quinta-feira, 14 de março de 2019

Morro da Caixa D'água - Novo Setor em Itatim/BA

Depois da conquista da Sessão da Tarde (post anterior), no Morro do Letreiro, o Dago continuou seu rolé pelo nordeste e duas semanas depois deu uma última passada pela Bahia, foi quando começamos a investir no setor até então sem nome, onde não havia nenhuma via ainda, mas parecia bem interessante! Localizado um pouco antes do Morro do Enxadão, também do lado direito da estrada, com fácil acesso e possbilidades de escaladas bem variadas.



VIAS TRADICIONAIS

Miramos na pedra e caminhamos por uma vegetação aberta até a base, cerca de 10min. Chegamos bem no meio da parede e caminhamos um pouco pra esquerda, onde a parede perde um pouco a inclinação e oferece um início mais fácil. Dago subiu 60m em móvel, fixando apenas as paradas e mais duas chapas, e parou na base de uma parede mais vertical e amarela, que de perto pareceu mais amigável do que vista de longe. Segui pelo vetical aproveitando ao máximo as colocações móveis, por vezes não tão óbvias, mas boas, mesmo assim ainda fixei duas chapas e mais uma na descida, além da parada. O crux de VIsup ficou em uma barriga negativa bem interessante e exigente, e a parada já foi no cume! Na verdade quase no cume, pq se não a corda de 60 que tínhamos não ia dar pra descer. Subimos caminhando até o cume e rapelamos de volta. O pimeiro rapel, ainda ficou super esticado pra fazer com corda de 60m, possível, mas melhor com 70m. Nomeamos a via de Pentelhésimo, pois foi mais ou menos essa medida que faltou pra corda de 60m chegar perfeita na parada de baixo.

Dago no iníco da Pentelhésimo 

Dago na prmeira enfiada 

Cauí na terceira enfiada da Pentelhésimo

Do cume visualizamos umas bonitas fendas mais pra esquerda, descemos então vusializando uma possível linha que terminasse nelas. Achamos! Iniciando mais pra esquerda, em uma base mais elevada, após uma rampinha de pedra, conquistei uma enfiada generosa pras peças e parei em móvel em um platô, a cerca de 30m do chão. Puxei o Dago e ele não se animou ao ver que tinha que dominar umas macambiras pra seguir pela pedra novamente...lá fui eu. Pisei nas plantinhas do Demo, alcancei a pedra novamente, fui ganhando pra direita até chegar a um lugar onde pude escolher entre três fendas pra subir, peguei a que pareceu mais bonita. A fenda era bonita, mas não era de graça, só peça grande, tive que arrastar o #6 por alguns metros. Depois que a fenda acaba ainda dá pra proteger em umas rugosidades com um #2, até chegar no platô onde fixei a única chapa da via, 50m depois da P1.

Dago no final das fendas #6 da Múltipla Escolha

Uma moita colossal de macambira nos separava das fendas que visualizamos do cume, mas uma voltinha pela esquerda, um V meio exposto me levou ao início das fendas sem maiores problemas. Novamente pude escolher e comecei pela chaminé, mas logo saí pra uma fissura mais fina à direita dela, por onde segui até um grande bloco entalado, pasei à esquerda dele e toqei pro cume, de onde é possível fazer uma seg de corpo, ou laçar um Licuri (pequena palmeira da região).

Última enfiada da Múltipla Escolha

A segunda via nomeamos "Múltipla Escolha", nome auto explicativo. Deve ser muito desagradável ter que rapelar por essa via, possível somente abandonando peças, então, chegando no cume, melhor descer pela Pentelhésimo. Por sua vez, pode ser difícil encontrar o início do rapel, então a dica é: escale primero a Pentelhésimo, depois a Múltipla Escolha.

Como estávamos cansados de bater chapa (a última conquista exigiu muitas), essas duas vias ficaram mais apimentadas, mas são bem bonitas, com rocha de qualidade e fendas lindas.

VIAS ESPORTIVAS

Depois voltei com Marcel, Bruno, Eveline e Maitê, aproveitamos pra começar a explorar o potencial de esportivas do setor. Mas tinha uma linha que nos chamava, e pedia que levássemos as peças. Não deu pra resistir, Marcel pegou as peças, deixou a furadeira no chão e abriu a "Uruca", com direito à proteção do crux soltando durante o lance...30m, parada dupla, provável que coninuemos a linha até o cume. 

Uruca

Uruca

Subi pra experimentar a via e desci equipando um V grau, toda com chapas: O Grúfalo. Galera entrou e aprovou! Depois conquistei mais pra direita os 30m da "Mulambo Teimoso", não deu tempo de escalar, mas ela já foi repetida e a sugestão de VIIa confirmada.

Conquista da Mulambo Preguiçoso

Ainda tem muita possibilidade nesse setor, abaixo estão os croquis pra quem quiser ir conferir!

Boas escaladas!!




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Sessão da Tarde - Morro do Letreiro, Itatim/BA

No início desse ano recebi a visita do Dagoberto Ivan, o Dago, fissurado em conquistar vias, o objetivo da trip não poderia ser diferente! Dia 02 de janeiro ele chegou em Feira antes das 4h da manhã, me encontrei com ele e seguimos pra Itatim, onde, após uma soneca regenerativa estratégica, saímos pra visualizar alguns objetivos possíveis.


Início da caminhada, a via está no centro da pedra, onde ela tem a maior extensão.

Resolvemos começar pelo Morro do Letreiro, uma pedra gigante, um pouco mais afastada da grande concentração de vias de Itatim, mas muito chamativa, pois fica na beira da BR-116, e quem vem do sul para Itatim se depara com o letreiro que dá nome ao morro: "Bem vido à Itatim". Esta face possui duas vias, as únicas da montanha até então.

Entretanto a face escolhida foi a oposta ao letreiro, voltada pro Nordeste, onde não existia nenhuma via. Uma linha em especial me chamava a atenção, uma sequência de buracos e fissuras horizontais de baixo até em cima, na parte mais vertical desta face.

Linha definida, seguimos pra base, sob sol forte, com uma curta caminhada de cerca de 10 minutos. Escolhemos um ponto onde parecia mais fácil o início e menos quebradiço. 

Comecei na ponta e abri 30m de positivo com crux de 5sup e algumas lacas quebradiças, parando em um platô, a saída do platô teve um segundo crux, que acabou fiando meio exposto, pq não deu pra parar pra bater a chapa, mas é só passar com jeitinho que vai. Mais 20m fáceis e cheguei em mais um ótimo platô, antes de uma parede vertical, onde fixai a P1 e puxei o Dago.

Dago no final da primeira enfiada

Dago saiu pela esquerda, em um bonito vertical de agarras sólidas, onde bateu algumas chapas e usou um camalot #2, depois seguiu por um positivo técnico e um final vertical, batendo a P2 a 30m, em outra parada confortável, de onde me puxou. O fominha disse que o combinado era 60m pra cada, e seguiu por mais 30m protegendo com chapas e algumas peças pequenas, até a P3. É possível emendar essas duas enfiadas, mas o arrasto é bem grande, sendo melhor parar de 30 em 30m mesmo. Acabaram as baterias da furadeira e descemos ainda de dia.

Dago começando a segunda enfiada

No dia seguinte deixamos pra começar às 12h, pegando apenas um pouco de sol e depois curtindo a sombra que entre às 13h. Escalamos até a P3 sem maiores dificuldades e segui pela direita, fiz um lance delicado e cheguei a uma boa colocação de nut, mais um pouco e coloquei um friend pequeno em uma fissura oculta na direita, e cheguei em mais um vertical, onde bati duas chapas, algumas peças pequenas, outra chapa e cheguei em um lance positivo, mas bem liso, acabou sendo o crux da enfiada, parei antes de um tetinho, na P4.

Eu conquistand a 4ª enfiada

Dago no final da 4ª enfiada

A quinta enfiada é em vertical com pequenas agarras e tem três passadas bem definidas: um ºlance logo na saída da parada, pra dominar um tetinho com equilíbrio, depois um VIIa de micro agarras no vertical, e pra finalizar, o crux de toda a via, sugestão VIIc de pequenas agarras em um tetinho lateral...tudo muito bem protegido! A parada é em um buraco grande, bem confortável também! 

Dago saiu pela esquerda mas logo a bateria acabou e descemos, retornando na tarde do dia seguinte. Aproveitamos que faltava pouco lá em cima e subimos livrando as enfiadas, inclusive o VIIc saiu na cadena também. Dago concluiu a sexta enfiada e a parede ficou mais amigável, ele tocou mais 30m e me puxou, e eu segui por mais 30 com lances de 4º grau no máximo até o cume!

Dago começando a sexta enfiada

Última enfiada

O terceiro dia foi suave e pudemos curtir o cume, procurar com calma o livro de cume, deixado pelo André Ilha na conquista da Letras Mortas, 19 anos atrás! Infelizmente o livro estava deteriorado pelo sol e pela chuva, e não foi possível ler nada. Deixamos uma folhinha em branco que tínhamos pra desenhar o croqui, assinamos e descemos, chegando no carro na última luz do dia.

O que sobrou do livro de cume com 19 anos de idade.

Abaixo estão os detalhes pra quem quiser repetir os 260m de via, graduados em 6º VIIc E2-E3 D2.




ACESSO: Sair de Itatim em direção à Milagres pela BR-116 Sul, quando visualizar a Face Leste do Morro do Letreiro de frente, entrar na estrada local, no início da curva na BR, no pé da placa de "proibido ultrapassar", após alguns metros entrar à direita na porteira e seguir pela estrada de terra até a segunda porteira. Estacionar nas árvores poucos metros depois da porteira, a trilha começa à esquerda e segue em direção à linha da via, facilmente identificável pela sequencia de linhas horizontais.

ESTRATÉGIA: Na época da conquista (janeiro) a sombra começava às 13h, sugiro entrar um pouco antes disso, pra ter tempo suficiente pra escalar tranquilo, depois caminhar até o cume, onde tem o livro e retornar aos rapéis ainda com luz.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Pedra do Gavião e Morro do Olho D'água - Iaçu/BA

Em Itatim tem pedra pra escalar por toda uma vida, além de concentrar a maioria das vias do "Leste" da Bahia. Mas suas vizinhas Milagres e Iaçu possuem tantas outras pedras, que três vidas seriam pouco para todos os objetivos. Nesse post você vai ver alguns detalhes de duas escaladas em Iaçu.

PEDRA DO GAVIÃO

A Pedra do Gavião, visivel da BR-116 entre Milagres e Itatim, é facilmente acessada por uma estradinha de terra que passa em frente à sua face sul, bem vertical e com enormes buracos. Pedimos permissão pra escalar na fazenda próxima da base e seguimos de carro pelo pasto até chegar bem perto da parede. Não sabíamos exatamente onde começava a via, pois só tínhamos uma foto de alguém escalando, e sabíamos que a via era fixa, então começamos a contornar a pedra pela direita, subindo em dirção à face norte, onde finalmente encontramos a via, quando a trilha fica mais plana.



 Face Sul da Pedra do Gavião, a via está contornando a pedra pela direita, pouco após a última aresta visível na foto.


Paredão Carolina - 3º IV E3 D1 150m é a via em questão! Conquistada em 2003 por Chico Rio e amigos, é até hoje a única via de acesso ao cume. Escalei com o Marcel. A primeira enfiada chega a um platô de mato, e dele se faz uma longa horizontal pra direita, at´a P2, nessa horizontal pode ser complicado achar o grampo, o importante é não subir, seguir à direita até achar um grampo e em seguida a parada. Como não tínhamos croqui demoramos a achar esse lance. Depois a escalada fica mais óbvia e é fácil achar o caminho, às vezes reto, às vezes desviando de algum trecho mais íngrime. Assinamos o livro de cume e descemos, depois de fritar no sol.

Marel Gama chegando no primeiro grampo da segunda enfiada.

Marcel errando e subindo em vez de ir pra direita

Marcel e eu no cume!

Livro de cume da conquista

Fiz um croqui da via, não medi muito certinho os tamanhos das enfiadas, mas já serve de referência a estimativa. Escalamos com uma corda de 70m, que ficou ótima pros rapéis. Não rolou uma foto da parede, pois o acesso não dá uma boa visão da mesma.


MORRO DO OLHO D'ÁGUA


Esta montanha impressionante fica próxima ao distrito de Lajedo Alto, e possui duas vias conhecidas: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, aberta pelo Elder, Gleidiane e Klener, que foi a via que escalei, e Bola de Fogo, que fica no tótem visivel nas fotos, em um cume completamente distinto, porém no mesmo maciço rochoso. O Olho D'água tem espaço pra mais umas centenas de vias, dada a imensidão do morro.

Cabeça do Índio e Morro do Olho D'água

O acesso às vias fica em uma fazenda particular, então é essencial pedir permissão aos proprietários, até porque a porteira costuma ficar fechada com cadeado. Bom de ir com um dos conustadores é que o aceso fica sempre mais fácil, Lá fomos nós, Klener e eu rumo aos mais de 400m de parede.

A primeira enfiada é de granito polido e escorregadio, em uma sutil canaleta. Uma árvore caída na base dificultou a visualização das chapas, mas elas estão lá! Duas enfiadas mais com dificuldade de até VI, com alguns lances em móvel e da P3 pa cima a via perde inclinação e o caminho fica mais fácil.

 Klener nas primeiras enfiadas

Animados!

Fizemos cume, assinamos o livro e iniciamos os tantos rapéis com duas cordas que nos levaram de volta à base.

Cume!

Também dei uma detalhada melhor no croqui, pra ver se instigo mais repetições, vale a pena, a via é linda e a montanha GIGANTE!



domingo, 6 de janeiro de 2019

Trip Peru #2 - Via Del 85 - La Esfinge

Oito dias após desembarcarmos no Peru, em junho de 2018, tiramos nosso primeiro dia de descanso total, em um hostel em Huaraz. A semana anterior foi de escalada/aclimatação nas belas vias esportivas de Hatun Machay (link pro relato), onde passamos frio e sentimos os efeitos da altitude no corpo pela primeira vez.

O parceiro desta empreitada foi o curitibano Otto, companheiro de cordada em outras roubadas semelhantes. Aproveitamos nosso dia de descanso para comer bem, coletar informações e planejar o dia seguinte. A ideia era tentar subir alguma montanha com 5mil metros de altitud
  
e, para aclimatar melhor e chegar com mais fôlego no nosso objetivo principal da trip: La Esfinge (5325m). Como o tempo era curto, seguimos a sugestão de tentar subir o Rima Rima, uma montanha visível da cidade de Huaraz, com pouco mais de 5 mil metros de altitude, que seria factível em um dia. Segundo nosso informante, a caminhada seria de cerca de 5h ida e volta, com um trecho final de escalada fácil. Pegamos as dicas sobre o acesso, e fomos dormir, pra tentar subir o Rima Rima e voltar pro hostel no dia seguinte.

Acordamos cedo e pegamos um taxi, que rodou 20km e nos deixou no ponto da estrada por onde começava a caminhada, a cerca de 4000m. Andamos muito devagar, parando muito e nos sentindo muito cansados, cinco horas depois chegamos a 4900m, ainda faltava muito, e pelo cansaço e pela hora, resolvemos descer dali mesmo. Foram 2h de volta ao ponto de de onde começamos, mais 7km até encontrar uma van, que nos levou de volta à cidade. Não fizemos cume, nem ultrapassamos os 5 mil, que seria bom pra aclimatação, fiamos um pouco preocupados com nosso desempenho aquém do esperado, mas seguimos com nosso objetivo principal.

Rima Rima é a pirâmide preta no primeiro plano


Nossa altitude máxima no Rima Rima

O dia seguinte foi de descanso em Huaraz, fizemos compras e coletamos  informações sobre o transporte até a Esfinge. Dia 14 de junho de 2018 saímos do Hostel Big Mountain e tomamos um ônibus pra cidade de Caraz [7 soles/2h/60km], chegamos às 8h, andamos até o mercado e pegamos um taxi [85 soles/1h30] que nos levou à Laguna Paron, ponto inicial da caminhada. Paga-se uma taxa de entrada de 5 soles, e essa estrada que percorremos de taxi é impressionante, ela sobe por um vale cercado de paredes que facilmente chegam a 1000m de puro granito. A Laguna Parón também impressiona por sua beleza. Começamos a caminhar rumo à Esfinge às 9h40, chegando ao local usado por muitos como acampamento base após 4h de caminhada, ficamos muito felizes, pois esse é o tempo médio estimado pelo Guia de Escalada de Huaraz, afinal não estávamos tão mal assim! Coletamos água, armamos uma barraca que usaríamos caso o bivak (cova protegida do vento a 15min da base da via) estivesse lotado, o que não foi necessário. Mais uma hora de caminhada e chegamos à tal cova, que estava vazia! Levamos os equipamentos pra base da via, e voltamos pra jantar e dormir. Pra essa caminhada fui com o meu Five Ten Guide, tênis que levei na mochila durante a escalada, pois a descida é por um caminho diferente, ele foi uma boa pedida, pois combina conforto/precisão com leveza.


Início da Caminhada

Primeira vista da Esfinge!!

Dia 15 acordamos 4h30 da manhã, após uma noite até que bem agradável, a 4700m de altitude, tomamos um café e antes das 5h30 estávamos na base da via, começamos a escalar pouco antes das 6h, ainda no escuro, com a luz das headlamps. A rota escolhida foi a Via Del 85, a rota "Normal" da montanha, são cerca de 750m de puro granito, graduada em 6a, com crux's de 6c (graduação francesa), que podem ser feitos em A1. Seu cume está a 5.325m em relação ao nível do mar.

Bivaque

 Escalamos com uma corda simples de 80m, e levamos um cordelete de 60m na mochila, apenas pro rapel. Levamos água, tênis, anorak e começamos a escalar vestidos com a pluma e luvas. Optamos por não levar nada para bivak, o que nos deixaria mais rápidos, mas se algo desse errado, estaríamos numa fria. Escalei com a Moccasym, um número maior que meu é, com meias grossas, precisão necessária e conforto pra ficar 1 dia inteiro calçado.

Otto na segunda enfiada

Emendei as duas primeiras enfiadas, relativamente fáceis, não cabem muitas peças nesse trecho, mas existem alguns pitons, inclusive ao longo te toda a primeira metade da via. Otto pegou as próximas duas enfiadas, também em uma tacada só, depois eu emendei até a P6, santa corda de 80m! Outro detalhe técnico que nos permitiu fazer isso foi termos levado 2 jogos de camalots, em vez de 1, como recomendado em muitos relatos de quem escala a via em um dia. Levamos também o #4, que não me arrependo, e claro, os micros.



A sétima enfiada foi do Otto, e pareceu a mais dura e constante da via, e a partir dela, seguimos de uma em uma enfiada, até o Platô das Flores. Este platô é usado como local de bivak pra quem opta por fazer a via em dois dias, ele divide duas partes da via, a primeira, de maior dificuldade, porém bem óbvia quanto à navegação, e a segunda parte, mais fácil, porém com diversas possibilidades de caminhos a seguir. Chegamos ao Platô às 11h15, um bom horário pra um dia de escalada, mas já nos sentíamos super cansados. Lanchamos, bebemos um pouco de água e guiei o lindo diedro depois do platô, daí pra cima fomos nos arrastando, e nos mantendo relativamente bem na navegação. Sò nos perdemos lá pela 15ª enfiada, mas "descobrimos" nosso caminho e, às 17h e 45 minutos, chegamos ao cume! Tiramos algumas fotos que ficaram bem ruins, mas são o registro de um objetivo alcançado com muito planejamento, estudo e acima de tudo, vontade! Nosso primeiro 5 mil, La Esfinge, Cordilleira Blanca, Peru.






Caminhamos pela crista da montanha, por cima dos blocos, rumo à via de rapel, que fica na parte mais baixa da parede, e está sinalizada com totens apenas no ponto de rapel mesmo, então pode caminhar com fé, que ela está lá! São três rapéis ao todo: 60m/30m/60m, praticamente em linha reta, e todos os pontos de ancoragem estão em bom estado. Ao final do terceiro rapel, descer caminhando meio em diagonal pra esquerda, até acessar a moraina, que leva ao ponto de bivak. Terminamos o rapel às 19h e descemos cambaleando pela moraina até a cova, onde chegamos às 20h20, jantamos e dormimos, pra no dia seguinte voltar pra civilização e depois pra casa.

 Cume da Esfinge (5300m)

Aclimatação sem dúvida deixou a desejar, 10 dias foi insuficiente, não chegamos nem perto de escalar com nossa capacidade normal, mas foi como deu pra fazer, respeito aos montanhistas de grandes altitudes, deu pra sentir na pele e nos pulmões o quanto é difícil! Que esse relato sirva de inspiração pra quem quer escalar a Esfinge, ou qualquer montanha por aí! Caso alguém precise de alguma informação específica, não deixe de entrar em contato: cauivc@gmail.com

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Novas Vias em Itatim - BA

Já faz quase 02 anos que estou na Bahia e sigo dando prioridade a escalar em vez de conquistar, são muitas vias novas pra mim, de todos os estilos, então após mais de 10 anos abrindo vias quase sempre em Pernambuco, to meio devagar nesse quesito por aqui, apesar de não faltar opções icríveis de linhas pra abrir.
Mas nem só de escalar vias prontas vive o homem, e vez ou outra acabamos abrindo uma ou outra via. Já postei aqui o relato da conquista da Tudo Passa, no Morro do Enxadão, mas faltou registrar aqui no blog algumas vias que foram abertas nesse meio tempo.

SETOR RUPESTRE

Na base do Morro do Crocodilo existe um bloco de aproximadamente 15m onde o Marcelo (Itatim) e o Emerson (SE) abriram algumas vias fixas, fui com o Marcel em abril de 2017 conhecer as vias e deixamos mais duas opções pro setor: 
- Do Inferno a Paraíso (Vsup) - Quase toda em móvel, exceto por uma chapa no início e parada dupla no topo. É a via mais à esquerda do setor.
- Coisas Laterais (7a) - Fixa, é a via da direita.

Coisas Laterais - Foto: Marcel Gama

JARARACA

Abri com o Marcel e o Vitor Wolmer a continuação reto da "Mulambo Atrevido", que foi nomeada de "Desvio de Função" (8a), pois no dia fomos pro setor trocar algumas chapas podres e acabamos fazendo outra coisa.
Em duas ou três investidas em agosto e setembro de 2017 regrampeamos algumas vias no setor, pois a situação das proteções estava bem feia. Ainda restam muitas vias pra serem regrampeadas, mas as que estão perfeitas pra escalar são as seguintes:
- Desvio de Função (8a)
- Mulambo Atrevido (VIsup)
- Mimi Jando (7a)
- Los Vagabundos (7b)

Chapa substituída

Regrampeando a Los Vagabundos 

Conquistando a Desvio de Função

MORRO DA FONTE

Plutão (5º VIIc E2 D1) 135m

Conquistamos uma interessante via de cume no Morro da Fonte, acredito que seja a mais dura das que vão ao cume. Juan, Marcel e Bruno foram os pareiros das três investidas necessárias pra concluir a via, principalmente devido à furadeira já não mais aguentar fazer muitos furos.
A primeira enfiada é um VIIb fixo, com crux no início (melhor pré-clipar a primeira proteção), passando por um tetinho e seguindo em agarras pequenas até a P1. Depos uma enfiada de V com uma chapa e algumas peças, mais duas enfiadas mistas no positivo até chegar na base da última enfiada: um 7c vertical com lances de oposição e regletes, infelizmente a fenda que proporciona algumas agarras, não aceitava bem as peças, e a enfiada ficou fixa, mas não diminui a beleza da via. 



Cauí na P1 e Marcel na segunda enfiada 

Última enfiada

MORRO DO TALHADO

Mistério da Bateria (4º VIsup E3) 235m

O Talhado possuia apenas uma via de cume, a qual ainda não tive oportunidade de entrar, chamada Seu Vavá, a via tem lances de artificial exigentes e não deve ser repetida em pouas horas, sendo assim resolvemos abrir uma via mais amigável por lá.
Escolhemos uma linha à esquerda das vias do Chiquinho, onde parecia ter uma chaminé. Quando chegamos vimos que a chaminé tinha uma parada dupla no final, então optmos por começar mais pela esquerda, escalando pelas agarras. Batemos alumas chapas, colocamos algumas peças e quando chego à um platô vejo uma chapa, aproveitei e parei nela, depois vi que pertencia à mesma linha da chaminé que vimos na base, felizmente vinhamos também em móvel e não alteramos nada da via existente. Como não viamos nenhuma chapa pra cima, e a bateria já dava sinais de fraquesa, tivemos que seguir sem bater nada até a parada, que puxei pra esquerda pra fugir da linha existente, no final de super certo, e chegamos no primeiro grande platô de mato. Abrimos um caminho pelo mato até encontrar a pedra novamente, e comecei a escalar sabendo que a furadera mal ia fazer mais um furo, consegui subirr por uma canaleta onde couberam duas peças, depois por um diedro onde entraram mais duas ou três peças. No final do diedro fiquei em uma rampa onde comecei um furo com a furadeira e terminei batendo direto na broca.
Na investida seguinte nós subimos mais 30m até o segundo grande platô de mato, por onde caminhamos, dessa vez de tênis, em meio à espinhos e bromélias até chegar na rocha novamente, o últio trecho estava escorrendo água, mas a única parte seca era a linha que tinha cara de ter mais agarras! Conquistamos então a última enfiada, com chapas e duas peças, por volta de VIsup, o crux da via.
Voltamos mais uma vez pra duplicar as paradas e repetir a via ao lado pra ver se realmente não tínhamos interferido, felizmente não, até chegamos a relocar uma chapa da nossa via, pois a pesar de não interferir, estava visível da outra via.






Vermelho: Mistério da Bateria / Amarelo: Por Deus, Não Chape

14: Mistério da Bateria / 13: Por Deus, Não Chape


DEPARTAMENTO

- Bolsa de Valores (VIsup) - Fixa, 30m.

MORRO DO ENXADÃO

Concluí um antigo projeto do Filipe, faltava apenas a parada, visinho à Piratas do Caribe:

- Mão Leve (8a) - Fixa.


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