domingo, 12 de maio de 2013

Rio de Janeiro!

Cheguei ao Rio no domingo que estava rolando a ATM (Abertura da Temporada de Montanhismo), infelizmente tarde demais para participar do campeonato, mas ainda em tempo de dar uma escaladinha no Pão de Açúcar! Após rever os amigos fui com o Arthur na Alfredão (6° VIIc E2 120m), via técnica que começa fácil e vai ficando gradativamente mais difícil e vertical, até o seu lance final, onde é o crux! Ainda descemos a tempo de assistir a final do masculino!

Vista do platô da Italianos

Depois foi uma semana de sobe e desce nas cordas, ou seja, o real intuito da viagem: conseguir a certificação de acesso por cordas IRATA 1...Como ninguém é de ferro, consegui dar um pulo no muro que tem em Niterói (Escalada Indoor Icaraí) pra dar uma treinadinha...

Sábado fui com o Felipe fazer uma das vias que estávamos planejando faz tempo, a Waldo ( 6° VIIa A1 E2 D3 330m), na face norte do Pão de Açúcar. A via é linda, especialmente suas três primeiras enfiadas, que seguem por belas fendas/diedros/chaminé que podem ser protegidas em móvel (apesar de haver grampos). Depois vem uma sequência de agarras (lacas)...uma travessia de 7a, uma sequencia de lacas suspeitas (ao longo do pescoço), um VIIc/A0 e mais uns metros tranquilos até o cume! Aí é só desfrutar da água gelada dos bebedouros do cume e descer de bondinho =)


 Felipe na Waldo

Domingo foi dia de qualificação do IRATA, missão cumprida, "folha amarela" (certificação) na mão, e a preciosa liberdade pra uma semaninha de climb!!
Segunda-feira estava tudo meio molhado após um mega temporal que rolou durante a noite, a cidade ficou meio caótica, com árvores caídas, sinais apagados, etc...esse acabou sendo um dia de descanso.

Na terça os trabalhos continuaram! O Márcio Formiga me levou pra conhecer as vias do pico Perdido do Andaraí, no Grajaú. O guia de escalada de lá é bem simples e, não sei se nós que não soubemos procurar, mas nem a extensão das vias tinha nos croquis =p. O resultado é que escalamos a CEB-60 (5° VI E2 465m) e a DGM (5° VI E2 405m) e só depois eu percebi que tinhamos subido mais de 800m em pouco mais de 7h, debaixo de um sol esperto!

 Formiga na CEB-60

Cume do Perdidos!

Quarta-feira fui com o Luciano (pernambucano que vai virar carioca) fazer a Italianos + Secundo, no Pão de Açúcar. Acho que já fiz essa via umas 4x mas essa foi a mais emocionante...kkkkkk Que friaca!! Estava ventando de um jeito que eu nunca vi, gelado, especialmente pra quem preferiu não levar o anoraque. Eu dava seg e quando tava começando a tremer, era hora de escalar denovo, assim fomos até o cume, em um dia muito divertido! Ah, depois disso ainda estiquei com o Felipe até a gruta do primatas, ele deu dois pegas na Orangorock e eu dei uma entrada na Religare, só pra fazer uma força, quem sabe um dia rola a cadena!

Luciano na travessia pra Secundo

No dia seguinte a escalada foi no Corcovado, fomos eu e Suzana na Fissura do Adeus (5° VIsup E2 D1 70m) + K2 (pra chegar no cume), via que eu estava fissurado pra fazer e seria o próximo passo nessa parede. Como eu já esperava, a via era linda e exigente, apesar do grau ser tranquilo, a escalada é um pouco diferente do que estamos acostumados por aqui, mas nada de outro mundo...A primeira enfiada passa por duas fissuras de dedo, protegidas com peças pequenas, onde na primeira parte ainda dá pra usar um pouco de oposição, um pé aqui outro ali, mas na segunda parte não tem pra onde fugir, tem que entalar os dedinhos e subir, lindo! Depois a via segue por um diedro com alguns grampos velhos e um crux bem definido num lance de oposição estrano, parada num grampo velho + camalot #1. A terceira enfiada é um diedro relativamente tranquilo que termina antes do "lance do palavrão", da via K2, por onde continuamos por mais uns 60m até o cume.

 Suzana na Fissura do Adeus

 Eu já na K2 após a Fissura do Adeus

Sexta-feira, quarto dia de climb, fui rapidamente pela manhã com o Arthur na Chacrinha, entramos na Andrômeda, considerado o primeiro 8c do Brasil, eu tinha entrado uma vez nela e tomado um espanco. A via segue por agarras e regletes até o crux atlético e depois vem uma passada técnica, com um lance de "levitação" já no positivo, entrei sacando e caí na virada pro positivo, fiz o lance e desci. Na segunda etrada, mesmo errando umas passadas no início deu pra fazer o final certo e não respirar muito no lance do crux positivo e...cadena! Depois ainda rolou uma entrada da Meteorito (?) que ficou pra próxima!

Enquanto estávamos na Chacrinha o Igor pilhou de entrarmos na Gallotti! Quando? No mesmo dia!
Chaminé Gallotti (5° V A1/VIsup E3 D3 280m) é uma via que segue pelo vão entre o Tótem e o Pão de Açúcar, na sua face sul, foi a quarta via de acesso ao cume desta montanha e uma conquista arrojada e com histórias interessantíssimas! Chaminé suja, exposta, tensa, etc, etc... É só o que se escuta falar por aí sobre ela! Confesso que fiquei meio receoso em entrar nela de tarde (marcamos às 13h na urca), sem conhecer nada da via, mas eu já sabia que iria rolar...
Pedi uns betas pro Arthur e ele disse: "Ah, dá pra ir bem..." Era só o que faltava, peguei a head lamp e tocamos pra Urca. Lá encontrei o Igor e rumamos pra base da via, eu já conhecia a trilha e fomos tocando, subimos o trepa mato inicial, passamos por dois grampos e quando percebemos estávamos no platô onde é a P1 ainda com a mochila nas costas e os tênis nos pés. Nos equipamos e toquei uma enfiada tranquila até outro platô. Aí começa o trecho mais complexo da via, primeiro uma enfiada de 50m já com alguns lances sujos, outros expostos, nada além do imaginado. 
Depois são duas enfiadas que fizemos em uma só: uma escalada florestal pela face, com muito musgo, raízes e "mato vertical" e o tal do lance do estribo, onde se faz uma ginástica pra alcançar o grmpo, depois cabem umas pecinhas cima e se faz um domínio meio bizonho pra ficar em pé no platô. Estávamos então na P5, faltavam mais duas de 50m: a oposição da meia-lua e a chaminé da gia. 
A primeira pra mim foi a mais chata, passei meio torto na oposição da meia-lua e continuei por uns diedros até a P6, que é feita num bico de pedra (que não sei se foi o certo que eu usei), equalizei com um camalot .75 e ficou bonito, apesar do lugar ser bem desconfortável. Depois disso já estávamos nas luzes das lanternas e toquei a chaminé da gia, onde me encaixei relativamente bem e passei mais de boa até a parada, daí pra cima foi mais um trepa-mato até encontrar a trilha pro cume, onde chegamos após mais de 5h de espeleologia escalada!

 Eu na terceira enfiada da Gallotti

Eu estava bem dolorido mas ainda tinha o sábado livre, acordei às 11h e a Suzana sugeriu um ótima opção pra um dia de "descanso ativo": escalar aderência! A via escolhida foi a Dona Aderência (4° VI A0/VIIc E2 265m), que fica na face sul do Dona Marta. Escalamos rapidinho esticando a corda de 70m quase toda por lances bem legais de chapação de pés, encerrando assim mais uma passagem pela cidade das pedras!

 Nós na aderência =)

 Visu!
Escalador na via ao lado (Subiram Doistiozin)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Quixadá/CE

Na semana santa o destino escolhido foi a cidade cearence de Quixadá! Um lugar que deixa qualquer escalador de queixo caído, são dezenas de monolitos de até 500m reunidos ao redor (e dentro) da cidade, tudo relativamente próximo, com caminhadas de até 30min. Como não poderia ser diferente, o sol é de lascar (mas sempre tem uma via na sombra pra escalar de cabeça fria) e a vegetação "espeta, arde, coça, pinica ou queima".

Pedra da Santa

Minha ida anterior à Quixadá foi no EENE que teve por lá, em 2006 se não me engano, lembro de ter escalado na Magé e na cabeça da "Galinha Choca". O estilo predominante por lá são os famosos "cristaisinhos"...

Pedra Riscada

Dessa vez iniciei a peregrinação em Recife, de onde saí de ônibus pra Natal, chegando lá me juntei com o trio Janaína, Ariane e Br Eveline e seguimos de carro por mais quase 6h de estrada até Quixadá! Chegamos de noite e nos encontramos com Jalon e Dandara (RN) e com os "cearences" Minhoka, Neudson, Ikan e Bruno, além do anfitrião Jorginho. Barriga cheia e tocamos pra fazenda Magé, onde rola um camping com escalada no quintal...

Buraco em algum lugar...

Alguma pedra por lá...

No primeiro dia de escalada fui conhecer o Vale Perdido, setor bastante recomendado por quem já tinha ido lá, sombra e várias vias legais! Deu tempo de entrar na "Segunda Estação" (VIIa), "Lagarta de Fogo" (VIIb), Dorme Neném (VIIb), Vitória do Balde (IV), depois subimos uma via incrível chamada "Abre-te Sésamo" (VI) pra acessar a Irmãos Metralha, projeto do Minhoka no negativão da caverna. Ele foi na frente e enquanto eu e Eveline escalávamos a via de acesso ouvimos acomemoração, saiu o FA da via sacando as costuras!! Pra terminar o dia, uma escaladinha na Jack!

 
Eu na Segunda Estação

Jalon na Vitória do Balde

Dorme Neném


Segunda cadena da Irmãos Metralha (VIIIa)

Segundo dia fomos com Jalon e Dandara na Cabeça de Leão, escalar a via Celebridade. Varamos um mato básico e chegamos na base, as três primeiras proteções seguem uma linha meio estranha, mas pra ficar legal dá pra escalar mais pela direita pulando a segunda chapa ou seguir as chapas e usar um camalot #.3 (no olhômetro), depois vem uma sequência muito bonita de agarras e regletes sólidos em uma parede vertical, muito bonito, pra terminar, alguns cristaisinhos temperam a última enfiada da via.

 Celebridade - Eveline acima, Jalon abaixo e Dandara mais abaixo

De tarde o setor escolhido pelos mais dispostos à caminhar (Jalon, Eveline e eu) foi a Pedra da Galinha Choca, especificamente, com o perdão da expressão, o seu rabo! Ainda meio sem saber o que escalar e impressionados com o visual, chegamos e demos de cara com a Fenda da Anita, não deu outra, fizemos a fenda e depois tocamos pela "Rabo de Galo", e se não me engano, ainda fizemos um pedaço da "Galiha Indireta" até o cume!

 Fenda da Anita

Na travessia da "Rabo de Galo"

No terceiro dia acordamos às 3:30 pra poder chegar cedo e não pegar muito sol na Serra Branca, onde fica a Cachalote, maior via de Quixadá, e se não me engano do nordeste todo, com seus 530m de granito branco/amarelo da melhor qualidade! Jorginho me deixou ir na ponta da corda, Eveline veio no meio e ele no final, paramos somente duas vezes durante a escalada pra recuperar as costuras, chegando ao cume em 2:15 de escalada. Ainda com o céu nublado e com um ventinho frio (dá pra imaginar isso em Quixadá?) começamos a descer, já no primeiro dos 11 rapéis cheios o sol apereceu...foram mais umas 2h pra chegar ao chão e correr pra sombra! 

 Serra Branca - A Cachalote segue pela aresta da esquerda, na divisa da sombra com o sol. Não há mais nenhuma via aí!

 Cauí, Jorginho e Eveline - Cume ca Cachalote!! =)

Com os objetivos cumpridos e a barriga cheia seguimos de volta pra casa com algumas vias anotadas na mente pra próxima visita! Valeu todos que estavam lá! Foi incrível!!

Todas as infos sobre a escalada em Quixadá e no Ceará como um todo, acesse http://www.escaladanoceara.com.br 

domingo, 17 de março de 2013

Vídeo: Surucucu - Serra Caiada

No último final de semana fomos pra Serra Caiada/RN, onde pude experimentar um pouco mais meu dedo "novo" escalando algumas vias esportivas. Três delas me chamaram muita atenção, elas ficam próximas à Anaconda (VIIb 60m), todas abertas recentemente. São dois sextos (sup's) lindíssimos do lado esquerdo (Ecos do Além e Ararabóia) e um 8a com um crux técnico do outro lado (Surucucu), tudo em um gnaisse branco de primeira qualidade! Filmamos a Surucucu, aí vai o vídeo:

Surucucu - Serra Caiada/RN from Cauí Cunha on Vimeo.

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