segunda-feira, 26 de junho de 2017

Encontro de Escaladores do Nordeste - Inscrições Promocionais e Sorteio!


Esse ano acontece em Brejo da Madre de Deus a 16ª edição do Encontro de Escaladores do Nordeste, as inscrições estão abertas e quem se inscrever até 30/06 concorre ao livro "50 Vias Clássicas do Brasil", além de pagar mais barato!

Brejo é um lugar muito especial e o evento vai ser incrível! Mesmo de longe estou ajudando a fazer uma boa festa pro dia 7 de setembro!

Esse evento vai viabilizar a elaboração da 2ª edição impressa do Guia de Escalada de Brejo da Madre de Deus, que tá ficando bonito!

Vai lá no site e dá uma olhada geral, todas as informações que você precisa estão lá: http://eene.com.br

Até mais!

terça-feira, 13 de junho de 2017

Agulha do Diabo - Serra dos Órgãos/RJ

Sexta-feira, 19/06 às 16h saí do trabalho em Feira de Santana e dirigi 100 km até o aeroporto de Salvador, de lá peguei um voo às 21h pro Rio de Janeiro, onde cheguei às 23h. Lá encontrei o Otto, que tinha chegado meia hora antes de Curitiba, e fomos resgatados pelo Júlio "Francês" e pelo Filipe, seguindo de carro direto pra entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, onde chegamos por volta da 1h da manhã. Jantamos miojo e dormimos.

Vinhamos monitorando a previsão do tempo há uma semana, e não tava lá essas coisas. Na sexta choveu o dia todo na cidade do Rio, e segundo informações, também em Teresópolis próximo à entrada do parque. Ou seja, a via estaria molhada, mas será que seria possível subir, mesmo usando todos os "artifícios"? Discutimos as possibilidades via wathsapp enquanto não nos encontrávamos pessoalmente e, cogitamos mudar o destino para Passa Vinte, pra escalar esportivas. Mas mudar o foco tão radicalmente após criar toda uma expectativa em torno da Agulha do Diabo não seria fácil, e não aconteceu. Os quatro malucos pagaram pra ver e assumiram a possibilidade de chegar na base da via após no mínimo 4h de caminhada e ter que dar meia volta. Mas claro, na nossa cabeça, a via iria estar molhada, mas daria pra "roubar" até o lance da unha, que na minha mente estaria seco, por ser na parte superior da agulha e receber muito vento. A previsão para o dia da escalada era de pouca chuva no fim de tarde, quando planejávamos já estar no chão novamente.

Às quatro da manhã do dia 20/06 acordamos e tomamos café, começando a caminhar por volta das 5h sob uma garoa leve que caiu a noite toda. Subimos a longa e sinuosa trilha da Pedra do Sino até a chamada cota 2000, pegando então o Caminho das Orquídeas, quando a trilha deixa a principal e segue bem estreita, porém bem marcada até o mirante. O ritmo foi bom e paramos somente quando chegamos no mirante do inferno, de onde finalmente vimos a Agulha do Diabo, isolada, de frente! Lanchamos, descansamos um pouco, tiramos algumas fotos e começamos a descida ingrime do grotão, pra  depois subir até o início da via, onde chegamos após exatas 4h de caminhada a partir do estacionamento.

 Início da caminhada

 Verruga do Frade

Filipe, Júlio e Otto

Agulha do Diabo vista do Mirante do Inferno

Bom, constatamos o óbvio, a primeira enfiada estava encharcada, cem por cento. Antes mesmo de olharmos um pro outro com aquela cara de apreensão, pra saber que iria guiar, o Otto diz: "A primeira é minha!", e ninguém contestou. Olhando de baixo tinham alguns grampos, e aparentava caber peças na fenda pra ajudar. levamos dois camalots para as duas duplas (#1 e 2). Otto disse que não ia fazer diferença ir de tênis ou de sapatilha e começou com seu calçado de caminhada mesmo. Um grampo aqui, um camalot aí, pisa aqui, puxa ali, patina aqui, escorrega ali e ele chegou na P1 rapidamente, dadas as condições. 

Otto na primeira enfiada

Nossa ideia inicial era escalar a via em duas duplas, mas chegando na base vimos que não fazia sentido duas pessoas terem que passar pelo perrengue de guiar a mesma enfiada molhada, então montamos uma cordada de quatro pessoas! Como tínhamos um par de corda dupla, fluiu bem: O guia subia com uma corda dobrada, chegando em cima ele puxava dois participantes, quando chegavam, um deles dava seg pro guia na próxima enfiada e o outro pro 4º elemento, que vinha de baixo com a outra corda dobrada.

Seguimos assim pela segunda enfiada, uma diagonal mais fácil, e também na terceira, que tem uma fenda larga com umas agarras dentro, depois um lance segurando em uma raiz pra finalizar em outra diagonal com uma desescalada meio tensa de fazer no molhado. Duas enfiadas fáceis, meio trepa-mato meio caminhada mesmo levam à Chaminé do L, uma verdadeira geladeira dentro da Agulha! Claro, estava completamente molhada, assim como todas as outras enfiadas até então. 

Otto na terceira enfiada

Otto subiu pela chaminé molhada, passou pelo buraco, seguiu pelos blocos passando por cima das nossas cabeças e emendou com a próxima enfiada, um domínio estranho de um bloco até alcançar o grampo pra se puxar. Eu já estava tremendo dentro da geladeira. Como ele juntou duas enfiadas, uma das cordas prendeu, subi primeiro dando sucessivos nós pra diminuir a barriga da corda que ele não conseguia recolher, liberei a corda e chegamos a P7, no platô de mato grande e confortável, onde pegamos alguns raios de sol muito agradáveis!

Chaminé do L

Até aqui subimos os quatro de tênis, e tudo estava totalmente encharcado. Mas até então não tinha nenhum lance obrigatório muito difícil, e as próximas enfiadas diriam se chegaríamos ao cume dessa vez ou não.

Encontramos o famoso "lance do cavalinho" completamente seco! Ficamos bem entusiasmados, as chances da chaminé seguinte estar seca eram maiores. Calçamos a sapatilha e começamos de fato à escalar. Passei o lance, que achei bem divertido, entrando na chaminé chamada "chaminé da unha", pois é uma grande laca de rocha encostada na montanha, completamente solta, apoiada em uma pequena área, e por lá que segue a via.


Lance do Cavalinho

A chaminé estava úmida, babadinha, comecei a subir em direção ao primeiro grampo, meio desconfortável, ele estava mais longe do que parecia, me estiquei pro lado e costurei. Olhei pro segundo grampo e ele estava também bem longe, segui subindo pela chaminé, lentamente, e parece que a chaminé vai ficando mais aberta, até que chega-se à um pequeno platô, onde dá pra respirar e costurar. Se o primeiro e o segundo estavam longe, o terceiro estava na lá na PQP! Pensei duas vezes, três vezes, pensei em dar seg dali mesmo e tentar achar outro voluntário pra guiar aquele trecho babado, mas resolvi testar, subi um pouco e vi que dava pra ir relativamente bem encaixado, fazendo pressão o tempo todo com o pé alto, diminuindo a possibilidade de escorregar. Não seria nada bonito uma escalada de pé ali, cheguei no grampo com câimbra na perna, costurei, alonguei e continuei mais um pouco até chegar na alça do cabo de aço que tem no final da unha, tendo a certeza de que o cume estava ganho!

Júlio na chaminé da unha

Puxei os parceiros e seguimos pelo cabo-de-aço até o cume, onde encontramos tudo branco! Não deu pra ver nada em volta, mas estávamos lá! Foi divertido, sofrido, deu medinho, mas como a vontade era grande, e a oportunidade única, deu tudo certo!

Chegamos ao cume se não me engano pouco depois do meio dia, ficamos um tempo lá em cima e começamos a descer, os rapéis são bem tranquilos e não são muitos, então pouco depois das 13h estávamos na base, arrumando as mochilas e começando a interminável caminhada de volta.

Cauí, Otto, Júlio e Filipe no cume!

Rapidamente fizemos o grotão de volta e o caminho das orquídeas, chegando na trilha principal, que vem do Sino e leva ao estacionamento da entrada do PARNASO, essa trilha de volta é infinita, andamos até não aguentar mais e chegamos pouco depois das 16h de volta ao estacionamento, após 3h de caminhada que pareceram ao menos umas 12h.

Lanchamos ali mesmo e voltamos pro Rio. Nossa passagem de volta era no domingo de noite, e eu pensei que domingo seria dia de descanso, mas Júlio acordou cantarolando e arrumando a mochila pra procurar algum lugar seco na cidade pra escalar! Fomos pro CE2000, que estava babado, o que não nos animou, terminamos no Platô da Lagoa, onde fizemos uma forcinha pra terminar o fim de semana!

 Otto na Cristal Mágico

Júlio na Ramos

Agora é só deixar o tempo nos fazer esquecer os perrengues pra procurar alguma encrenca nova por aí.

Usamos o novo livro do Daflon, 50 vias clássicas no Brasil, pra nos guiar (além do Filipe, que já tinha escalado a via), as referências estão ótimas no livro. Só não leve ele na mochila, claro.

sábado, 10 de junho de 2017

Escalada na Bahia

Nesse blog não se lê muito sobre escalada em Pernambuco, apesar de eu ter morado lá até o início desse ano. Isso é porque tudo que se refere à escalada por lá, eu acabo publicando no outro blog: escaladape.blogspot.com , onde você encontra uma boa compilação sobre novas vias conquistadas e escaladas diversas realizadas por lá. Mas agora a base é Feira de Santana/BA e aqui no blog você vai ler um pouco mais sobre a Bahia, além de uma ou outra trip por aí...

Abaixo está o texto que saiu no site da fivetenbr.com contando um pouco sobre os primeiros meses por aqui. O original você encontra clicando aqui.

Morro do Enxadão, Itatim - Cauí Vieira

"Após onze anos morando em Recife, eu e minha companheira recebemos uma proposta de emprego na Bahia, e cá estamos, morando em Feira de Santana, 100km distante de Itatim!
Em meio ao caos de uma mudança (de casa, de cidade, de estado) e na expectativa do nascimento da nossa filha, já rolaram algumas escaladas legais por aqui, as quais compartilho com vocês nesse post.
No primeiro final de semana após chegarmos na Bahia, antes de arrumar qualquer bagunça de mudança, peguei o carro e dirigi até a meca, Itatim! Chegando lá fechei com o Marcelo os objetivos: sábado de tarde Ponta Aguda e domingo Morro do Crocodilo.
Seguimos de baixo de um sol de rachar pra Ponta Aguda, onde fui conhecer a primeira de uma sequência de novas vias abertas pelo Formiga e companhia na cidade: Central do Brasil (4°VI E3 150m). Esse nome faz menção ao filme que teve uma cena gravada exatamente onde fica a via.
A via é mista, há possibilidades de colocações móveis em algumas canaletas e buracos, outros lances são com chapeletas, até chegar em um grande diedro, já no terço final da parede, onde rolam alguns lances pouco mais delicados. Primeiro cume como morador da Bahia! Aquele visual único e depois uma caminhadinha de volta pra base.
No dia seguinte entramos na Efeito Trump (6° VIIa 120m E3), localizada no impressionante Morro do Crocodilo. Primeira enfiada fixa, com boa proteção, mas carente de agarras, lances bem técnicos e bem bonitos, daqueles que se respirar errado cai! Segunda enfiada começa vertical, em móvel, depois rola uma sequência linda de duas fendas largas, onde cabem alguns camalots tamanho 4 e 5, e lances de aderência pra dar aquela emoção. Terceira enfiada linda, chapas mais distantes, agarras melhores, algumas barrigas negativas pra passar, e a última enfiada totalmente em móvel, mantendo o grau da via bem constante na casa do VI grau.
No final de semana seguinte fui conhecer o setor chamado Monte Alto, ou Morro das Cobras, que a apenas 10 minutos de Feira de Santana. Antes de sermos expulsos pelo sol, conseguimos escalar as vias "Xingue", "Pega Ladrão", "Quase" e "Flores, entre 7a e 7b, destaque pra "Quase", linda via vertical com regletes e leitura exigente.
Mais uma semana de treino na casa do Juan em Salvador, e fui com o Marcel no Talhado, em Itatim, onde escalamos duas belas vias esportivas abertas pelo Chiquinho: "Chornoquitos Jubilados"(6sup) e "Lacas Voadoras"(7a). Depois coloquei as costuras no rac e entrei na "Faixa de Gaza" (8c), essa fazia parte das dívidas antigas, pois alguns anos atrás eu caí na última agarra, quando tentava o flash da via! Dessa vez vi que não foi tanto vacilo cair na última costura, pois o lance é de difícil leitura e os braços já estão muito bombados, mas dessa vez não teve queda, a cadena saiu, sacando as costuras! Pra finalizar o dia e não sair sem uma dívida, provei a Irmãos Metranca, um projeto (acho que é projeto ainda) de agarras mínimas, sem sucesso.
No fim de semana seguinte o Marcelo me mostrou uma bela via aberta pelo Elder: Jardim do Éden (ou do Élder)...5° VIIa A0 120m. Um crux no início e uma sequência lisa feita em artificial dão lugar à uma escalada delirante entre canaletas e chorreiras, são 120 metros de puro desfrute até o cume da Pedra Riscada de Itatim. Ainda deu tempo de provar mais uma do Elder: Cream Cracker (7a), que faz jus ao nome.
Ferramenta certa!!
Aí veio o planejamento pro carnaval: Ibicoara, cidade da Chapada Diamantina que eu ainda não conhecia, escaladas super recomendadas, sete dias livres, e uma semana antes deixo cair uma chapa de quase 100kg no pé, inviabilizando qualquer escalada por quase 20 dias. O carnaval foi na chapada, mas apenas turistando.
Voltei pra Itatim assim que consegui calçar a sapatilha, e lá encontrei o Fafá, de Curitiba, seguimos pro Jararaca. Entramos na "Disciplina não ter, Calango nunca será" (8b), via que abri a alguns anos e gosto muito, depois provamos a Trapes e Tubes (9c), um lance exótico no começo, mais um lance duro, depois uma sequência mais branda pra chegar no crux, um bloco com uma passagem muito difícil pouco antes de costurar a parada, esse final não consegui isolar, mas to com a via na cabeça até hoje...Fafá ainda levou a cadena da Emerilator (9a) pra casa com apenas dois pegas.
No Morro do Enxadão existe um setor irado de esportivas, e um 8c clássico chamado Sãotanás, parece filme repetido, mas eu tinha caído chegando na parada da via na minha tentativa em flash anos atrás. Dessa vez passei o crux e...flap! A mão vazou do reglete enquanto eu dava uma respirada pra continuar. Subi de chapa em chapa redescobrindo cada lance, depois desci e encadenei, pagando mais uma antiga dívida por aqui.
Sãotanás (8c) - Eveline Sousa
Ponta Aguda com o Marcelo, mais uma via do Formiga, nessa ele tava inspirado! Deus e o Diabo (4° Vsup E3 D1), uma linha de ótimas agarras, com chapas só nas paradas, sendo a proteção intermediária móvel em buracos e fendas pequenas ao longo da via, coisas que Itatim nos proporciona!
Questões Éticas, Itatim - Eveline Sousa
O Morro do Crocodilo é mais ou menos uma pirâmide, só que dividida ao meio por uma grande chaminé, a via que fiz antes dava acesso ao cume da esquerda, dessa vez fizemos a "O Monstro" (6° VIIb 150m), via lindíssima, cinco estrelas, que acessa o cume da direita. Primeira enfiada fixa e técnica, mesmo estilo da Efeito Trump, depois vem o filé, um VI grau totalmente protegido em móvel, porém com escalada em agarras, boas em sua maioria, e uma inclinação levemente negativa, bem aérea! Depois segue sem maiores problemas pro cume.
Alguns km's a mais temos Igatú, o paraíso dos boulders! Depois de séculos sem escalar boulder deu pra fazer um bom volume no setor do lagarto e no corredor, onde rolou a cadena do Demorex, uma variante mais difícil do clássico Denorex. No último dia por lá, fui com o Rafa nas esportivas do labirinto, onde saiu a cadena em flash da emocionante "Cacimba Psicológica" (8a).

Boulders no Lagarto, Igatú - Eveline Sousa
Perto da base do morro do Crocodilo em Itatim tem um bloquinho interessante onde havia algumas vias do Emerson (SE) e do Marcelo, abrimos mais duas vias por lá, "Coisas Laterais" (7a) e "Do Inferno ao Paraíso" (5sup móvel), dois clássicos que valem a visita, cada um no seu grau e estilo.
E nesse último fim de semana repeti com o Marcel a belíssima via "O Jardineiro" (6° VIIb 310m), pra lembrar o quanto ela é clássica! Ao menos cinco enfiadas na casa do sétimo grau, todas de qualidade excepcional. Começamos a escalar ás 6h30 e quatro horas depois estávamos no cume. Nesse dia usei minha Moccasym, sapata incrível!
O Jardineiro, Morro do Enxadão - Marcel Gama
No dia seguinte escalamos na Pedra do Sapo e no Morro do Talhado, onde provei a extensão da via CG atômica (8b), que saiu no flash sacando as costuras!
E ainda tem muita via pra escalar por aqui, sem falar nas possibilidades de conquistar coisas novas.
Agradeço à Santa Barbara Imports e à Five Ten Brasil pelo apoio nessa nova fase!
Boas escaladas a todos!!
Cauí Vieira"

quinta-feira, 4 de maio de 2017

[Vídeo] Igatú - Boulders no Lagarto e Corredor

Saudações da Bahia!!

Algumas imagens de uma ida à Igatú/BA no feriado da páscoa, desentrevando nos boulders!

Setores Corredor e Lagarto.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Mozart Catão e Conquista na Toca - Itatim/BA

Pra fechar as férias de 2015 demos uma rápida passada em Itatim, Bahia, onde estava rolando o 2° Festival de Escalada de Itatim, chegamos no final do dia, subimos a Via Expressa (se não me engano) no Morro da Toca.

No outro dia nos juntamos com o Marcelo, de Recife, que também estava lá, pra escalar a Mozart Catão (5° VI E3 D3) 250m, no Enxadão. 

Das três vias que vão até o cume do Enxadão, essa foi a primeira a ser conquistada, pelos primeiros escaladores que andaram por ali. Ela tem uma enfiada de "acesso" a um platô elevado, e depois segue por uma sequência de chaminés até o cume. Sem dúvidas é a menos popular das vias desta montanha, pelo acesso mais complicado, pelas chaminés e pelo mato, e estava a muitos anos sem repetição conhecida.

Para o terror de Eveline e Marcelo, que nunca tinham escalado no Enxadão, escolhi esta via, pois eu já tinha escalado as outras e tinha vontade de fechar as três. Como eles não tinham estado ali......só o cume interessa! Mas eles toparam na hora! Croqui detalhado não tinha, só o traçado da linha.

Início da Mozart Catão

Pois bem, começamos a procurar a base, vai pra lá e vai pra cá, achamos um lugar que tinha cara de que poderia ser o certo, um primeiro lance mais chato, começando pisando em cima de um "mói" de macambira, seguindo por uma sequencia fácil mas bem cheia de mato até o grande platô elevado.

Depois tem que dar uma caminhada pra esquerda, até visualizar a linha da via (marcada pelas chaminés), achar um caminho no meio do mato até a base, começamos a escalada, que se mostrou bem interessante!

Estávamos na P1 e o Formiga, Cabelo e Wilker passaram passaram por nós, seguimos logo atrás passando por uma chaminé bem bonita, com agarras e em alguns momentos sem, às vezes chaminezando mesmo, outras vezes por fora, até um platô bom, onde paramos novamente. Dali sai em um lance que é mais complicado olhando de baixo do que fazendo, saindo pra direita, um pouco de trepa mato, alguns lances de face, parada em grampos.

Saindo bem pra esquerda, segue por uma canaleta de mato com alguns grampos, depois não vi mais nada até chegar no cume, passando por uma aderência bem positiva, puxei os dois sentado no cume e fomos em busca do rapel.

Cume do Enxadão!

Passamos mais um bom tempo procurando o início do rapel, que é melhor se for feito pela via Jardineiro, por ser mais direto e sem mato. Quando começamos a descer vimos que tinha uma galera subindo pela via, depois soubemos que foram 11 pessoas pro cume do Enxadão nesse dia!

Rabiscamos um croqui mais detalhado da via, ele tá disponível no Abrigo de Montanha de Itatim.

Renato na Jardineiro


Tínhamos mais um dia e resolvemos escalar um pouco no Morro da Toca, e de tarde subir uma via maior, optamos pela Expresso pro Inferno, até então uma das últimas vias conquistadas na Toca, pelo Ary, Fabiano e Marlon, de Natal/RN.

Eu não consegui falar com o Ary e não tinha o croqui, mas lembrava mais ou menos a referência do início da via, que seria após o segundo tanque. Mas minhas lembranças me enganaram, hahaha. Eu imaginava que ela começava fácil e em móvel, então passei, olhei pro início real da via (7a com chapeletas), achei que era outra via e comecei mais pra esquerda, onde tinha cara de ser fácil e possível de proteger em móvel, no máximo 5 metros após o segundo tanque.
Lá pelos 60 metros eu não tinha visto chapeleta nenhuma, montei a parada em móvel e vi as chapas e a linha da via alguns metros pra direita.

Tava tão bonito que resolvi tentar seguir o máximo possível por uma linha independente. Saindo da P1 tem um vertical de boas agarras, um lance fácil mas aéreo, bonito, depois a parede perde inclinação e vez ou outra dá pra ver as chapas da Expresso pro Inferno na direita. Se for montar uma parada, melhor parar antes da parede ficar muito positiva, pois as fendas diminuem. Na escalada, que acabou virando conquista, seguimos em simultâneo até o antecume. Em um momento a linha passa bem próxima de uma chapa da Expresso, é possível usá-la, optei por seguir reto pela esquerda dela, depois tem um lance de IV e chega em um platô onde tem umas pedrinhas soltas, um pouco acima de onde a Expresso pro Inferno faz uma horizontal pra esquerda. Dá pra montar uma parada em uns blocões, depois é só sair pela esquerda, um lance curtinho por uma canaleta, uma aderência até chegar no cume, exatamente onde tem a última chapa da Expresso.

Rapelamos pela via "Foda-se" e batizamos a conquista inesperada de Toca-Toca, um trocadilho muito óbvio relacionando o nome da pedra com o estilo da via, e eu ainda explico isso!!


Croqui da Expresso pro Inferno


Croqui da Toca-Toca e traçado aproximado da Expresso pro Inferno.

domingo, 27 de março de 2016

Tejuçuoca/CE

Continuando a sequência de post que deveriam ter sido feitos há muito tempo, aqui vai um sobre a trip que fiz com Miguel pra Tejuçuoca, pra conhecer os calcários do Ceará!

Em Fortaleza encontramos o Damito e seguimos pra Tejú, foram cerca de três horas de carro até chegar no alojamento próximo à pedra. O local possui algumas grutas e é também um sítio arqueológico, e a prefeitura local fez um  pequeno museu, que possui um alojamento pra receber visitas escolares, e lá, fomos muito bem recebidos! De noite chegaram Mário e André, e começou o primeiro churraso da trip!

Mas além de comer carne, também escalamos muito! Tejú é fantásctico, provavelmente será a sede do próximo EENe que tiver no Ceará.

Caminhada básica..... - Foto: Miguel Alejandro

Começamos no setor da Anti-horário, onde tem vias boas pra aclimatar com a pedra, mas mesmo assim, são exigentes. O tempo era curto e não deu pra escalar muito, mas entramos na via que dá nome ao setor, na "Nas Carreiras" e na "André Braga", uma das clássicas do local. Depois entrei na Blood Line, uma saída alternativa à André Braga, mais direta, e com um lance de monodedo obrigatório, linda via!

 Primeiro contato, setor da Anti-Horário - Foto: Miguel Alejandro

Fomo conhecer o setor chamado de "Buraco do David", um salão escondido com várias vias interessantes, acho que entramos em todas, destaque pra Animais (7c, não entre sem camisa nessa via), Godbye Blue Friend (VIsup), e Another Friend in the Wall (VIsup).

 
Eu na Animais (7c) - Foto: Miguel Alejandro

Eu na Another Friend in the Wall (VIsup) - Foto: Ricardo Damito

No setor dos tetos existem algumas vias bem bonitas, negativas de agarras macias, e alguns verticais técnicos, de abaolados lisebas, que também são boas. Entramos na cachorro do Vizinho (7a), na clássica Favos de Mel (8a/b) e equipamos um 8a ao lado dela, chamado Vói-lá, ou em português: avoa lá! hahaha. Essa via nova começa com um pulo bizonho saindo em pé, meio torto, de uma chorreira, sem mãos pra uma agarra gigante, meio pro lado, é muito divertido!

Mário e André concluíram uma conquista antiga e eu corri lá pra provar, a cadena saiu à vista, com muito suor! Via mista, com entalamentos de mão, de joelho, de corpo, agarras, negativo, sinistra! 7c talvez, "Fera Neném".

 
Miguel na Cachorro do Vizinho (7a) - Foto: Cauí Vieira


 Eu equipando a Vói-lá (8a/b) - Foto: Miguel Alejandro

Fomos no setor do Arco de Deus, não deu tempo de entrar nas vias pois acabamos dedicando o tempo pra abrir novas vias numa parede bem negativa no local, com duas chorreiras incríveis!

Abrimos duas vias: Calangotango (8a), começa em uma chorreira técnica, segue em boas agarras e termina com um crux de abaolado bem negativo! A outra via ainda é projeto, se chama Tejussauro Rex, não deu tempo de experimentar.

 


 Chorreira onde nasceu a Calangotango (8a) - Foto: Miguel Alejandro

 
Mário na Calangotango (8a) e eu equipando a Tejussauro Rex (Projeto) - Foto: Miguel Alejandro

Ricardo Damito Calangotango (8a) - Foto: Miguel Alejandro

 Alojamento com chuva!

Voltamos pra Fortaleza só o bagaço, acho que foram 6 dias seguidos de escalada, e ainda faltou subir a Cabeça do Índio, observe a pedra atrás do povo na foto abaixo:





André, Cauí, Miguel Mário e Damito, valeu pela recepção!!!