas que publiquei a atualização do GUIA DE ESCALADA DE BREJO DA MADRE DE DEUS, uma compilação que venho atualizando desde o início do aumento do número de vias na região, hoje totalizando 169 vias.



O guia é disponibilizado para download gratuito, basta clicar aqui.

O download pode ser feito também na página "Escalada em Pernambuco" neste mesmo blog.

Pra mais detalhes sobre a escalada em Brejo e em Pernambuco no geral, incluindo atualizações do guia acesse: http://escaladape.blogspot.com

E apareçam pra escalar em Brejo!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Escalada no Banguelo/PB

Em algum dia de agosto, após algumas tentativas sem sucesso de ir pro Banguelo, consegui encaixar os horários com os parceiros paraibanos Wolgrand e Stenio, que me apresentaram a escalada incrível do local!

As pedras ficam próximas à cidade de Cajá, a uns 80km de João Pessoa, pela BR-230 em direção à Campina Grande. São três setores com vias de escalada abertas, dos quais conheci dois: Fendas e Esportivas, faltou o setor da via "Seleção Natural", a primeira e mais longa via do local, com 120m.

Setor das Fendas, lá na direita.

Chegamos e fomos logo pro setor das Fendas, caminhadinha curta mas bem ingrime, Pedra de ótima qualidade e lindas vias! Primeiro entrei na "Lembrança dos Bons Espíritos", conquista do Wolgrand e da Mariana Candeia. A via tem uns 40m de fendas e diedros totalmente em móvel e com o final em uma árvore, nem preciso falar que é incrível né!!!!


Lembrança dos Bons Espíritos

Depois o Wolgrand mostrou uma linha com uma fenda fina/média que seguia aparentemente por uma parede mais negativa e finalizava em uma fenda larga no vertical. Ele botou pilha pra eu entrar e eu fui conferir! Início puxadinho, escalada engenhosa, sem muitas posições confortáveis pra colocar as peças, mas vamos indo, ao final da primeira parte, quando a parede faz um negativinho a fenda some, bati uma chapa e por hora deixamos por ali, apesar de ser possível seguir pra cima, aparentemente só com chapas até acessar a outra fenda. Wolgrand talvez continue quando voltar lá, ou eu, mas por enquanto, "Deixe Estar" VIIa. 01 jogo de camalots (incluir micros). Termina na chapa com malha-rápida.


Deixe Estar 

Ainda sobrava mais uma fenda pra subir: a Jiboia (VI) começa segurando nuns blocos entalados, faz o crux meio pela fenda, meio por fora e depois segue pela bonita fenda que vai ficando cada vez mais fácil até o final. Depois ainda entrei na "Dor de ouvido", uma via fixa que tem ao lado, boas agarras passando por um tetinho bem legal pra finalizar a escalada nesse setor.

Jibóia

Seguimos pro setor das esportivas, onde tem duas vias de 7a, talvez b, fixas. A primeira não tem nome, começa com dois friends nos buracos e segue protegida por chapas numas lacas bem delicadas, num negativo leve, depois vai ficando positiva e mais tranquila a escalada. A via estava terminando em uma chapa com malha-rápida num platô antes do cume, segundo Wolgrand, chegando lá olhei pra cima e vi mais uma chapa distante, fui lá...quando cheguei a chapa tava à "meia rosca", e não dava pra apertar com a mão, dei uma insistida no lance, mas era meio estranho, com umas lacas toscas, apesar de parecer ser a virada pro cume já, desci dali mesmo, em uma delicada operação...kkkk
Ficamos na dúvida se a via tinha ou não final, provavelmente sim, quem for, leve uma chave p/ apertar a porca.

Setor das Esportivas

Pre fechar o dia, uma escalada dura e bem bonita na via ao lado, a Carcará, aberta pelo Dago. Nessa hora só quem tava escalando que não cochilava, acordamos às 3h pra não pegar o calor brutal que rola por lá, deu certo, mas o sono pegou no fim do dia.

Os artistas!

As fotos foram tiradas pelo Igor, broder que também foi conosco.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Melhor que a Encomenda - Algodão de Jandaíra/PB

Faz três fins de semana que saiu uma cadeninha massa pra mim em Algodão!

Se trata da via Melhor que a Encomenda, que equipei ano passado, antes do EENe que teve por lá. A via fica na Pedra da Cabeça, e quando abri, imaginei que tivesse um lance que ia ficar muito difícil. Mas felizmente quando provei vi que ficou na medida, "melhor que a encomenda".

Na ocasião entrei apenas uma vez pra tirar os movimentos, consegui isolar mas não tinha mais gás pra entrar de novo.
Depois veio uma lesão no dedo da mão direita, que é usada no menor reglete do crux da via, ou seja, mais uns meses sem entrar nela.
Depois saiu a primeira ascensão, pelo Eduardo Geovane (Sorriso) Daniel?! Putz , fiquei empolgado e assim que o dedo ficou melhor voltei lá pra dar uns pegas.
Entrei de novo e caí no crux, descansei e entrei novamente, e a mão escapou, e ganhei uma bolha de sangue no dedo. Voltei pra casa e esperei mais um pouco...


Primeira parte da via

Outro fim de semana, mais um pega, mais um escorregão, dessa vez já no final do crux! Tava bastante calor e o magnésio não rendia muito, aquelas desculpas de sempre...Mas no segundo pega do dia saiu a cadena!

Acho que realmente é a via mais difícil de Algodão até agora, pouca coisa a mais do que a Turtle Roof (9a), que por ter um estilo diferente, me custou quase tanto quanto a "melhor que a encomenda".

Aqui vai o vídeo original q Eveline filmou, sem adição, só pra registro:



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De quebra vai mais um vídeo de outra via lá na Pedra da Cabeça, não sei o nome da via, ela fica no início do setor e é mista, deve ser algo como VIsup: