sexta-feira, 25 de julho de 2014

Chaminé 500ml - Sítio Novo/RN

Ouvi falar que o Júlio Francês e o Denn tinham aberto mais uma via em Sítio Novo/RN, por uma chaminé bem chamativa, desde então fiquei na pilha de ir repetir a via, só acabou dando certo quando o Luciano tava por aqui, fechamos a parceria e fomos conferir a Chaminé 500ml (6° VIsup E2) 150m!!

Pegamos os betas e tocamos pra lá Luciano, Hamilton e eu. Pra chegar na base da via basta seguir a trilha marcada pra via "Cavalo de Tróia" e quando chegar na pedra, ir caminhando pra esquerda numa trilha menos aberta, quando chegar no grotão sobe beirando a pedra do jeito que der que o único destino será a chaminé!

Serra de São Pedro, linha da chaminé indicada na foto. 

Apesar do nome, a via não é toda em chaminé, o que é bem interessante, pois a torna mais completa e divertida! A primeira enfiada, a mais difícil, possui as paredes muito afastadas, então não dá pra chaminezar. Dá pra dividir essa enfiada em três lances: trepa blocos fácil no começo, depois a sequência crux, entalamento de mão e de pé e umas agarrinhas raras pra mão direita, bem vertical até chegar num platôsinho, depois mais um diedrinho lindo, nervoso de fazer molhado..hehehe entala as duas mãos e vai chapando o pé...arrastando pra cima até chegar no platô, meio apertado e pequeno, onde se monta a P1 em móvel, usando peças grandes. As opções de proteção na primeira enfiada são muito boas, mas não é trivial parar pra proteger, luvinha de esparadrapo dá o grip!

Último lance da primeira enfiada

A segunda enfiada é realmente uma chaminé, protegida com chapeletas, começa mais apertada e vai aliviando pra cima a medida que as chapas vão se distanciando. A P2 é no platô e dá pra usar nuts pequenos e friends médios.

Segunda enfiada

Cauí na P3 e Luciano na segunda enfiada

Depois vem a terceira enfiada, uma fenda "meio larga demais", dá pra gastar o tecnic de offwidth e umas peças grandes, se tiver babadinha então fica uma beleza! No fim dessa enfiada o escalador nasce (sai do buraco) e para na P3, fixa. Daí pra cima é só lazer!! Uma enfiada positiva, com uns cristais, uma pecinha móvel e o resto tudo chapa, direto pro cume, onde procura alguma coisa pra se amarrar e puxar o broder! Acho que a sequência das enfiadas fica em torno de 6sup/6/6/5.

A via é incrível, bonita e exigente, boa de proteger e bem completa, vale a pena sacrificar uma camiseta pra repetir essa!!

Cume!!

Dá pra rapelar a via toda com 01 corda de 70m abandonando fitas nas chapeletas, mas o melhor mesmo é chegar no cume e descer pela trilha, à esquerda, saindo já no estacionamento.

Enquanto se está dentro da "chaminé", é sombra, sol mesmo só na última enfiada. O Hamilton fez a primeira enfiada com agente e desceu, depois subiu pela trilha com água e comida! Ótima providência!

Mais informações, croqui e o relato da conquista AQUI. Não tínhamos o camalot #4 repetido, levamos um equivalente ao #6 e funcionou bem.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pedra do Elefante - Taquaril/RJ

Já fazia um bom tempo que eu tava devendo um visita no abrigo do Ralf, na base da Pedra do Elefante, Taquaril, Petrópolis/RJ. Conseguimos umas passagens e convenci alguns malucos a rumar pra lá, mesmo com a previsão de chuva pro fim de semana em questão.

Eveline e eu chegamos no Rio na sexta-feira, fomos pra rodoviária, onde encontramos Luciano, Leo e Suzana, fechado o comboio seguimos pra Petrópolis e depois pra Taquaril, onde fica a Pedra do Elefante. 

Como chegamos já no fim de tarde, a escalada ficou pro dia seguinte, com o reforço da Júlia fechamos três duplas e fomos pras vias da esquerda da pedra, com quase 500 m e dificuldade moderada. Enquanto a galera entrou na Dona Jararaca (5° V E3) entrei com Eveline na "Dumbo na Festa do Céu" (5° VIIc E3 D3 500m). Fui na ponta do início ao fim, e só paramos duas vezes pra recuperar as costuras e pra fazer a última enfiada, o crux, que pra apimentar o dia, estava molhado. A via começa fácil e vai gradativamente dificultando, até que chega enfiada do VIIc (ou VIIb, se fizer um lance em A0), comecei e tomei logo uma vaquinha pra costurar o grampo do crux, depois dei uma roubadinha, clipei a corda no grampo e consegui isolar o lance, chegando num trecho ensopado, onde tive que atravessar pra esquerda pra alcançar uma linha de agarras boas e secas, de onde continuei até alcançar o oooutro grampo. Daí pra cima foi só escalar, até o último lance, pra virar pro cume, que me custou alguns minutos pensando, até que consegui virar! Cume! Ou melhor, fim da via!
Su e Júlia vinham da Dona Jararaca e fomos caminhando pro cume, uma caminhadinha considerável, assinamos o secreto livro secreto de cume secreto e começamos a descer até o final da Dumbo, pra começar o rapel. Descemos demais e quando olhamos pra trás e conseguimos ver a parede, a via estava lááá em cima...subimos de novo andando até o fim da via e começamos o rapel.

 Eveline lá pela 9ª enfiada da Dumbo
Dumbo na Festa do Céu - Última Enfiada

No domingo fomos cedinho na Meleca de Elefante (IIIsup E3 90m) onde fui só participando, com Eveline ponteando a via toda =)

Eveline na Meleca de Elefante

Depois ficamos no setor da Grutinha, onde entrei em vias incríveis! Primeiro foi a Quebra Cabeças (VIIb) até a P2. Essa via começa em uma laca completamente solta e depois segue por uma sequencia bem bonita de veios de cristais, passando por um diedrinho e lances bem delicados.

 Eveline na Quebra Cabeça

Segunda enfiada da Quebra Cabeça

Outra clássica que entrei com o Luciano foi a Urutu (VIIb), um lindo veio de cristal contínuo de 30m, com lances bem interessantes, pinças e agarras laterais.



 
Sequência da Urutu

Pra fechar, uma entradinha na Escoliose (VIIa), esportiva técnica bem bonita, também passando por veios, soldas, chorreiras, seja lá como queira chamar!!

 Xerife Ralf na frente, ao fundo Luan e Rudy na Escoliose

Rudy na Capitão Asa

Na segunda iríamos escalar a Xodó da Vovó cedinho e correr de volta pro Rio pra pegar o avião, mas amanheceu chovendo e ganhamos mais uns minutinhos de sono, voltamos pro Rio e ainda deu tempo de ir correndo (correndo mesmo) na Pedra do Urubu, Eveline não conhecia e saiu com a cadena da Urubu capenga (VIIa) e vontade de escalar mais por lá!

Eveline na Urubu Capenga

Pouquíssimo tempo, ótima companhia, ótimas escaladas, ótimas vias e mais um compromisso na agenda: Saracura! 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Igatú - 13° EENe

Aconteceu esse ano, excepcionalmente no feriado da semana santa (normalmente é no fim do ano) o 13° Encontro de Escaladores do Nordeste, evento já famoso no Brasil e que a cada ano reúne cerca de 200 escaladores em algum pico do NE. Esse ano o local foi Igatú, Chapada Diamantina, Bahia.

Separamos cinco dias pra escalar na região e rever o pessoal. Começamos por Itatim, onde chegamos na tarde da quarta-feira pra uma rápida estadia. Já tinha uma galera escalando por lá, gente do Paraná ao Ceará. 

Primeiro, uma estradinha cheia de caminhões...

Escalamos no Morro da Fonte algumas das vias esportivas abertas recentemente.

Miguel num VI tecnic

No dia seguinte acordamos às 4h e fomos pro Morro da Toca, onde escalamos a Via Expressa pra levar meu amoR pro cume! 

 Eveline no finalzinho da Via Expressa (III)

Nós!

Wolgrand e Hugo completaram o time da escalada matinal antes de partir pra Igatú!

Cauí, Hugo, Wolgrand e Eveline

Galera no pré-EENe em Itatim

Seguimos viagem pra Igatú ainda no mesmo dia... 

 Pedra no caminho

 Almoço "bão" em Andaraí

Falta pouco!

...e fomos pro Labirinto, setor mais próximo da vila, onde quitei uma dívida que tinha feito na primeira vez que fui à Igatú, lá por 2010: Bem Vindo ao Labirinto, um 8a de diedro estranho que ainda me fez quebrar a cabeça pra mandar no segundo pega do dia.

Bem Vindo ao Labirinto (8a)

No outro dia fomos pro Califórnia, um setor ao lado de uma cachoeira bem legal, a 40 min de Igatú. Rala Pança (7a), Tem mas não tá tendo (7b) e São Longuinho (7a) foram as vias do dia, com destaque pra última, que fica no setor de baixo, muito bonita a via!!

Tem mas não tá tendo (7b)

Nesse dia ainda rolou uma escaladinha nuns boulders irados com o Juan e o LP, tentei um arranca ombro lá sem sucesso mas saiu o flash do Supremo (V5) com as últimas energias do dia.

Boulder

No sábado entrei cedo na Morada da Jibóia (7b) no labirinto, bonita via. De lá fomos pro setor do Degredo, um setor incrível aberto recentemente com vias cinco estrelas num conglomerado lindo!! Foi um dos dias que mais renderam, Eveline e eu chegamos lá e só o Otto e a Lu estavam no local, entrei na Mimada (7a) e quando ia entrar na Tromba D'água (8a) chegou uma galera e deu início o "desafio das vias", quem tivesse mais cadenas no setor levava uma mochila Deuter pra casa. Eu ia dar um pega na via e ir embora, mas a cadena saiu de flash com os betas do Otto e eu me empolguei pra entrar nas outras, que eram mais fáceis.
Acabei quebrando a cara na Ressacalada (7c), um tetinho de difícil leitura, que me gastou muita energia e só saiu de segunda. Depois fiz as vias mais fáceis, uma mais massa que a outra e terminei já "sugado" na HT (7b) que saiu com os betas do Otto novamente (cabra bom de dar beta viu!!).
Fiquei feliz por ter levado a mochila, mas mais ainda por ver q não estou tão enferrujado depois de uma sequencia de dedos fodidos...hehehe

Ressacalada (7c) - Foto: John Nascimento

Povo legal só na tapioca

O domingo, último dia de escalada pra nós, começou no Verruga, onde rolou um volumão de VI e VII's. Depois continuamos no labirinto com mais algumas vias iradas pra fechar o feriado! Segunda feira, mais de 100 km de estrada e a vontade de voltar pra Igatú aumentando!!

 Eveline na Você que Sabe (VIsup) - Foto: John Nascimento

 Vá Nessa (VI) - Foto: John Nascimento

Hugo, Cauí, Eveline, Mirthis e Miguel

domingo, 13 de abril de 2014

Chaltén 2014

Após um bom tempo de planejamento Otto e eu fechamos a nossa ida à cidade de El Chaltén, na região da Patagônia, Argentina! Nos últimos momentos ganhamos o reforço do Cruel (PR) e seguimos com grande empolgação e curiosidade pra terra das agulhas geladas!

A baudiação foi a seguinte: Recife-Guarulhos-El Calafate (avião), El Chaltén (ônibus).
Chegamos em baixo de chuva e fomos recebidos pelo Cruel que já estava por lá, seguimos pro camping El Refúgio, nossa casa nos 30 dias seguintes.

 El Chaltén

Cauí, Otto e Cruel no camping El Refúgio

O dia seguinte amanheceu com o céu azul e um bafafá falando de uma ventana (janela de tempo bom) pro dia seguinte. Alugamos equipos (grampons e piquetas), compramos rango e no mesmo dia subimos pro acampamento Piedra Negra, base pro ataque às agulhas Guillaumet e Mermoz. A ideia era tentar escalar a Guillaumet.

Pegamos uma carona até o Rio Elétrico, ponto de partida pra caminhada de 4 ou 5h até Piedra Negra. Subimos e no final da subida começou a ventar um pouco e nevar, já nos deixando meio assim...

Chegamos no camp, completamente nevado, num frio do caralho montamos a barraca, cozinhamos um macarrão e fomos dormir. Um pouco depois o tempo começou a abrir. No dia seguinte soubemos que a janela não tava pra rocha, as duplas que estavam por lá foram todas pra Amy, uma canaleta de neve na Guillaumet. Como não estávamos preparados (nem com equipamentos nem com a técnica suficiente) pra via resolvemos apenas dar uma caminhada, fomo à base da Brenner, uma das vias de escalada em rocha que pretendíamos fazer, mas que estava toda entupida de neve. Ainda dormimos mais uma noite lá em cima e descemos no dia seguinte, com céu azul, sem vento mas com muito gelo nas vias ainda. terminava o nosso primeiro entento patagônico, sem cume nem via, mas com muita experiência boa!

Piedras Negras

Dia seguinte fomos conhecer as escaladas em volta da cidade, fizemos a normal da Paredón de los Cóndores: Los Dejamos Ahí (6a 170m) e escalamos em um setor muito legal com esportivas técnicas mais à direita da parede.

Otto em Lo Dejamos Ahí (6a 170m)

Depois quase fomos arrancados da parede (é sério!) pelo vento na Vescho Wall, setor de esportivas bem do lado da cidade. Partimos então pro Sector Rojo e entramos em uma viasinha técnica bem legal também.

Otto na Vescho Wall

Cruel no Sector Rojo

O tempo continuava uma merda, mas conseguimos caminhar até a Laguna Torre, de onde deveríamos ver o Cerro Torre, mas tava tudo fechado, viramos as costas e voltamos os 10km até Chaltén. Placa dos Duendes foi a pedida da tarde, esportivas curtinhas de regletera!

O dia seguinte foi bom na cidade e a previsão era de uma janela pros próximos dois dias. Arrumamos as coisas e descansamos pra subir a trilha no primeiro dia da ventana.

Uma caminhada bem mais sossegada, com tempo bem ameno nos levou novamente a Pedras Negras. Montamos a barraca não mais em cima da neve, mas nas tais "pedras negras", comemos e começaram a aparecer algumas nuvens fechando a visão das agulhas, chegamos a pensar que também não seria dessa vez. O dia amanheceu nublado, mas sem vento, saímos pra tentar a Fonrouge, na Guillaumet (5 6b+/A0 30° 400m), a via de rocha mais fácil da parede.

Piedras Negras sem neve!

Começamos a caminhar antes do amanhecer, subimos a rampa de neve, cada um com uma piqueta e um bastão de caminhada, beirando a parede e chegamos ao início da via, umas 2h após sair da barraca.

Rampa de Gelo pra base da Fonrouge

Ainda meio confusos começamos a escalar, Cruel foi na frente e tocou as três primeiras enfiadas que estavam sinistras, com muito verglas (superfície de gelo sobre a rocha). Depois as nuvens saíram e restou apenas um frio bem considerável, escalávamos de luvas e tínhamos que vestir todas as roupas quando parávamos. Otto guiou a sequência até antes do crux, que ficou pra mim. Passei o 6b+ em A0 (claro né!!) e depois toquei a diagonal mais fotogênica na Patagônia. Mais umas enfiadas com um pouco de gelo entupindo as fendas e chegamos à rampa de neve final. Essa foi uma parte crítica na escalada, hahaha. 

Começando o crux

A via é fotogênica, mas o escalador nem tanto...

Decidimos subir a via apenas com uma bota e um par de grampons para nós três, o que implicou na escalada da rampa de neve do final com sapatilhas para Otto e Cruel. Felizmente eu tinha o pé menor e a bota mais leve, fui então sorteado pra guiar devidamente equipado esse trecho. Foram duas enfiadas nessas condições, com a seg na piqueta enterrada na neve, que chegamos ao cume da Aguja Guillaumet!!
 Trecho final da rocha

Nós no cume da Guillaumet!!

Demos uma relaxada no cume e logo começamos a descida: rapelamos a rampa de neve e começamos os rapéis da via. Se todos estivessem de bota poderíamos ter descido em poucos rapéis a Amy, mas devido à nossa "estratégia" acabamos tendo que fazer o dobro de rapéis pela própria Fonrouge. Chegamos na base da via e não encontramos os equipos! Depois de um bom tempo procurando, andando na neve pra lá e pra cá de sapatilhas ainda, encontramos os equipos, resgatei as botas dos broders e rumamos pra uma ancoragem que tinha onde começamos a escalada. Montamos um rapel e descemos a rampa de neve do início, que era mais ingrime que a do cume, de modo que continuamos rapelando por ela até chegar no chão, usando algumas paradas (blocos de pedra laçados) que encontrávamos, outros que o "Capitão" Otto ia montando.
Depois mais algumas horas caminhando de noite pela moraina (pedregulhos e cascalheira), dando alguns perdidos até chegar no acampamento de novo, onde pudemos comer e dormir tranquilos.
A ideia era dormir até tarde no dia seguinte  e descer tranquilo p/ Chaltén, mas às 6h da manhã acordamos com o teto da barraca batendo na nossa cara! O vento tava sinistro! Desmontamos tudo correndo e baixamos, felizes!!

Bicho estranho

No dia seguinte descansamos. Estava rolando uma conversa sobre uma janela logo em seguida, não botei muita fé e fui com o Vitório e o Arthur escalar no setor de esportivas que tínhamos ido antes, escalamos bastante até às 21h (com luz do sol!) e quando cheguei no camping de volta encontrei um par de grampons dentro da minha barraca: o dia seguinte seria de empreitada agulhística novamente!!

O objetivo era tentar o El Mocho, uma "agulha sem ponta" na base do Cerro Torre. O esquema era praticamente o mesmo: andar um dia, dormir e escalar no outro, mas nada é tão simples assim.

Saímos na hora do almoço pros mais de 20 km até o acampamento conhecido como Niponino, um lugar incrível que fica entre os cordões do Fitz e do Torre, no meio das montanhas e dos glaciares. Andamos até a Laguna Torre de onde vimos o Mocho congelado, parecendo um picolé gigante, pensamos até em voltar, mas decidimos continuar, já sem muitas esperanças. Cruzamos a tirolesa e continuamos andando até chegar no glaciar, que atravessamos antes do lugar certo, o que nos fez andar muito pela direita em cima de pedras de todos os tamanhos por muito tempo até finalmente chegar no Niponino, onde armamos a barraca de 2 pessoas pra que nós 3 dormíssemos.

Já estávamos esperançosos pois o tempo tava ficando bonito, mas depois da janta caiu uns bons cm de neve, foi quando vimos que a escalada tinha miado, muitas cordadas de 6b com neve não tava pra gente...Poucos que estavam no camping escalaram alguma coisa, acordamos e voltamos p/ "casa".

Voltando do Niponino, Mochito, Mocho e Torre ao fundo!

Cheguei do Niponino e comi um pão com salame dormido que junto com o esforço dos dias anteriores não me caiu bem, passei uns três dias meio ruim com febre e corpo mole.

Mas após a recuperação, rolaram várias escaladas na cidade, La Botella (6b 150m), setor da Burbuja com esportivas negativas com agarrões irados, intercalados com dias de mau tempo.

Mais uma janelinha meia boca vinha pela frente, como até agora nenhuma janela generosa tinha rolado, essa agora também não deveria ser grande coisa, escolhemos então uma escaladinha bem legal e rápida pra fazer, o Cerro Solo!

Colhemos alguns betas do Daniel, do Arthur e da galera do camping que já tinha feito o Solo antes e colocamos meia corda na mochila, algumas roupas de frio, um par de piquetas e grampons pra cada um e um pouco de comida. O Ralf se juntou a nós fomos em 4 pessoas.
Saímos de chaltén às 0h, após uma noite com pouco mais de duas horas de sono. Seguimos até a Laguna Torre, a 10 km de Chaltén, mas sem muito desnível sob o comando do Capitão em um sistema militar de caminhar 1h e parar 7 minutos, revezando a corda a cada parada. Começamos então a subida da moraina e chegamos finalmente no neveiro, já bem alto. Começamos o neveiro às 6h da manhã, de onde vimos o sol nascer! Após um trecho de caminhada na neve, que estava em ótimas condições, chegamos ao trecho mais técnico, ensaiamos as primeiras "piquetadas" e tocamos os 60m? de 60°, parte mais técnica da escalada, pra depois continuar caminhando até o cume, onde chegamos às 8h da manhã. Algumas fotos no cume e começamos a baixar! A descida foi divertida, na neve caímos em algumas gretinhas com a neve já mais derretida e quando chegamos no rio mais em baixo fazia sol e até um pouco de calor! Fizemos uma pausa e tocamos os penosos quilômetros do De Agostini até Chaltén, onde chegamos às 15h30.

 Cerro Solo

Ralf, Otto, Cauí e Cruel. Cume do Solo!

Tempo ruim, boulder, esportivas, via dos diedros, placa dos duendes, descanso e pra finalizar rolou uma escaladinha muito massa com o Ralf: Ojo Roto (7a+ 150m). Uma via aberta pelo Vitório num desmoronamento que teve anos antes no Paredón de Los Cóndores, cinco enfiadas: Móvel 5+/ Esportiva Pinças estranhas, negativa 6c+ (lazarenta)/ Esportiva técnica 6b (incrível)/ Esportiva técnica 6b/ Mista 7a+ (diedro perfeito entupido de terra, muito boa pra limpar e trabalhar depois). Escalamos democraticamente revezando as enfiadas, e a última cada um guiou um pedaço.

Boulder

Ojo Roto (7a+ 150m)

Otto se foi após o Cerro Solo, Cruel e eu pegamos o rumo de casa e uma semana depois de irmos embora abre uma janela de quatro dias incríveis!! Ah!!! Sorte de quem ficou, soube que aproveitaram bastante!

Deu pra aprender muito nesses dias por lá, trabalhar a paciência, as pernas e os braços, comer empanadas, milanesas e alfajores (antes do Otto acabar com o estoque da cidade), tomar café (e um pouco de mate), comer dulce de leche e ouvir boas histórias dos amigos que estavam por lá! O lugar é incrível e agora eu entendo porque as pessoas ficam fãs de carteirinha de Chaltén, mesmo tendo um clima tão chato!!

Bom, muito texto e poucas fotos, prometo compensar no próximo post com um mega-vídeo editado pela DCC!

Saludos!