domingo, 13 de abril de 2014

Chaltén 2014

Após um bom tempo de planejamento Otto e eu fechamos a nossa ida à cidade de El Chaltén, na região da Patagônia, Argentina! Nos últimos momentos ganhamos o reforço do Cruel (PR) e seguimos com grande empolgação e curiosidade pra terra das agulhas geladas!

A baudiação foi a seguinte: Recife-Guarulhos-El Calafate (avião), El Chaltén (ônibus).
Chegamos em baixo de chuva e fomos recebidos pelo Cruel que já estava por lá, seguimos pro camping El Refúgio, nossa casa nos 30 dias seguintes.

 El Chaltén

Cauí, Otto e Cruel no camping El Refúgio

O dia seguinte amanheceu com o céu azul e um bafafá falando de uma ventana (janela de tempo bom) pro dia seguinte. Alugamos equipos (grampons e piquetas), compramos rango e no mesmo dia subimos pro acampamento Piedra Negra, base pro ataque às agulhas Guillaumet e Mermoz. A ideia era tentar escalar a Guillaumet.

Pegamos uma carona até o Rio Elétrico, ponto de partida pra caminhada de 4 ou 5h até Piedra Negra. Subimos e no final da subida começou a ventar um pouco e nevar, já nos deixando meio assim...

Chegamos no camp, completamente nevado, num frio do caralho montamos a barraca, cozinhamos um macarrão e fomos dormir. Um pouco depois o tempo começou a abrir. No dia seguinte soubemos que a janela não tava pra rocha, as duplas que estavam por lá foram todas pra Amy, uma canaleta de neve na Guillaumet. Como não estávamos preparados (nem com equipamentos nem com a técnica suficiente) pra via resolvemos apenas dar uma caminhada, fomo à base da Brenner, uma das vias de escalada em rocha que pretendíamos fazer, mas que estava toda entupida de neve. Ainda dormimos mais uma noite lá em cima e descemos no dia seguinte, com céu azul, sem vento mas com muito gelo nas vias ainda. terminava o nosso primeiro entento patagônico, sem cume nem via, mas com muita experiência boa!

Piedras Negras

Dia seguinte fomos conhecer as escaladas em volta da cidade, fizemos a normal da Paredón de los Cóndores: Los Dejamos Ahí (6a 170m) e escalamos em um setor muito legal com esportivas técnicas mais à direita da parede.

Otto em Lo Dejamos Ahí (6a 170m)

Depois quase fomos arrancados da parede (é sério!) pelo vento na Vescho Wall, setor de esportivas bem do lado da cidade. Partimos então pro Sector Rojo e entramos em uma viasinha técnica bem legal também.

Otto na Vescho Wall

Cruel no Sector Rojo

O tempo continuava uma merda, mas conseguimos caminhar até a Laguna Torre, de onde deveríamos ver o Cerro Torre, mas tava tudo fechado, viramos as costas e voltamos os 10km até Chaltén. Placa dos Duendes foi a pedida da tarde, esportivas curtinhas de regletera!

O dia seguinte foi bom na cidade e a previsão era de uma janela pros próximos dois dias. Arrumamos as coisas e descansamos pra subir a trilha no primeiro dia da ventana.

Uma caminhada bem mais sossegada, com tempo bem ameno nos levou novamente a Pedras Negras. Montamos a barraca não mais em cima da neve, mas nas tais "pedras negras", comemos e começaram a aparecer algumas nuvens fechando a visão das agulhas, chegamos a pensar que também não seria dessa vez. O dia amanheceu nublado, mas sem vento, saímos pra tentar a Fonrouge, na Guillaumet (5 6b+/A0 30° 400m), a via de rocha mais fácil da parede.

Piedras Negras sem neve!

Começamos a caminhar antes do amanhecer, subimos a rampa de neve, cada um com uma piqueta e um bastão de caminhada, beirando a parede e chegamos ao início da via, umas 2h após sair da barraca.

Rampa de Gelo pra base da Fonrouge

Ainda meio confusos começamos a escalar, Cruel foi na frente e tocou as três primeiras enfiadas que estavam sinistras, com muito verglas (superfície de gelo sobre a rocha). Depois as nuvens saíram e restou apenas um frio bem considerável, escalávamos de luvas e tínhamos que vestir todas as roupas quando parávamos. Otto guiou a sequência até antes do crux, que ficou pra mim. Passei o 6b+ em A0 (claro né!!) e depois toquei a diagonal mais fotogênica na Patagônia. Mais umas enfiadas com um pouco de gelo entupindo as fendas e chegamos à rampa de neve final. Essa foi uma parte crítica na escalada, hahaha. 

Começando o crux

A via é fotogênica, mas o escalador nem tanto...

Decidimos subir a via apenas com uma bota e um par de grampons para nós três, o que implicou na escalada da rampa de neve do final com sapatilhas para Otto e Cruel. Felizmente eu tinha o pé menor e a bota mais leve, fui então sorteado pra guiar devidamente equipado esse trecho. Foram duas enfiadas nessas condições, com a seg na piqueta enterrada na neve, que chegamos ao cume da Aguja Guillaumet!!
 Trecho final da rocha

Nós no cume da Guillaumet!!

Demos uma relaxada no cume e logo começamos a descida: rapelamos a rampa de neve e começamos os rapéis da via. Se todos estivessem de bota poderíamos ter descido em poucos rapéis a Amy, mas devido à nossa "estratégia" acabamos tendo que fazer o dobro de rapéis pela própria Fonrouge. Chegamos na base da via e não encontramos os equipos! Depois de um bom tempo procurando, andando na neve pra lá e pra cá de sapatilhas ainda, encontramos os equipos, resgatei as botas dos broders e rumamos pra uma ancoragem que tinha onde começamos a escalada. Montamos um rapel e descemos a rampa de neve do início, que era mais ingrime que a do cume, de modo que continuamos rapelando por ela até chegar no chão, usando algumas paradas (blocos de pedra laçados) que encontrávamos, outros que o "Capitão" Otto ia montando.
Depois mais algumas horas caminhando de noite pela moraina (pedregulhos e cascalheira), dando alguns perdidos até chegar no acampamento de novo, onde pudemos comer e dormir tranquilos.
A ideia era dormir até tarde no dia seguinte  e descer tranquilo p/ Chaltén, mas às 6h da manhã acordamos com o teto da barraca batendo na nossa cara! O vento tava sinistro! Desmontamos tudo correndo e baixamos, felizes!!

Bicho estranho

No dia seguinte descansamos. Estava rolando uma conversa sobre uma janela logo em seguida, não botei muita fé e fui com o Vitório e o Arthur escalar no setor de esportivas que tínhamos ido antes, escalamos bastante até às 21h (com luz do sol!) e quando cheguei no camping de volta encontrei um par de grampons dentro da minha barraca: o dia seguinte seria de empreitada agulhística novamente!!

O objetivo era tentar o El Mocho, uma "agulha sem ponta" na base do Cerro Torre. O esquema era praticamente o mesmo: andar um dia, dormir e escalar no outro, mas nada é tão simples assim.

Saímos na hora do almoço pros mais de 20 km até o acampamento conhecido como Niponino, um lugar incrível que fica entre os cordões do Fitz e do Torre, no meio das montanhas e dos glaciares. Andamos até a Laguna Torre de onde vimos o Mocho congelado, parecendo um picolé gigante, pensamos até em voltar, mas decidimos continuar, já sem muitas esperanças. Cruzamos a tirolesa e continuamos andando até chegar no glaciar, que atravessamos antes do lugar certo, o que nos fez andar muito pela direita em cima de pedras de todos os tamanhos por muito tempo até finalmente chegar no Niponino, onde armamos a barraca de 2 pessoas pra que nós 3 dormíssemos.

Já estávamos esperançosos pois o tempo tava ficando bonito, mas depois da janta caiu uns bons cm de neve, foi quando vimos que a escalada tinha miado, muitas cordadas de 6b com neve não tava pra gente...Poucos que estavam no camping escalaram alguma coisa, acordamos e voltamos p/ "casa".

Voltando do Niponino, Mochito, Mocho e Torre ao fundo!

Cheguei do Niponino e comi um pão com salame dormido que junto com o esforço dos dias anteriores não me caiu bem, passei uns três dias meio ruim com febre e corpo mole.

Mas após a recuperação, rolaram várias escaladas na cidade, La Botella (6b 150m), setor da Burbuja com esportivas negativas com agarrões irados, intercalados com dias de mau tempo.

Mais uma janelinha meia boca vinha pela frente, como até agora nenhuma janela generosa tinha rolado, essa agora também não deveria ser grande coisa, escolhemos então uma escaladinha bem legal e rápida pra fazer, o Cerro Solo!

Colhemos alguns betas do Daniel, do Arthur e da galera do camping que já tinha feito o Solo antes e colocamos meia corda na mochila, algumas roupas de frio, um par de piquetas e grampons pra cada um e um pouco de comida. O Ralf se juntou a nós fomos em 4 pessoas.
Saímos de chaltén às 0h, após uma noite com pouco mais de duas horas de sono. Seguimos até a Laguna Torre, a 10 km de Chaltén, mas sem muito desnível sob o comando do Capitão em um sistema militar de caminhar 1h e parar 7 minutos, revezando a corda a cada parada. Começamos então a subida da moraina e chegamos finalmente no neveiro, já bem alto. Começamos o neveiro às 6h da manhã, de onde vimos o sol nascer! Após um trecho de caminhada na neve, que estava em ótimas condições, chegamos ao trecho mais técnico, ensaiamos as primeiras "piquetadas" e tocamos os 60m? de 60°, parte mais técnica da escalada, pra depois continuar caminhando até o cume, onde chegamos às 8h da manhã. Algumas fotos no cume e começamos a baixar! A descida foi divertida, na neve caímos em algumas gretinhas com a neve já mais derretida e quando chegamos no rio mais em baixo fazia sol e até um pouco de calor! Fizemos uma pausa e tocamos os penosos quilômetros do De Agostini até Chaltén, onde chegamos às 15h30.

 Cerro Solo

Ralf, Otto, Cauí e Cruel. Cume do Solo!

Tempo ruim, boulder, esportivas, via dos diedros, placa dos duendes, descanso e pra finalizar rolou uma escaladinha muito massa com o Ralf: Ojo Roto (7a+ 150m). Uma via aberta pelo Vitório num desmoronamento que teve anos antes no Paredón de Los Cóndores, cinco enfiadas: Móvel 5+/ Esportiva Pinças estranhas, negativa 6c+ (lazarenta)/ Esportiva técnica 6b (incrível)/ Esportiva técnica 6b/ Mista 7a+ (diedro perfeito entupido de terra, muito boa pra limpar e trabalhar depois). Escalamos democraticamente revezando as enfiadas, e a última cada um guiou um pedaço.

Boulder

Ojo Roto (7a+ 150m)

Otto se foi após o Cerro Solo, Cruel e eu pegamos o rumo de casa e uma semana depois de irmos embora abre uma janela de quatro dias incríveis!! Ah!!! Sorte de quem ficou, soube que aproveitaram bastante!

Deu pra aprender muito nesses dias por lá, trabalhar a paciência, as pernas e os braços, comer empanadas, milanesas e alfajores (antes do Otto acabar com o estoque da cidade), tomar café (e um pouco de mate), comer dulce de leche e ouvir boas histórias dos amigos que estavam por lá! O lugar é incrível e agora eu entendo porque as pessoas ficam fãs de carteirinha de Chaltén, mesmo tendo um clima tão chato!!

Bom, muito texto e poucas fotos, prometo compensar no próximo post com um mega-vídeo editado pela DCC!

Saludos!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Igatú e Lençóis - Chapada Diamantina #2

Após a escalada no Pai Inácio seguimos pra Igatú, sede do EENe desse ano, que será daqui a quinze dias, onde passamos uma semana hospedados no Hostel Igatú, do escalador local Luis Paulo (LP). Ótima opção pra conhecer o local! Lá encontramos Dago e Fernanda que se juntaram conosco na trip!

A velha desculpa da tendinite no dedo é válida pra essa viagem, onde ainda consegui fazer umas vias legais, apesar da dor.

Escalamos no setor do labirinto, que fica a 5 min da cidade e tem um monte de vias legais, negativas com boas agarras. Dessa vez saiu a extensão da "Vai quem pode", antigo 8b de regletes que tinha saído à vista em outra ocasião, agora possui mais umas 5 chapas em uma aresta de boas agarras após a parada antiga. Mandei após cair algumas vezes no crus da via (ainda na parte velha).

Outras vias que eu não conhecia e que são muito legais são: LP (7b), Potiguar (7a), Deixa Arder (7c)...

 Vai quem pode (8b)

 Eveline na "Meu parceiro é crente" (6sup)

 LP (7b)

Fomos também no setor Califórnia, mas o dia escolhido não foi muito propício, choveu bastante e não escalamos quase nada, fica a dívida pro EENe!

Outro setor foi o da cachoeira da Rosinha, um pouco mais distante da vila, possui vias bem legais e um "psicoboulder" pra refrescar a mente!

 V5 irado

  Bianca na "Minha Rainha" (5sup)

Eveline, eu, Dago, Fernanda, Marcelo e Bianca

Em uma rápida passagem pelo setor do verruga com a Silvana, entramos na Tio Rafa, uma bonita via de 6° e mais algumas vias fáceis e bem divertidas.

Seguimos pra Lençóis, compramos o guia de escalada de lá com o Gironha e fomos algumas vezes pro parque da Muritiba, no Rio Serrano, escalar no conglomerado clássico!!

Tikei algumas vias fáceis que eu tava devendo, inclusive as vias da direita do bloco do diamante, depois da Ametista, que sempre estavam com abelhas: "Esmeralda", "Diamante" e "Enxame de Abelhas", vias negativas de movimentação incrível!

 Entramos também nas vias das Tocas, "Quem souber morre" foi uma via que eu achei bem peculiar e legal, um diedro negativo, esquisito, com agarras meio esfarelentas, mas com uma movimentação bem legal de pés, tesourando e tal...

 Marcelo na Esmeralda?

Fomos um dia com Gironha no Barro Branco, setor relativamente novo com vias bem impressionantes. Entrei na Alquimista (7b), que saiu à vista e depois fomos pra uma tal de "Caçando o que não guardou", que fiquei devendo.

 Alquimista (7b)

Caçando o que não guardou (8a?)

Depois de 15 dias de trip pegamos a estrada e seguimos por mais de 1000km até Recife, com data de retorno agendada pro EENe 2014!! Parceria 100% dos integrantes da expedição: Eveline (parceria de sempre!), Marceleza e Bianca! Além dos agregados Dago e Fernanda e de toda a galera que tava por lá!
Igatú e Lençóis são dois lugares que voltaremos muitas vezes ainda, de preferência com todos os dedos inteiros pra poder aproveitar ao máximo as esportivas e boulders do local, pra quitar as dívidas e molhar os pés na cachoeira! hahaha

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Vale do Capão e Pai Inácio - Chapada Diamantina #1

 Em dezembro do ano passado saímos de Recife rumo à Chapada Diamantina, pra curtir 15 dias de escalada "fisioterápica"que rendeu até bem pra um dedo problemático. 
Marcelo, Bianca, Eveline e eu seguimos pro primeiro destino: Vale do Capão. Foram três dias de muita chuva, festejos natalinos familiares, contemplação e um pouco de escalada no setor Rapadura! Fomos apenas visitar o outro setor, chamado de "Riachinho", ficamos impressionados com as vias e o visual do local mas a água escorrendo pelas paredes não permitiu que escalássemos.
O Rapadura possui vias simpáticas, curtias em uma rocha de ótima qualidade, quartzito se não me engano. Saindo do Capão em direção à Palmeiras, o setor fica à esquerda, perto da estrada, pouco antes da ponte do Riachinho. É fácil de identificar pois é um morro baixo cheio de pedras próximo à estrada.

 Em uma das vias esportivas do Rapadura - Capão

Via em móvel no Rapadura - Capão

De lá seguimos em direção a Igatú, mas fizemos uma paradinha estratégica no meio do caminho pra escalar o famoso Morro do Pai Inácio. A via escolhida foi a mais frequentada da pedra, a qual eu já tinha escalado em outra ocasião, uma boa pedida pra levar a namorada e o mulambo Marcelo pra conhecer a parede.
Se trata da Pauliceia Baiana, 5° VI 120m, nenhuma proteção fixa ao longo da via.

Encontramos poucas informações na internet sobre a via, inclusive um croqui detalhado que existia, aparentemente não existe mais. Me esforcei um pouco pra lembrar alguns detalhes e no final deu tudo certo, apesar do cume noturno e alguns minutos perdidos pra achar a trilha de descida, poder guiar a via toda foi bem legal! Seguem então algumas informações que podem ajudar aqueles que quiserem repetir a via.

Marcelo, Cauí e Eveline

Estacionar o carro em um posto em frente ao morro, atravesse a vegetação alta na beira da estrada e siga pelo pasto/arbustos pra esquerda até a base da via, que é identificada pelo grande diedro na extrema esquerda da foto abaixo.

 Pai Inácio e o trio

Escalamos em três pessoas com uma corda de 70m, poderia ser de 60 ou até mesmo 50m (pra uma dupla) sem problemas, as enfiadas são curtas e não tem como rapelar sem abandonar peça mesmo...Levamos 1 jogo de friends rock empire (0,25 ao 7) e um jogo de nuts além de umas peças médias repetidas, não faltaram peças pra proteger a via, que hora tem ótimas opções de proteção, hora blocos duvidosos entalados ou fissuras horizontais.

A primeira enfiada é a do diedrão, passando em baixo do teto em boas agarras pra direita, entrando em uma chaminésinha  terminando em um platô grande.

 Eveline na primeira enfiada, Cauí na P1

 Cauí em baixo do teto

 Eveline na chaminé no final da primeira enfiada

Marcelo na P1

Andando um pouco pra esquerda no platô, ficar em cima do blocão pra dominar um tetinho (já sai protegido) e tocar pra direita até outra chaminé. Seguir pela chaminé até o platô da P2, já um pouco menor.

Saindo da P2, pegar o diedrinho da direita, passando por um lancesinho esperto pra depois tocar reto até os tetinhos que se pode ver na foto abaixo. Tem um lance aéreo numa borda pra esquerda antes de dominar o platô onde fizemos uma parada extra às que o croqui (traçado sobre foto que encontramos na net) mostrava.

Terceira enfiada vista da P2

Depois um trecho fácil até pegar uma diagonal meio platô pra direita, até ficar alinhado com um teto sobressalente, uns 10m acima de você, esta é a P3 originalmente. A P3 e o início da quarta enfiada se caracterizam por alguns blocos encaixados, nem todos muito bem presos, é bom ter cuidado. 
Passando esses blocos, já na quarta enfiada, chega-se no teto, contornando-o pela direita tem o lance mais chato da via, um domínio de balcão já entrando na chaminé e o início da chaminé propriamente dita. Após a chaminé, mais um platô, monta-se a P4.
Saindo um pouco pra esquerda, virando a esquina e tocando reto, próximo à aresta, com proteções razoáveis na horizontal, se pode escalar por rocha limpa até o cume. Assim fizemos da primeira vez. Agora fui mais pela direita, me embrenhando no mato onde era aparentemente mais fácil, mas a corda pesa bastante e tem uns lances chatinhos, melhor ir pela direita mesmo...P5 em alguma arvore do cume e pronto!

 Eu, Eveline e Marcelo no cume!

A descida é por uma trilha turística bem marcada, exceto pela parte do cume, onde o chão é de pedra e tem que ir mais "no rumo", ajuda conhecer a trilha antes, é rápido. Qualquer coisa mira na torre que existe no estacionamento no início da trilha de subida e vai!

 Traçado disponível na internet


Croqui que fiz da via, falta muita informação, mas é o que temos...

Pra quem não quer ter muita dor de cabeça, existem várias empresas na cidade de Lençóis que oferecem a escalada guiada no Morro do Pai Inácio, com tudo incluso (equipamento, transporte e guiada). Recomendo fortemente procurar com o Gironha na Fora da Trilha pra poder desfrutar desse climb!!

Seguimos viagem pra Igatú e Lençóis, mas isso vem no próximo post!

segunda-feira, 24 de março de 2014

Vídeo: Divina liberdade, Pedra Riscada

Vídeo editado pelo Otto mostrando um pouco da via que escalamos na Pedra Riscada em Minas Gerais: Divina Liberdade.

Faltou o trecho do cume, que foi filmado com a câmera desligada...hahaha. Acreditem se quiser!

quinta-feira, 13 de março de 2014

13º EENe - 18 a 21 de abril

Está quase na hora! Encontro de Escaladores do Nordeste 2014, excepcionalmente no mê de abril! 
Estive em Igatú em dezembro (assim que der faço o relato) e o negócio ta bonito!! Nos vemos lá!


sexta-feira, 7 de março de 2014

Pico do Yayu - PB

No último dia do EENe do ano passado, em Algodão\PB, o Fabrício (PB) e o Brito (RN) me chamaram pra escalar uma via recém aberta no Pico do Yayu, em Santa Luzia, sertão da Paraíba. O Filipe e o Elder da Bahia também pilharam e, juntos com o Sapo (SC), um dos conquistadores, éramos 6 pessoas.
Em vez de ir pra Recife, fiquei em Campina Grande, na casa do Fabrício com essa galera toda, arrumamos as coisas, separamos os equipos e partimos no dia seguinte pra pedra!

Pico do Yayu - Face onde se encontram as outras vias

Chegamos cedo na base da via após quase 2h de estrada e mais uns 20min pro café da manhã, pra aproveitar ao máximo a sombra feita pelo grande diedro por onde passa boa parte da via, que se chama "Xique-Xique, Macambira e Chocalho de Cabra" (5º VIIb A1+ E3 D2) 300m.

Pico do Yayu- Santa Luzia\PB

Cauí, Elder, Filipe, Sapo, Brito e Fabrício

A primeira cordada foi formada por Fabrício, Sapo e eu. O Sapo começou guiando a primeira enfiada, uns 50 m de V grau protegidos por peças pequenas e alguns pitons numa rocha bem podre.
Entrei na sequência e toquei a enfiada do diedro, que começa com uns lances técnicos de VI depois chega no diedro, protegido em móvel com algumas chapas de vez em quando. Apesar de um pouco sujo de limo (pra garantir  emoção) a rocha é boa nesse trecho. Passei da P2 e montei uma parada alternativa em móvel um pouco antes do teto da terceira enfiada, achamos que pode ser um 7a\b essa segunda enfiada.


Cauí na segunda enfiada

Sapo tocou rapidinho o teto (A1+) com peças pequenas e morremos de rir com a "surpresinha" que tinha no final do teto, mas disseram que só fazendo a via pra poder saber o que é...chegando assim na P3.

Sapo no teto e eu na P2

Sapo, Cauí e Fabrício. P3.

Daí pra cima foi a vez do Fabrício, foram mais três enfiadas mais tranquilas que escalamos em simultâneo, chegando no cume ainda com a cabeça fria.

Fabrício na 4ª enfiada, só para no cume gora!

Cume!

Enquanto descíamos o Filipe, Elder e Brito terminavam o teto pra entrar na parte fácil. Ficaram na desvantagem de começar depois de nós e tomaram um solzinho bom na cuca, faz parte!

Fabrício na linha de rapel ao lado do diedrão.

O rapel é feito com duas cordas, abandonando fitas nas paradas (que são duplas, mas com chapas simples), e algumas paradas são fora da via (ver croqui).
Levando dois jogos de camalots do #.3 ao #4 mais um de nuts dá pra fazer a via bem. Os pitons da primeira enfiada estão lá, assim como os do teto, portanto não precisa levar. Leve um par de estribos ou improvise na hora. Jumar-grigri vai bem pro segundo subir a enfiada do artificial, mas na falta, um par de cordeletes vai bem também, pois é só um trecho pequeno.
Peguei em Campina o último ônibus pra Recife e os baianos junto com o Brito tocaram pro RN de carro enquanto o Fabrício e o Sapo tiravam uma sonequinha...
Eu já tinha ouvido falar dessa pedra a alguns anos, sobre uma via aberta pelo Wolgrand (PB) e pelo Gustavo (RJ), além de ter visto algumas fotos da bonita pedra. Achei irada a escalada, valeu pela pilha galera!!

Croqui by Sapo (clique para ampliar)

Ah, lá faz um calor da porra! hahaha