quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

[Vídeo] Orion 9a Br (Fail) - Barro Roxo, Lençóis/BA

Escalada na via Orion, no setor Barro Roxo, em Lençóis, Bahia.

Filmagem do segundo pega na via, caindo no finalzinho!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Camp Farm, Apnea e EZ Does It - Cochamó 2020 #3

Após escalar no Vale do Trinidad e no Anfiteatro (ver relatos anteriores), descemos pro camping La Junta e no dia seguinte fomos escalar a Camp Farm, uma das mais repetidas de Cochamó devido ao seu acesso relativamente fácil, cerca de 40min de distância do camping, incluindo uma passagem por uma tirolesa pra cruzar o rio.

Primeira Enfiada da Camp Farm, super delicada!

Pela primeira vez tivemos que aguardar na fila pra escalar! Quando chegamos na base tinha uma dupla escalando e outra aguardando a vez. Começamos a escalar quase às 10h da manhã, e comecei guiando. A primeira enfiada é de corda cheia, com lances de microagarras em granito polido do começo ao fim, quase não sobra panturrilha pro resto da via! A sequência seguinte é de duas enfiadas fáceis que levam à base de um diedro exótico que, quando fica gostoso de escalar, a via segue pra esquerda por uma placa lisa. Apesar dessa fuga do diedro, a linha segue em busca de outros sistemas de fendas, sempre intercalados com lances de placa em granito polido. Passei a ponta pro Otto que seguiu da P4 até P7, onde acaba a via, passando pela chaminé que vira diedro na quita enfiada, depois por alguns lances delicados que levam à um grande platô, de onde se desce pela corda e segue em diagonal pra esquerda pra escalar a última enfiada, uma fenda larga quase invisível até que se chegue na base dela. Um itinerário meio inusitado em busca de sequencias de fendas, que rende uma boa opção de escalada em Cochamó!

Segunda ou terceira enfiada da Camp Farm, trecho fácil.

Como já tinha uma previsão de chuva pro fim do dia, resolvemos aproveitar o tempo e seguimos direto da Campo Farm pra o setor La Zebra, já sem nenhuma comida na mochila, pra fazer a clássica Apnea, aquela fenda de dedos perfeita que aparece nas fotos de lá!
A base da via fica teoricamente a quinze minutos do camping, talvez seja um pouco mais, e a subida é bem íngreme, mas não muito longa. Me parece que das vias clássicas essa é a que tem acesso mais curto.

Início da segunda enfiada

Chegamos na base e foi só alegria, vimos uma fenda perfeita que virava um diedro também perfeito. Tiramos no palitinho e Otto guiou a primeira. Fora um crux no início a via é toda 5.9, e a enfiada mais clássica  ficou por minha conta, a fenda que começa com camalot 2 e quase  50m depois termina com o #0. Pena que são apenas duas enfiadas, mas essa sem dúvida não pode ficar de fora da trip pra Cochamó!

Otto no final da segunda enfiada

Descemos e contemplamos a chuva no dia seguinte, descansando dos três últimos dias seguidos de escalada e pensando sobre a volta pra casa, sobre a previsão do tempo e sobre mais alguma possibilidade, além de tomar muito café e comer doce de leite até cansar! Bastou um dia de chuva para armarmos um bom plano de ação pro nosso último dia: escalar a EZ Does It saindo e voltando pro camping La Junta no mesmo dia!

Final da aproximação pra EZ

Acordamos às 4:30 no camping e às 9h40 estávamos começando a primeira enfiada, após algumas horas entre café, caminhada no bosque, canaleta de pedras soltas e escalaminhada até a base.  Subir a trilha pro Trinidad só com mochila de ataque foi uma das melhores opções! Deixamos todo o equipo desnecessário como uma das mochilas, nossos tênis, parte da comida, etc. na base da escalaminhada por onde passaríamos de um jeito ou de outro na volta. Escalamos leves, vencendo as línguas de água corrente que escorriam nas duas primeiras enfiadas. Nos molhamos menos do que imaginávamos, e seguimos pela bela sequencia de diedros que nos levou pela segunda vez ao cume do Cerro Trinidad! Passamos um pouco de frio nessa escalada, o que nos fez acelerar ao máximo! Rapelamos pela linha de rapel que tínhamos conhecido na escalada da Bienvenidos e chegamos às 19:30 de volta ao camping, após aquela velha caminhada pelas pedras soltas, depois pela trilha de descida em meio ao bosque que faz os joelhos gritarem.






Parceriaa no cumeee!


Fim de trip! No dia seguinte arrumamos as coisas, acertamos com o arrieiro a descida pro dia 31 cedo. E tome mais 3h de caminhada até a civilização, onde pegamos um micro ônibus que nos levou à Puerto Montt, de onde pagamos o voo de volta pra casa.

Ficamos muitíssimo felizes principalmente com a sorte que tivemos de estar num lugar tão especial e poder desfrutá-lo até nã, sem que a chuva nos atrapalhasse! Escalamos muitas das vias clássicas do local, mas existem muitíssimas opções mais. Voltando pro Brasil vimos várias notícias sobre a temporada pro lá, onde muitas novas vias foram abertas, inclusive em paredes virgens! Cochamó é um mundo de granito com infinitas possibilidades, ficou aquela vontade de voltar e provar mais algumas clássicas.

Agradeço à SBI Outdoor pelo apoio que vem se fortalecendo a cada ano, essas atitudes são muito valiosas pro crescimento da escalada no Brasil! Ao Otto pela parceria na outra ponta da corda, sempre com muita fome de pedra e tranquilidade pra resolver os problemas que surgem!

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Anfiteatro - Cohamó 2020 #2

Após escalarmos no vale do Trinidad, veja relato no último post, descemos pro camping La Junta onde recarregamos as mochilas com comida para mais alguns dias e ajustamos os equipamentos, dormimos uma noite e no dia seguinte subimos para o Anfiteatro, foram cerca de 3h de caminhada até esse setor impressionante com paredes por todos os lados! Os bivaques estavam cheios e nossa primeira noite foi no relento, felizmente não choveu e foi bem agradável!

Parte do Anfiteatro

Tínhamos uma lista grande de possibilidades para tentar e fomos elegendo as que mais se encaixavam nas nossas condições. Começamos pelo Filo de la Aleta de Tiburón (5.10+/600m), uma via que não estava na lista inicialmente, mas que quando descobrimos nos pareceu uma boa opção de aclimatação para as escaladas do Anfiteatro. A maioria das pessoas fazem até a P6 e descem, pois realmente é a parte mais interessante da via, mas resolvemos que seria um bom treino fazê-la inteira, o problema é que o rapel tem que ser por outra via. Acordamos no dia 23/01 às 6h da manhã e caminhamos sem pressa por 1h até a base da via, Otto guiou as duas primeiras, por um slab com chapas e uma ou outra proteção móvel. Guiei a terceira e a linda quarta enfiada, a aresta mista que rende umas fotos bem legais! Otto pegou o final da aresta e eu a sexta enfiada, por um diedrinho fácil mas bem bonito. Depois da P6 a via perde inclinação, e intercala alguns trechos de escalaminhada com outros de escalada, inclusive uma chaminé que termina em um lance de 5.10+ bem delicado. Depois da P10 seguimos por uma crista fina praticamente em travessia até o grande colo entre a Pared del Atardecer e Pared del Tiempo, dalí é preciso decidir para qual cume seguir, optamos pela esquerda e subimos mais uns 200 m de escalaminhada, ainda encordados e escalando em simultâneo até onde pudemos nos desencordar e finalmente caminhar pro cume. Foi uma escalada bem divertida, sem pressa, clima agradável, graduação mais amigável, desfrute total! Chegamos ao cume às 12h30 e procuramos o final da via Al Centro y Adentro, por onde rapelamos visualizando a nossa próxima empreitada. Às 15h chegamos no chão, com tempo para descansar e mudar nosso bivaque no relento para o quarto 5 estrelas, embaixo de um boulder e ao lado do rio!

Aleta






Após rapelarmos pela Al Centro y Adentro (5.11b/450m), inclusive tendo visto uma cordada subindo no mesmo dia nos deu a certeza que este seria o principal objetivo ali no Anfiteatro! A motivação era grande e usamos a logística a nosso favor, deixando uma garrafa d'água no platô da P6 e o material todo na base. Descansamos o dia seguinte inteiro e dia 25/01 fomos com todo o gás pra via!

Bivaque

Acordamos 4h30, tomamos café e às 6h40 estávamos começando a escalar, leves, com apenas uma mochila e pouca água! Otto tocou as três primeiras enfiadas: fendas largas, uma fendinha de dedos em diagonal e o clássico offwidth que sempre aparece nas fotos. Uma mais linda que a outra! Só fiquei devendo o lance da entrada pro offwidth da terceira. Guiei o bloco das 4 enfiadas seguintes, começando em um diedrinho perfeito seguido por um lance de placa até P4. A quinta enfiada começa em um diedro liso e aos poucos as agarras vão aparecendo, algumas chapas e micro-friends protegem lances técnicos muito divertidos! Uma garoa fina às vezes umedecia a pedra e nos deixava com a pulga atrás da orelha, mas logo tudo secava e seguíamos novamente. A sexta enfiada é fácil, resgatamos a água e segui pra sétima, também técnica mesclando lances com proteção fixa e móvel, e um crux no final que me tirou a cadena.

Terceira Enfiada

QUarta enfiada?

Final do primeiro tramo

Otto guiou o diedro perfeito da oitava enfiada, começa com peças grandes e vai diminuindo até onde entram apenas micro nuts "meia boca", depois volta a alargar pra #.5, enfiada longa  e muito bonita! Depois a enfiada do "Bico de Pato", começa em chapas bem delicada, passa por baixo da fina laca e termina em chaminé, uma das mais exóticas. O frio estava rachando nessas últimas enfiadas e a chuva nos alcançou de verdade na P9, Otto escalou a décima enfiada molhada, e eu fiquei com a 11ª, nas mesmas condições. Felizmente uma era mais fácil e a outra tinha fendas contínuas, que facilitou concluirmos aos trancos e barrancos. Pra nossa surpresa a última enfiada estava seca! E pre fechar com chave de ouro consegui fazer sem quedas os lances melindrosos que nos levaram ao cume novamente!

Duck Beack

Foram pouco mais de 8h de escalada e menos de 2h de rapel, muuuito frio e muita diversão! Essa foi sem dúvida uma das melhores vias que escalamos por lá. As enfiadas são todas interessantes, exigentes, mas com boa proteção, os crux são relativamente concentrados e podem ser feitos em artificial, mesmo ficando devendo alguns, ficamos muito felizes com nossa escalada! Nada como guiar sem mochila! Recomendo!


No dia seguinte, nosso quarto e último dia no Anfiteatro, ainda cansados da Al Centro y Adentro, decidimos escalar a Omnomatopeya (5.10 / 150m), quatro enfiadas que misturam diedros e lances de placa, guiei as duas últimas e essa também pudemos colocar toda na cadena. Um dia tranquilo para um "descanso ativo" com escalada curta + caminhada de volta pro camping.

Omnomatopeya

Voltamos ao camping e ainda tínhamos 3 dias livres, mas a previsão era de começar a chover já no primeiro dia à noite, e tempo bom novamente só no terceiro dia. No terceiro e último post eu conto o que conseguimos fazer nesse final de trip!

Mais Vistos