sexta-feira, 7 de junho de 2013

Serra do Lenheiro/MG

No último feriado rolou uma "viagem familiar" pra Minas Gerais, especificamente pra cidade de Tiradentes, que por acaso fica do lado e São João Del Rei, que por acaso possui um pico de escalada conhecido como Lenheiro, famoso por  possuir belas vias em móvel em um quartzito de ótima qualidade! É claro que teríamos que conhecer! 

 Manhãs nubladas

Procurando informações sobre o local antes de ir, vi que o mesmo havia sido recém liberado para a prática de escalada por civis. A área, chamada de CEMONTA (Campo Escola de Montanha) pertence ao 11° Batalhão de Infantaria de Montanha e, para visitação/camping deve ser solicitada a autorização perante ao comprometimento com as regras de conduta estabelecidas pelo Exército. Fiz a solicitação como indicado, passei na sede do batalhão pra assinar o termo de reconhecimento de risco e fomos escalar sem problemas! Para ver as regras e saber como conseguir a autorização, visite o site da FEMEMG.

Eveline e eu desembarcamos no lenheiro na sexta-feira depois do almoço, de lá já vimos o Felipe (RJ) e família pendurados na pedra, montamos acampamento correndo e subimos rumo aos Três Pontões. Encontramos o Jonatas, escalador local, que fez questão de dar todos os betas e informações necessárias pra um feriado feliz! A mineira pernambucana Cláudia também tava na área, além de mais um pessoal gente finíssima! Bom, vamos às escaladas....

Sai de Recife com uma listinha de vias recomendadas pelo Julio Mello, só faltou uma da lista, mas fiz algumas de bônus tb...
A primeira foi a Dança Macabra (VI), uma sequência de fissuras bem bonita com um crux bem definido de oposição o qual acabei fazendo pelos regletes de fora da fenda, usando a mesma somente para proteger. Descemos e entramos na Exalianos (VIsup) fixo, bem bonito, depois fizemos no fim de tarde a Spartacus (IV). Pra fechar o dia fomos com o Felipe, Matheus e Simone bater um rango responsa em São João, já que ninguém levou kit cozinha pro camping...

Dança Macabra

 Eveline na Spartacus

Sábado tivemos o dia inteiro pra escalar, começamos pela Ópera Selvagem (VI), pela variante que passa por um bloco entalado gigatesco, depois tocando pelos diedros negativos até o cume do pontão do meio.

 
 Início da Ópera Sevlagem (Pela variante) :: Foto: Jonatas Lima

  Segunda enfiada da Ópera Selvagem :: Foto: Jonatas Lima

 
Felipe e Matheus na Rosa de Hiroshima :: Foto: Jonatas Lima

 Eveline na Ópera Selvagem :: Foto: Jonatas Lima

 Depois fomos ver o Jonatas passear na Guerra e Paz (7c), peguei uns betas e entramos logo em seguida, passando pela travessia em baixo de um teto gigante, onde rolam umas fotos clássicas, até chegar na base da fenda da segunda enfiada, onde é o crux. A fenda seria perfeita para se escalar em oposição, se ela não fosse tão próxima da aresta, ou seja, não tem muito espaço pra colocar os pés e ficar realmente de oposição. O efeito da porta abrindo é mto forte, acabei passando sem nenhuma delicadeza, mas passei..hahaha linda via! Eveline suou a camisa e mostrou que não larga o osso tão facilmente, chegando no cume em seguida.

Jonatas na Guerra e Paz

 
 Guerra e Paz :: Foto: Jonatas Lima

Em seguida fiz a Lua de Mel (7b), que começa junto com a Exalianos e segue reto, muito boa também, começa com lances de agarras pequenas no vertical protegido por chapas e depois pega uma fenda bonita e atlética onde nuts vão muito bem.

 
 Lua de Mel

Jonatas e Klaus queriam por que queriam que eu entrasse num tal projeto na parte alaranjada do pontão da esquerda, eles estão quase encadenando e queriam uma opinião sobre a via (mas logo a minha? kkk). Fui então dar uma entrada pra tentar A Profecia (8c?), que via fantástica! São cerca de 30m de via, toda fixa, com um lance mais bonito que o outro, tem dinâmico, reglete, equilíbrio, diedro, calcanhar na mão e tudo mais, tudo intercalado com bons descansos, e um final que derruba os desavisados! A cadena ficou longe, mas deu pra isolar e ficar só na vontade de entrar novamente...
O dia terminou e nada melhor que uma janta dupla com a família boa de garfo em São João!

 
 A Profecia :: Fotos: Jonatas Lima

No domingo fomos escalar a Lúcifer (VIsup), mais um clássico do lenheiro! O crux fica na saída da P1 (considerando P1 o lugar que eu parei) e é protegido por um grampo, o único da via, as agarras são abaoladas e o pé é alto, abaolados babados dão mais emoção às vias. Depois vem umas agarras inacreditáveis e um diedrão que sai em um platô, e de lá pro cume. nunca usei tantos nuts em uma via, as fendas pediam pra que eu colocasse nuts!! hahaha

 Pinturas rupestres próximas à base da Lúcifer

:D

Combinamos de sair às 13h, pra dar tempo de pegar o avião de volta em Confins, não dava pra escalar muito cedo pois o dia amanhecia meio babado por causa da neblina, sendo assim fizemos apenas a Lúcifer, deixando pra próxima visita a cadena da Profecia e a Sublime Inconsequência, fendinha que fiquei namorando mas não deu tempo de entrar, espero que ela esteja lá na volta! =)

Mais betas podem ser encontrados nesse relato do Claudney: http://www.riocaminhadas.com.br/lenheiro/

domingo, 12 de maio de 2013

Rio de Janeiro!

Cheguei ao Rio no domingo que estava rolando a ATM (Abertura da Temporada de Montanhismo), infelizmente tarde demais para participar do campeonato, mas ainda em tempo de dar uma escaladinha no Pão de Açúcar! Após rever os amigos fui com o Arthur na Alfredão (6° VIIc E2 120m), via técnica que começa fácil e vai ficando gradativamente mais difícil e vertical, até o seu lance final, onde é o crux! Ainda descemos a tempo de assistir a final do masculino!

Vista do platô da Italianos

Depois foi uma semana de sobe e desce nas cordas, ou seja, o real intuito da viagem: conseguir a certificação de acesso por cordas IRATA 1...Como ninguém é de ferro, consegui dar um pulo no muro que tem em Niterói (Escalada Indoor Icaraí) pra dar uma treinadinha...

Sábado fui com o Felipe fazer uma das vias que estávamos planejando faz tempo, a Waldo ( 6° VIIa A1 E2 D3 330m), na face norte do Pão de Açúcar. A via é linda, especialmente suas três primeiras enfiadas, que seguem por belas fendas/diedros/chaminé que podem ser protegidas em móvel (apesar de haver grampos). Depois vem uma sequência de agarras (lacas)...uma travessia de 7a, uma sequencia de lacas suspeitas (ao longo do pescoço), um VIIc/A0 e mais uns metros tranquilos até o cume! Aí é só desfrutar da água gelada dos bebedouros do cume e descer de bondinho =)


 Felipe na Waldo

Domingo foi dia de qualificação do IRATA, missão cumprida, "folha amarela" (certificação) na mão, e a preciosa liberdade pra uma semaninha de climb!!
Segunda-feira estava tudo meio molhado após um mega temporal que rolou durante a noite, a cidade ficou meio caótica, com árvores caídas, sinais apagados, etc...esse acabou sendo um dia de descanso.

Na terça os trabalhos continuaram! O Márcio Formiga me levou pra conhecer as vias do pico Perdido do Andaraí, no Grajaú. O guia de escalada de lá é bem simples e, não sei se nós que não soubemos procurar, mas nem a extensão das vias tinha nos croquis =p. O resultado é que escalamos a CEB-60 (5° VI E2 465m) e a DGM (5° VI E2 405m) e só depois eu percebi que tinhamos subido mais de 800m em pouco mais de 7h, debaixo de um sol esperto!

 Formiga na CEB-60

Cume do Perdidos!

Quarta-feira fui com o Luciano (pernambucano que vai virar carioca) fazer a Italianos + Secundo, no Pão de Açúcar. Acho que já fiz essa via umas 4x mas essa foi a mais emocionante...kkkkkk Que friaca!! Estava ventando de um jeito que eu nunca vi, gelado, especialmente pra quem preferiu não levar o anoraque. Eu dava seg e quando tava começando a tremer, era hora de escalar denovo, assim fomos até o cume, em um dia muito divertido! Ah, depois disso ainda estiquei com o Felipe até a gruta do primatas, ele deu dois pegas na Orangorock e eu dei uma entrada na Religare, só pra fazer uma força, quem sabe um dia rola a cadena!

Luciano na travessia pra Secundo

No dia seguinte a escalada foi no Corcovado, fomos eu e Suzana na Fissura do Adeus (5° VIsup E2 D1 70m) + K2 (pra chegar no cume), via que eu estava fissurado pra fazer e seria o próximo passo nessa parede. Como eu já esperava, a via era linda e exigente, apesar do grau ser tranquilo, a escalada é um pouco diferente do que estamos acostumados por aqui, mas nada de outro mundo...A primeira enfiada passa por duas fissuras de dedo, protegidas com peças pequenas, onde na primeira parte ainda dá pra usar um pouco de oposição, um pé aqui outro ali, mas na segunda parte não tem pra onde fugir, tem que entalar os dedinhos e subir, lindo! Depois a via segue por um diedro com alguns grampos velhos e um crux bem definido num lance de oposição estrano, parada num grampo velho + camalot #1. A terceira enfiada é um diedro relativamente tranquilo que termina antes do "lance do palavrão", da via K2, por onde continuamos por mais uns 60m até o cume.

 Suzana na Fissura do Adeus

 Eu já na K2 após a Fissura do Adeus

Sexta-feira, quarto dia de climb, fui rapidamente pela manhã com o Arthur na Chacrinha, entramos na Andrômeda, considerado o primeiro 8c do Brasil, eu tinha entrado uma vez nela e tomado um espanco. A via segue por agarras e regletes até o crux atlético e depois vem uma passada técnica, com um lance de "levitação" já no positivo, entrei sacando e caí na virada pro positivo, fiz o lance e desci. Na segunda etrada, mesmo errando umas passadas no início deu pra fazer o final certo e não respirar muito no lance do crux positivo e...cadena! Depois ainda rolou uma entrada da Meteorito (?) que ficou pra próxima!

Enquanto estávamos na Chacrinha o Igor pilhou de entrarmos na Gallotti! Quando? No mesmo dia!
Chaminé Gallotti (5° V A1/VIsup E3 D3 280m) é uma via que segue pelo vão entre o Tótem e o Pão de Açúcar, na sua face sul, foi a quarta via de acesso ao cume desta montanha e uma conquista arrojada e com histórias interessantíssimas! Chaminé suja, exposta, tensa, etc, etc... É só o que se escuta falar por aí sobre ela! Confesso que fiquei meio receoso em entrar nela de tarde (marcamos às 13h na urca), sem conhecer nada da via, mas eu já sabia que iria rolar...
Pedi uns betas pro Arthur e ele disse: "Ah, dá pra ir bem..." Era só o que faltava, peguei a head lamp e tocamos pra Urca. Lá encontrei o Igor e rumamos pra base da via, eu já conhecia a trilha e fomos tocando, subimos o trepa mato inicial, passamos por dois grampos e quando percebemos estávamos no platô onde é a P1 ainda com a mochila nas costas e os tênis nos pés. Nos equipamos e toquei uma enfiada tranquila até outro platô. Aí começa o trecho mais complexo da via, primeiro uma enfiada de 50m já com alguns lances sujos, outros expostos, nada além do imaginado. 
Depois são duas enfiadas que fizemos em uma só: uma escalada florestal pela face, com muito musgo, raízes e "mato vertical" e o tal do lance do estribo, onde se faz uma ginástica pra alcançar o grmpo, depois cabem umas pecinhas cima e se faz um domínio meio bizonho pra ficar em pé no platô. Estávamos então na P5, faltavam mais duas de 50m: a oposição da meia-lua e a chaminé da gia. 
A primeira pra mim foi a mais chata, passei meio torto na oposição da meia-lua e continuei por uns diedros até a P6, que é feita num bico de pedra (que não sei se foi o certo que eu usei), equalizei com um camalot .75 e ficou bonito, apesar do lugar ser bem desconfortável. Depois disso já estávamos nas luzes das lanternas e toquei a chaminé da gia, onde me encaixei relativamente bem e passei mais de boa até a parada, daí pra cima foi mais um trepa-mato até encontrar a trilha pro cume, onde chegamos após mais de 5h de espeleologia escalada!

 Eu na terceira enfiada da Gallotti

Eu estava bem dolorido mas ainda tinha o sábado livre, acordei às 11h e a Suzana sugeriu um ótima opção pra um dia de "descanso ativo": escalar aderência! A via escolhida foi a Dona Aderência (4° VI A0/VIIc E2 265m), que fica na face sul do Dona Marta. Escalamos rapidinho esticando a corda de 70m quase toda por lances bem legais de chapação de pés, encerrando assim mais uma passagem pela cidade das pedras!

 Nós na aderência =)

 Visu!
Escalador na via ao lado (Subiram Doistiozin)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Quixadá/CE

Na semana santa o destino escolhido foi a cidade cearence de Quixadá! Um lugar que deixa qualquer escalador de queixo caído, são dezenas de monolitos de até 500m reunidos ao redor (e dentro) da cidade, tudo relativamente próximo, com caminhadas de até 30min. Como não poderia ser diferente, o sol é de lascar (mas sempre tem uma via na sombra pra escalar de cabeça fria) e a vegetação "espeta, arde, coça, pinica ou queima".

Pedra da Santa

Minha ida anterior à Quixadá foi no EENE que teve por lá, em 2006 se não me engano, lembro de ter escalado na Magé e na cabeça da "Galinha Choca". O estilo predominante por lá são os famosos "cristaisinhos"...

Pedra Riscada

Dessa vez iniciei a peregrinação em Recife, de onde saí de ônibus pra Natal, chegando lá me juntei com o trio Janaína, Ariane e Br Eveline e seguimos de carro por mais quase 6h de estrada até Quixadá! Chegamos de noite e nos encontramos com Jalon e Dandara (RN) e com os "cearences" Minhoka, Neudson, Ikan e Bruno, além do anfitrião Jorginho. Barriga cheia e tocamos pra fazenda Magé, onde rola um camping com escalada no quintal...

Buraco em algum lugar...

Alguma pedra por lá...

No primeiro dia de escalada fui conhecer o Vale Perdido, setor bastante recomendado por quem já tinha ido lá, sombra e várias vias legais! Deu tempo de entrar na "Segunda Estação" (VIIa), "Lagarta de Fogo" (VIIb), Dorme Neném (VIIb), Vitória do Balde (IV), depois subimos uma via incrível chamada "Abre-te Sésamo" (VI) pra acessar a Irmãos Metralha, projeto do Minhoka no negativão da caverna. Ele foi na frente e enquanto eu e Eveline escalávamos a via de acesso ouvimos acomemoração, saiu o FA da via sacando as costuras!! Pra terminar o dia, uma escaladinha na Jack!

 
Eu na Segunda Estação

Jalon na Vitória do Balde

Dorme Neném


Segunda cadena da Irmãos Metralha (VIIIa)

Segundo dia fomos com Jalon e Dandara na Cabeça de Leão, escalar a via Celebridade. Varamos um mato básico e chegamos na base, as três primeiras proteções seguem uma linha meio estranha, mas pra ficar legal dá pra escalar mais pela direita pulando a segunda chapa ou seguir as chapas e usar um camalot #.3 (no olhômetro), depois vem uma sequência muito bonita de agarras e regletes sólidos em uma parede vertical, muito bonito, pra terminar, alguns cristaisinhos temperam a última enfiada da via.

 Celebridade - Eveline acima, Jalon abaixo e Dandara mais abaixo

De tarde o setor escolhido pelos mais dispostos à caminhar (Jalon, Eveline e eu) foi a Pedra da Galinha Choca, especificamente, com o perdão da expressão, o seu rabo! Ainda meio sem saber o que escalar e impressionados com o visual, chegamos e demos de cara com a Fenda da Anita, não deu outra, fizemos a fenda e depois tocamos pela "Rabo de Galo", e se não me engano, ainda fizemos um pedaço da "Galiha Indireta" até o cume!

 Fenda da Anita

Na travessia da "Rabo de Galo"

No terceiro dia acordamos às 3:30 pra poder chegar cedo e não pegar muito sol na Serra Branca, onde fica a Cachalote, maior via de Quixadá, e se não me engano do nordeste todo, com seus 530m de granito branco/amarelo da melhor qualidade! Jorginho me deixou ir na ponta da corda, Eveline veio no meio e ele no final, paramos somente duas vezes durante a escalada pra recuperar as costuras, chegando ao cume em 2:15 de escalada. Ainda com o céu nublado e com um ventinho frio (dá pra imaginar isso em Quixadá?) começamos a descer, já no primeiro dos 11 rapéis cheios o sol apereceu...foram mais umas 2h pra chegar ao chão e correr pra sombra! 

 Serra Branca - A Cachalote segue pela aresta da esquerda, na divisa da sombra com o sol. Não há mais nenhuma via aí!

 Cauí, Jorginho e Eveline - Cume ca Cachalote!! =)

Com os objetivos cumpridos e a barriga cheia seguimos de volta pra casa com algumas vias anotadas na mente pra próxima visita! Valeu todos que estavam lá! Foi incrível!!

Todas as infos sobre a escalada em Quixadá e no Ceará como um todo, acesse http://www.escaladanoceara.com.br 

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