quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ojuara e Invasão de Privacidade - Serra Caiada/RN


Em um dos últimos finais de semana fui tentar umas pendências em Serra Caiada, duas delas foram concluídas o/

A primeira foi a Invasão de Privacidade (7b), um via lindíssima que fica no "Boulder Principal", cartão de visita de quem chega em Serra Caiada. Ela possui quatro chapeletas, o início é negativo de boas agarras, dentre alguns abaolados, e o final, um dinâmico que proporciona bonitos vôos devido ao estilo espaçado de sua grampeação. Encadenei esta via alguns anos atrás, na segunda entrada, após tomar a clássica vaca após mirar o "bote" no lugar errado e, de lá pra cá escalei ela mais algumas vezes.
Após eu descobrir que o Leo Boulder tinha feito ela em móvel, resolvi tentar também! Rapelei e olhei as peças que cabiam, testei as colocações e comecei de baixo, mesmo sabendo que a fenda do final estava molhada, mas não rolou. Dessa vez fui novamente pra Serra e levei as peças pra entrar nela, que ainda não estava 100% seca mas já era possível usar a agarra que antes estava só o sebo! Rendeu cadena e vídeo:


Invasão de Privacidade (7b Trad) - Serra Caiada/RN from Cauí Cunha on Vimeo.


A segunda pendência começou no Encontro de Escaladores do Nordeste do ano passado, a via se chama Ojuara, aberta pelo Julio "Francês" e encadenada na ocasião pelo Cesinha em nada mais do que 2 tentativas. Dei uns 5 pegas caindo na última agarra do crux (que beeem definido) e voltei pra casa. O Julio encadenou depois e eu fiquei com o dedo bixado. Mas dessa vez, após bons treinos geriátricos entrei novamente nela! Equipada pelo Leo até o crux, entrei uma vez e consegui entalar o joelho exatamente nas agarras iniciais do crux, soltando as mãos e tudo mais, caí no mov final ainda bombado mas feliz pelo novo beta e por ter relembrado bem os movs no geral. Entrei mais uma vez, entalei o joelho, costurei, respirei entrei na sequência, acertei o mov longo até a última agarra do crux e...cadena!

 Início da Ojuara (9b?)

 Entalamento salvador

 Inverte no abaolado e sobe o pé alto...

 Alcança o agarrão (mentira, é só um regletão)

Ainda tenho boas pendências no setor da Falésia, mas com o sol que estava, rolou apenas de dar uma entrada na Ressurreição do Stick (7a), pois havia uma arvorezinha na base.

 Ressurreição do Stick (7a)

Fomos ainda no Platô dos Feijões, onde rolam 4 vias bem legais, de Vsup a VIIa, incluindo a Boca Torta (7a) que vale muito a pena! Entrei em todas, Eveline fez bonito garantindo os quintos e sextos, além da Ecos do Além, que tinha rolado no dia anterior (ou seria no dia seguinte?)...

Eveline na Espera Monstro?

O post ficou um pouco atrasado, mas pra não perder a ordem cronológica amanhã eu posto sobre o campeonato da Fábrica de Monstrinhos!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Serra do Lenheiro/MG

No último feriado rolou uma "viagem familiar" pra Minas Gerais, especificamente pra cidade de Tiradentes, que por acaso fica do lado e São João Del Rei, que por acaso possui um pico de escalada conhecido como Lenheiro, famoso por  possuir belas vias em móvel em um quartzito de ótima qualidade! É claro que teríamos que conhecer! 

 Manhãs nubladas

Procurando informações sobre o local antes de ir, vi que o mesmo havia sido recém liberado para a prática de escalada por civis. A área, chamada de CEMONTA (Campo Escola de Montanha) pertence ao 11° Batalhão de Infantaria de Montanha e, para visitação/camping deve ser solicitada a autorização perante ao comprometimento com as regras de conduta estabelecidas pelo Exército. Fiz a solicitação como indicado, passei na sede do batalhão pra assinar o termo de reconhecimento de risco e fomos escalar sem problemas! Para ver as regras e saber como conseguir a autorização, visite o site da FEMEMG.

Eveline e eu desembarcamos no lenheiro na sexta-feira depois do almoço, de lá já vimos o Felipe (RJ) e família pendurados na pedra, montamos acampamento correndo e subimos rumo aos Três Pontões. Encontramos o Jonatas, escalador local, que fez questão de dar todos os betas e informações necessárias pra um feriado feliz! A mineira pernambucana Cláudia também tava na área, além de mais um pessoal gente finíssima! Bom, vamos às escaladas....

Sai de Recife com uma listinha de vias recomendadas pelo Julio Mello, só faltou uma da lista, mas fiz algumas de bônus tb...
A primeira foi a Dança Macabra (VI), uma sequência de fissuras bem bonita com um crux bem definido de oposição o qual acabei fazendo pelos regletes de fora da fenda, usando a mesma somente para proteger. Descemos e entramos na Exalianos (VIsup) fixo, bem bonito, depois fizemos no fim de tarde a Spartacus (IV). Pra fechar o dia fomos com o Felipe, Matheus e Simone bater um rango responsa em São João, já que ninguém levou kit cozinha pro camping...

Dança Macabra

 Eveline na Spartacus

Sábado tivemos o dia inteiro pra escalar, começamos pela Ópera Selvagem (VI), pela variante que passa por um bloco entalado gigatesco, depois tocando pelos diedros negativos até o cume do pontão do meio.

 
 Início da Ópera Sevlagem (Pela variante) :: Foto: Jonatas Lima

  Segunda enfiada da Ópera Selvagem :: Foto: Jonatas Lima

 
Felipe e Matheus na Rosa de Hiroshima :: Foto: Jonatas Lima

 Eveline na Ópera Selvagem :: Foto: Jonatas Lima

 Depois fomos ver o Jonatas passear na Guerra e Paz (7c), peguei uns betas e entramos logo em seguida, passando pela travessia em baixo de um teto gigante, onde rolam umas fotos clássicas, até chegar na base da fenda da segunda enfiada, onde é o crux. A fenda seria perfeita para se escalar em oposição, se ela não fosse tão próxima da aresta, ou seja, não tem muito espaço pra colocar os pés e ficar realmente de oposição. O efeito da porta abrindo é mto forte, acabei passando sem nenhuma delicadeza, mas passei..hahaha linda via! Eveline suou a camisa e mostrou que não larga o osso tão facilmente, chegando no cume em seguida.

Jonatas na Guerra e Paz

 
 Guerra e Paz :: Foto: Jonatas Lima

Em seguida fiz a Lua de Mel (7b), que começa junto com a Exalianos e segue reto, muito boa também, começa com lances de agarras pequenas no vertical protegido por chapas e depois pega uma fenda bonita e atlética onde nuts vão muito bem.

 
 Lua de Mel

Jonatas e Klaus queriam por que queriam que eu entrasse num tal projeto na parte alaranjada do pontão da esquerda, eles estão quase encadenando e queriam uma opinião sobre a via (mas logo a minha? kkk). Fui então dar uma entrada pra tentar A Profecia (8c?), que via fantástica! São cerca de 30m de via, toda fixa, com um lance mais bonito que o outro, tem dinâmico, reglete, equilíbrio, diedro, calcanhar na mão e tudo mais, tudo intercalado com bons descansos, e um final que derruba os desavisados! A cadena ficou longe, mas deu pra isolar e ficar só na vontade de entrar novamente...
O dia terminou e nada melhor que uma janta dupla com a família boa de garfo em São João!

 
 A Profecia :: Fotos: Jonatas Lima

No domingo fomos escalar a Lúcifer (VIsup), mais um clássico do lenheiro! O crux fica na saída da P1 (considerando P1 o lugar que eu parei) e é protegido por um grampo, o único da via, as agarras são abaoladas e o pé é alto, abaolados babados dão mais emoção às vias. Depois vem umas agarras inacreditáveis e um diedrão que sai em um platô, e de lá pro cume. nunca usei tantos nuts em uma via, as fendas pediam pra que eu colocasse nuts!! hahaha

 Pinturas rupestres próximas à base da Lúcifer

:D

Combinamos de sair às 13h, pra dar tempo de pegar o avião de volta em Confins, não dava pra escalar muito cedo pois o dia amanhecia meio babado por causa da neblina, sendo assim fizemos apenas a Lúcifer, deixando pra próxima visita a cadena da Profecia e a Sublime Inconsequência, fendinha que fiquei namorando mas não deu tempo de entrar, espero que ela esteja lá na volta! =)

Mais betas podem ser encontrados nesse relato do Claudney: http://www.riocaminhadas.com.br/lenheiro/

domingo, 12 de maio de 2013

Rio de Janeiro!

Cheguei ao Rio no domingo que estava rolando a ATM (Abertura da Temporada de Montanhismo), infelizmente tarde demais para participar do campeonato, mas ainda em tempo de dar uma escaladinha no Pão de Açúcar! Após rever os amigos fui com o Arthur na Alfredão (6° VIIc E2 120m), via técnica que começa fácil e vai ficando gradativamente mais difícil e vertical, até o seu lance final, onde é o crux! Ainda descemos a tempo de assistir a final do masculino!

Vista do platô da Italianos

Depois foi uma semana de sobe e desce nas cordas, ou seja, o real intuito da viagem: conseguir a certificação de acesso por cordas IRATA 1...Como ninguém é de ferro, consegui dar um pulo no muro que tem em Niterói (Escalada Indoor Icaraí) pra dar uma treinadinha...

Sábado fui com o Felipe fazer uma das vias que estávamos planejando faz tempo, a Waldo ( 6° VIIa A1 E2 D3 330m), na face norte do Pão de Açúcar. A via é linda, especialmente suas três primeiras enfiadas, que seguem por belas fendas/diedros/chaminé que podem ser protegidas em móvel (apesar de haver grampos). Depois vem uma sequência de agarras (lacas)...uma travessia de 7a, uma sequencia de lacas suspeitas (ao longo do pescoço), um VIIc/A0 e mais uns metros tranquilos até o cume! Aí é só desfrutar da água gelada dos bebedouros do cume e descer de bondinho =)


 Felipe na Waldo

Domingo foi dia de qualificação do IRATA, missão cumprida, "folha amarela" (certificação) na mão, e a preciosa liberdade pra uma semaninha de climb!!
Segunda-feira estava tudo meio molhado após um mega temporal que rolou durante a noite, a cidade ficou meio caótica, com árvores caídas, sinais apagados, etc...esse acabou sendo um dia de descanso.

Na terça os trabalhos continuaram! O Márcio Formiga me levou pra conhecer as vias do pico Perdido do Andaraí, no Grajaú. O guia de escalada de lá é bem simples e, não sei se nós que não soubemos procurar, mas nem a extensão das vias tinha nos croquis =p. O resultado é que escalamos a CEB-60 (5° VI E2 465m) e a DGM (5° VI E2 405m) e só depois eu percebi que tinhamos subido mais de 800m em pouco mais de 7h, debaixo de um sol esperto!

 Formiga na CEB-60

Cume do Perdidos!

Quarta-feira fui com o Luciano (pernambucano que vai virar carioca) fazer a Italianos + Secundo, no Pão de Açúcar. Acho que já fiz essa via umas 4x mas essa foi a mais emocionante...kkkkkk Que friaca!! Estava ventando de um jeito que eu nunca vi, gelado, especialmente pra quem preferiu não levar o anoraque. Eu dava seg e quando tava começando a tremer, era hora de escalar denovo, assim fomos até o cume, em um dia muito divertido! Ah, depois disso ainda estiquei com o Felipe até a gruta do primatas, ele deu dois pegas na Orangorock e eu dei uma entrada na Religare, só pra fazer uma força, quem sabe um dia rola a cadena!

Luciano na travessia pra Secundo

No dia seguinte a escalada foi no Corcovado, fomos eu e Suzana na Fissura do Adeus (5° VIsup E2 D1 70m) + K2 (pra chegar no cume), via que eu estava fissurado pra fazer e seria o próximo passo nessa parede. Como eu já esperava, a via era linda e exigente, apesar do grau ser tranquilo, a escalada é um pouco diferente do que estamos acostumados por aqui, mas nada de outro mundo...A primeira enfiada passa por duas fissuras de dedo, protegidas com peças pequenas, onde na primeira parte ainda dá pra usar um pouco de oposição, um pé aqui outro ali, mas na segunda parte não tem pra onde fugir, tem que entalar os dedinhos e subir, lindo! Depois a via segue por um diedro com alguns grampos velhos e um crux bem definido num lance de oposição estrano, parada num grampo velho + camalot #1. A terceira enfiada é um diedro relativamente tranquilo que termina antes do "lance do palavrão", da via K2, por onde continuamos por mais uns 60m até o cume.

 Suzana na Fissura do Adeus

 Eu já na K2 após a Fissura do Adeus

Sexta-feira, quarto dia de climb, fui rapidamente pela manhã com o Arthur na Chacrinha, entramos na Andrômeda, considerado o primeiro 8c do Brasil, eu tinha entrado uma vez nela e tomado um espanco. A via segue por agarras e regletes até o crux atlético e depois vem uma passada técnica, com um lance de "levitação" já no positivo, entrei sacando e caí na virada pro positivo, fiz o lance e desci. Na segunda etrada, mesmo errando umas passadas no início deu pra fazer o final certo e não respirar muito no lance do crux positivo e...cadena! Depois ainda rolou uma entrada da Meteorito (?) que ficou pra próxima!

Enquanto estávamos na Chacrinha o Igor pilhou de entrarmos na Gallotti! Quando? No mesmo dia!
Chaminé Gallotti (5° V A1/VIsup E3 D3 280m) é uma via que segue pelo vão entre o Tótem e o Pão de Açúcar, na sua face sul, foi a quarta via de acesso ao cume desta montanha e uma conquista arrojada e com histórias interessantíssimas! Chaminé suja, exposta, tensa, etc, etc... É só o que se escuta falar por aí sobre ela! Confesso que fiquei meio receoso em entrar nela de tarde (marcamos às 13h na urca), sem conhecer nada da via, mas eu já sabia que iria rolar...
Pedi uns betas pro Arthur e ele disse: "Ah, dá pra ir bem..." Era só o que faltava, peguei a head lamp e tocamos pra Urca. Lá encontrei o Igor e rumamos pra base da via, eu já conhecia a trilha e fomos tocando, subimos o trepa mato inicial, passamos por dois grampos e quando percebemos estávamos no platô onde é a P1 ainda com a mochila nas costas e os tênis nos pés. Nos equipamos e toquei uma enfiada tranquila até outro platô. Aí começa o trecho mais complexo da via, primeiro uma enfiada de 50m já com alguns lances sujos, outros expostos, nada além do imaginado. 
Depois são duas enfiadas que fizemos em uma só: uma escalada florestal pela face, com muito musgo, raízes e "mato vertical" e o tal do lance do estribo, onde se faz uma ginástica pra alcançar o grmpo, depois cabem umas pecinhas cima e se faz um domínio meio bizonho pra ficar em pé no platô. Estávamos então na P5, faltavam mais duas de 50m: a oposição da meia-lua e a chaminé da gia. 
A primeira pra mim foi a mais chata, passei meio torto na oposição da meia-lua e continuei por uns diedros até a P6, que é feita num bico de pedra (que não sei se foi o certo que eu usei), equalizei com um camalot .75 e ficou bonito, apesar do lugar ser bem desconfortável. Depois disso já estávamos nas luzes das lanternas e toquei a chaminé da gia, onde me encaixei relativamente bem e passei mais de boa até a parada, daí pra cima foi mais um trepa-mato até encontrar a trilha pro cume, onde chegamos após mais de 5h de espeleologia escalada!

 Eu na terceira enfiada da Gallotti

Eu estava bem dolorido mas ainda tinha o sábado livre, acordei às 11h e a Suzana sugeriu um ótima opção pra um dia de "descanso ativo": escalar aderência! A via escolhida foi a Dona Aderência (4° VI A0/VIIc E2 265m), que fica na face sul do Dona Marta. Escalamos rapidinho esticando a corda de 70m quase toda por lances bem legais de chapação de pés, encerrando assim mais uma passagem pela cidade das pedras!

 Nós na aderência =)

 Visu!
Escalador na via ao lado (Subiram Doistiozin)

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