quarta-feira, 8 de abril de 2015

Serra da Camonga - Santana do Ipanema/AL

Miguel, Michele e eu tiramos um fim de semana estendido e fomos passar três dias escalando no estado de Alagoas, mais precisamente na cidade de Santana do Ipanema, distante 210 km da capital Maceió e 370 km de Recife.

A Serra da Camonga, como é conhecido o pico, é uma falésia localizada a poucos quilômetros da cidade, e possui vias de escalada de ótima qualidade, de V (os quintos lá são difíceis!) à VIIIc, além de alguns projetos. A formação parece gnaisse (isso foi um chute), negativo, as agarras são predominantemente batentes, pinças, fugindo um pouco do mais comum por aqui, os regletes.


Na escalada não pode ter preguiça!!

Chegamos no meio do dia e encontramos com o Samuel, escalador local e um dos principais desenvolvedores da escalada na região. Ele conseguiu uma folguinha pra nos acompanhar, e seguimos pra pedra!

Caminho pra pedra. Foto: Miguel A.

Depois de uma subidinha curta, mas intensa sob o sol do meio dia, chegamos na base da pedra, onde as árvores são grandes e dá pra curtir uma sombrinha. Entramos primeiro na "Eu pensei que era homem" (VI), um vertical que lembra a escalada no Morro da Fonte, em Itatim/BA.

A "Mel Dourado" (7b) começa técnica e termina em uma bonita fissura com boas agarras, mas exigindo uma resista em dia, "Sobe Catenga" (7a) curtinho, negativo com uma virada em uns batentes escorridos, meio sem pé, bem legal! Depois entramos na via mais fotogênica do local, a "Mé Doropa" (VIsup), que fica em um bloco menor de frente pra falésia.

Mé Doropa. Foto: Miguel A.

E pra fechar o dia, escalei a "Sheron", que é a extensão da via "Caminho das Abelhas", o grau permanece 7b, mas são alguns metros a mais de escalada até o cume. Esta além se ser muito massa, foi a primeira via do setor, e a história da sua abertura deve caber no livro dos recordes: a via foi equipada com uma furadeira elétrica ligada à uma tomada a 500m de distância!!

Samuel na "Caminho das Abelhas"

Domingo amanheceu bonito, nublado! Começamos pela "Carlinhos" (VI) uns 40 m até o cume, depois entrei na "Miúra" (8a), outra via nota 10, começa em um diedro/chaminé, segue em agarras com lances delicados e um crux bacana que me derrubou na primeira entrada, mas o beta do Samuel resolveu o problema. Entrei na "Bat-Caverna", Vsup em móvel, e pra acabar, dois pegas na "One" um belo 8c de crux trabalhoso. Até tentei um projetinho ao lado, que ainda está de top rope, mas que eles vão equipar assim que for possível, esse promete! Yuri, escalador da região tá quase desvendando as passadas do que parece ser o crux.

 Carlinhos. Foto: Miguel A.

  Miúra. Foto: Miguel A.

  Miúra. Foto: Miguel A. 

Samuel na One, Yuri na seg. Foto: Miguel A.

Existem outros setores na Serra da Camonga, mas acabamos gastando dois dias no setor principal e não deu tempo de conhecer o resto. Também rolam boulders fortinhos por lá.

Escalagoas from Fox Films on Vimeo.

O terceiro dia foi dedicado aos trabalhos forçados de remo e natação, com um pouco de escalada nos Cânions do Talhado, cerca de 90 km de Santana do Ipanema, que Miguel e Michele ainda não conheciam!


terça-feira, 17 de março de 2015

Carnaval em Cocalzinho de Goiás

Depois de um mês de fortes caminhadas intercaladas com períodos de engorda, o destino final das férias deste ano foi Cocalzinho de Goiás, um dos melhores locais pra fazer boulder do Brasil. A cidade de Cocalzinho fica a cerca de 120 km de Brasília/DF e a mesma distância de Goiânia/GO.
Foi lá onde fiz minhas primeiras escaladas, na ocasião, nas vias esportivas da região.

 Morro do Cabeludo - Proibido Escalar =(

Eveline e eu chegamos na cidade comemos um prato de arroz, feijão e bife, com uma abobrinha incrível enquanto os goianos não chegavam.
Primeiro dia de escalada, já não era mais dia, escalamos na Ecovila noite adentro, só espanco!! Tentei sem sucesso o Fevereiro (V8) e o Profeta (V7), Eveline deu uma malhada no V2 da arestinha e ficou no quase!

 Morro do Macaco - Permitido Escalar =)

No segundo dia fomos com o Vitor e a Lud pro Morro do Macaco, uma falésia de quartzito incrível, com muitas vias, de todos os graus. Esse dia foi mais amigável pra nós, entrei na Língua de Fora, caí no início, mas fui até o crux da segunda parte pra ver, depois entrei novamente, consegui fazer a primeira parte sem cair e entrei no crux do 9b(?), caí, mas deu pra ver que apesar de duro, não é impossível, quem sabe na próxima...
Depois entrei na Via do Boneco, um 8b lindíssimo, que eu larguei na última agarra no flash!! Burro!! hahahahaha
E pra acabar, Invasão Ávila,  o 7a mais difícil que já escalei, mas esse saiu!
Eveline não caiu na "Não cai não" (VI) e fez uma tentativa na primeira parte da Gigante, só guardando energia pro dia seguinte! =)


 Língua de Fora

Início da Gigante 

Terceiro dia, de volta aos boulders, mais espanco, claro, só que dessa vez rolaram algumas cadenas pra aumentar a moral! Começamos pelo setor do Mocó, e Eveline pela Fendinha SDS (V1), depois Invertidinha (V1), e eu tomei um couro do invertidão, V6 de um movimento. 
Seguimos pro setor Cinematográfico. Eveline começou no "Esqueceram de mim" (V1), depois mandou o Garfield (V0), pra então passear no "É grande, mas não é dois" (V1, High Ball), fechando com o Planeta dos Macacos (V2) e o Carga Pesada (V0) à vista! Para mim rolou o Scoobydoo (V5/6), As Panteras (V4), Robin (V5), Cajú (V2), além do carga pesada e planeta dos macacos também. Na volta ainda passamos pelo Mocó e Eveline tentou o mãos ao alto, e eu fiz uma fendinha divertida ao lado dele.

 Fendinha

 Invertidinha

 É Grande mas não é Dois

 É Grande mas não é Dois

 É Grande mas não é Dois

 As Panteras

 As Panteras

Planeta dos Macacos

O dia seguinte seria de escalada nos três picos, com vias esportivas bem legais, mas a chuva nos mandou embora, e voltamos pra Brasília, depois Recife, pra fechar o carnaval "vibe morrrr"! 
Valeu demais galera!!!!!!! Não tem foto de todos, de ninguém na verdade, faltou essa, vamos terq ue voltar em breve! 




terça-feira, 10 de março de 2015

El Mocho - Chaltén 2015

ESCALADAS PELA CIDADE

Após a volta pra cidade, tiramos dois dias de descanso total, só levantávamos pra fazer necessidades básicas. No terceiro dia já procuramos dar uma escaladinha na cidade, fomos ao setor da Burbuja, logo ali, do outro lado do rio. Escalamos umas três vias esportivas, sem nome nem grau, coisa que não existe catalogada por ali, e voltamos pro camping, pois tava ventando um pouco e fazia frio.

No dia seguinte fomos dar uma escaladinha no ginásio da cidade, mas descobrimos que estava fechado pra reforma, fomos então no locutório (onde usávamos wifi) e vimos que ia abrir uma janelinha nos próximos dias, mas ia ter precipitação na noite anterior, o que nos deixou um pouco desanimados, pois iríamos tentar uma via que seria mais dura, e escalar assim no molhado não nos animava muito. 
Resolvemos esperar a próxima janela, que já vinha aparecendo no fim da previsão e parecia bem boa!

O dia seguinte amanheceu lindo, e como resolvemos ficar pela cidade, fomos dar uma caminhadinha até o calamar, setor de esportivas que fica a 7km da cidade, andando pela estrada. Entramos em algumas vias de 6b até 7c, regletera, pinças, divertido, mas bem duro. O setor é ótimo para os dias mais ventosos, pois é protegido. Na volta conseguimos ainda uma carona!

Calamar

Mais um dia de tempo bom e fomos no "campo-escola" da cidade, onde escalamos uma sequencia de 9 vias esportivas fáceis bem rapidinho e fomos comer umas empanadas!!

Descansamos mais um dia, andando só de camiseta pela cidade, impressionante! Depois fomos aos preparativos pra próxima janela, registramo-nos no parque, meio burocrático, eles pedem um seguro de vida, coisa que não tínhamos, e no final das contas,m nos deram a liberação.

CAMINHADA PRO NIPONINO

Era dia 31 de janeiro e saímos de Chaltén rumo ao niponino novamente! Dessa vez subíamos leves, sem as cordas, as costuras e os equipos móveis, o Otto ainda deixou escondido lá em cima o saco de dormir e o isolante. Caminhamos por cerca de 6h até o niponino, pegando uma ventania bem forte no frecho final, com algumas rajadas que nos faziam ter que parar de caminhar e firmar os apoios no chão pra não sermos derrubados. Lá perto, descobrimos que por pouco nossos equipos não caíram na greta! Deixamos tudo escondido em sacos em baixo de umas pedrinhas, mas em cima do glaciar, ideia idiota, pois com os dias quentes o glaciar derreteu e já tinham uns buracos se abrindo no gelo perto dos equipos. Resgatamos tudo, e chegando no niponino tivemos uma surpresa, não havia ninguém lá, fato inédito nas nossas idas ao local. Achamos estranho, ficamos pensando que poderíamos ter sido enganados pela previsão, ou olhado errado...enfim, montamos a barraca no melhor lugar, fizemos a janta e fomos dormir, a escalada do dia seguinte estava de pé!

Niponino - Casa 2

ESCALADA DA VIA VOIE DES BÉNITIERS (6C A1 400m)

Acordamos mais uma vez às 3:30, comemos nossa aveia com café e saimos ás 4:20, ótimo horário pra sair andando no escuro e se perder, preferimos fazer assim. Depois de subir mais do que deveríamos e quase chegar na base da Medialuna, percebemos que estávamos muito alto, e fora do caminho pro Mocho, descemos então e encontramos o acesso aos slabs, passamos alguns trechos molhados, outros com verglass e chegamos na base da via por volta das 8:00.

Aproximação para El Mocho, a via que escalamos vai pro 
cume do pontão da esquerda.


Fotos de um postal, com croqui no verso!

A via segue pela face delgada da montanha, mas existe uma variante no início que facilita um pouco a escalada, além de livrar as enfiadas com rocha ruim. Começamos por aí, Otto tocou cerca de 100m fáceis até bater direto na P3, depois veio um 6b com uma rocha bem duvidosa, que nós achávamos que na verdade era a enfiada anterior, graduada em 6a, a escalada foi delicada mas sem maiores problemas. Depois guiei um terceiro grau e um 5+, achei que tinha parado no meio do 5+ devido ao arrasto da corda por ter emendado as duas enfiadas, puxei Otto, peguei mais algumas peças e toquei um lindo diedro, com entalamento de mão e um final de fenda larga fácil, cheguei no platô, puxei o Otto.

 No 5+, início do diedro!

 Parada depois do 5+

Já no 6b sem saber

Olhamos o croqui e a próxima enfiada, que seria dele, deveria ser o 6b, mas não estava batendo com o croqui, descobrimos então que na verdade já estávamos uma enfiada adiantados, e tínhamos acabado de escalar o tal do 6b achando que era um 5+ duro!

Pela primeira vez estávamos achando a via mais fácil do que no croqui, e algumas vezes estávamos mais na frente do que imaginávamos, que diria. No geral era só paulada! hahaha. Acho que a explicação é dada pelo fato de estarmos escalando só com uma mochila (que o segundo levava) com uma pluma e os tênis, já que o rapel era pela mesma via.

Sei que o Otto comemorou achando que tinha um 6b pela frente, mas depois que descobriu que na verdade seria o crux da via, um 7b+ (6c/A1 pra nós) fez cara de bravo e tocou pra cima!

Essa enfiada é bem bonita, vertical, de oposição sem descanso até o crux que dá o grau em livre (7b+) ou A1, que na verdade é um lance chave passando de uma fenda pra outra, onde tem um piton em cada uma delas, depois, mais alguns metros de oposição até o platô da P8.

Eu descansando no crux..hehehe

Toquei um 6a até o cume de um tótem, onde acaba a via Voie des Bénitiers, de lá até o cume, segue-se pelo traçado original da conquista do cume, fazendo as 4 últimas enfiadas, duas de sexto e duas de quinto da via Espolón Este. Concluímos tudo e ás 14:30 chegamos ao cume do Mocho, nosso terceiro cume da temporada, quarto nas agulhas de Chaltén! Contemplamos o visual por alguns minutos e descemos.

 6a estranho da Espolón Este

 5 bão pra chegar no cume!

 Cume!! Cerro Torre ao fundo

Nós na última parada!!

O rapel foi bem tranquilo, conseguimos rapelar quase tudo com apenas uma corda, chegamos de volta ao niponino às 7:30 bem cansados das pernas.

 Rapelandooo

 No mocho os rapéis são quase todos chiques...

...quase todos.

O niponino agora estava cheio, tinha gente que ia pra Chiaro di Luna, gente que estava voltando do Cerro Torre, e os dois dias seguintes prometiam ser bons! Nós tínhamos como plano inicial escalar a agulha La'S, pelo lado que estávamos, esse itinerário inclui uma caminhada de aproximadamente 6h, uma escalada de três enfiadas de 5 grau e mais umas 6h pra voltar pro camp. Devido ao cansaço acumulado demos por encerrada nossa temporada pelas agulhas de Chalén e voltamos pra cidade, caminhando em dois dias, bem lentamente, comendo toda a comida que restou e comemorando uma temporada de muita SUERTE!!!

DIAS EXTRAS

Ainda tínhamos alguns dias na cidade antes de voltar pro Brasil, escalamos uma via bem legal no Cerro Rosado com um vento que nos empurrava pra cima, fomos com o Bernardo e a Luciana em uma fissurinha de dedo bem dura em algum lugar no bosque, e no último dia, escalamos "La Nueva", no Paredón de Los Condores, uma via com cinco enfiadas curtas, com um crux de 7a bem estranho, e algumas passadas mistas bel legais!

Paredón de Los Cóndores visto da janela da barraca

Terminamos assim nossos 25 dias em El Chaltén, depois foram cerca de 30 horas de viagens até chegar em casa. Valeu DCC por mais essa expedição!! 

Próximo post vem com o vídeo da trip!

Boas escaladas!!!




segunda-feira, 2 de março de 2015

Medialuna - Chaltén 2015

DESCANSO E MUDANÇA

Após a chegada em Chaltén, caminhada pro polacos, escalada na Saint Exupéry, tudo relatado no post anterior, chegamos ao nosso 3° dia de janela, neste dia acordamos às 14h! Nosso único trabalho do dia foi, além de comer e dormir, desmontar acampamento em "polacos" e descer até o Niponino, onde montamos novamente a "carpa".

Niponino é um local de bivaque/acampamento mais centralizado, no meio do caminho pras vias das cadeias do lado do Torre e do Fitz, o nome é esse porquê ele não é nem (ni) Polacos (po), nem (ni) Noruegos (no, outro" camp avançado" pro rumo do Torre).

Nova casa - Niponino

MEDIALUNA - VIA RÚBIO Y AZUL (6C, 350m)

Acordamos no dia seguinte às 3:30, comemos um sanduíche que deixamos pronto na noite anterior com um pouco de café solúvel (esse foi feito na hora), a idéia era sair cedo pra ninguém entrar na nossa frente dessa vez, iniciamos a caminhada às 4h.

A boa notícia é que dessa vez não iríamos precisar de botas nem grampons, pois o acesso tinha só uma nevesinha tranquila que dava pra fazer de tênis. 

A caminhada que fizemos...se é que podemos usar esse nome, começou por uma moraina que foi ficando cada vez mais ingrime e cada vez com blocos de pedra maiores e mais medonhos, sabíamos que estávamos errados, mas no final ia dar certo. Passamos desse trecho que deve ter sido o mais perigoso e emocionante do dia inteiro e chegamos em um trecho mais plano, já amanhecendo, daí pra cima subimos uma sequência de slabs (rampas de pedra), até a neve pertinho da base da via. talvez teria sido melhor ter esperado o sol nascer pra enxergar por onde andar! Só na descida descobrimos que o caminho mais tranquilo era mais pra frente, e não passava nem na moraina suicida, nem nos slabs.

Amanhecendo

Slabs...

Medialuna!

Após o embaço todo da caminhada, começamos à escalar às 7:00 e logo chegou uma dupla de escaladoras na base da via. Otto começou na frente e tocamos revezando as três primeiras enfiadas, cotadas em 5 e 5+ em um diedro de fenda larga, que vai aumentando até virar chaminé, bem estranho, mas lá fomos. Chegamos então no tão falado 6b, me deparei com duas opções: uma fenda fina de dedo, a qual fugi logo ou um diedro de fenda larga pra escalar em oposição, meio molhadinho, ruim de proteger e começando em um platô, felizmente o lance era curto, coloquei umas duas peças, ensaiei, fui-não-fui, olhei pra cima de novo e fui, uma peça ruim mais pra cima, roubadinha básica e passei do crux, depois a enfiada segue bonita pra cima, sem aliviar muito, mas melhor um pouco pra proteger.

 Primeiras enfiadas

 Primeiras enfiadas

 Paradinha

Fina da enfiada de 6b

As escaladoras estavam na parada antes deste 6b quando perdemos contato visual, seguimos por duas enfiadas mais fáceis até o cume do primeiro pontão, desescalamos um pouco pro lado até achar a sequência das enfiadas seguintes. guiei um 5 impressionante, fissura de mão do começo ao fim, contínua, entalando mão e pé, tranquila, desfrute! Otto entrou na sequência no 6a menos amigável mas não menos impressionante, mesmo estilo, só que com as fissuras afinando no final. 

 Cerro Torre e seus vizinhos ao fundo, tão perto e tão longe!!

 Efeito do sol

Fissura de 6a antes de entrar na chaminé!

Essa hora o sol ardia, escalamos de segunda pele sentindo o pescoço fritar! Fiz mais uma enfiadinha em chaminé e entramos no "buraco", na verdade uma grande chaminé que funciona como um freezer, dentro dele está o crux, um  diedro vertical de 6c, oposição, fenda larga, quase toda em camalot #3, felizmente levamos um #4 também que salvou! Era a vez do Otto, que negociou com os camalots e umas fitas pros pés, e passou rápido por ali, tentei em livre e mesmo sem mochila ainda dei umas duas paradas pra descansar, mas a enfiada é linda!

Crux!

Depois mais uma fissurinha saindo por baixo de um tetinho pra esquerda e estamos quase no cume! Mais uma enfiada trepa pedra e cumre!!!!

Eram 16h, estávamos tranquilos, pudemos gastar um tempinho a mais nesse cume, mas sem muita enrolação, desescalamos a última enfiada e começamos os rapéis.



Cume!!!

O rapel é por uma linha um pouco diferente da escalada, seguimos o croqui do rapel do guia e no segundo rapel de 50m, a corda prendeu em um tótem lááá em cima, olhamos um pro outro, o Otto puxou com muita força e ela correu!! Mais umas puxadinhas e ela veio! Seguimos rapelando já não mais pelo rapel indicado no guia, que seria todo fixo, pois não achamos essas ancoragens, mas caímos naturalmente no diedro da via Gratton-Martorelo, que apesar de não serem as rarar ancoragens fixas, não ofereceu nenhum problema, seguimos descendo e no final vimos uma movimentação de gente pra lá e pra cá na base da via.

Rapelando...

Quando chegamos no chão descobrimos que uma das meninas se machucou ao cair no 6b do início, felizmente a parceira dela conseguiu descê-la e o pessoal que estava no niponino subiu pra ajudar na descida da trilha, ajudamos um pouco também na logística de "melhorar a moraina", limpando um pouco as pedras mais soltas e construindo uma "trilha" pra ela poder descer melhor. Eram mais de 20h quando chegamos no niponino de volta, e uma equipe de resgatistas voluntários de Chaltén já estava chegando para levá-la de volta à cidade da melhor forma possível.

Dormimos, um pouco pensativos, mas sabendo que tudo estava bem. Acordamos no dia seguinte com o tempo já começando a mudar, desmontamos acampamento, escondemos nossos equipos lá por cima, já pensando na próxima janela e descemos mais leves pra cidade, pegamos uma chuva bem chata e um ventinho na volta.

Chegando em Chaltén ouvimos muitas histórias de escaladas nesses cinco dias de janela!! Começamos então nosso período de engorda e escaladinhas pela cidade enquanto a próxima janela não vinha.

Continua...