sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Novas Vias em Itatim - BA

Já faz quase 02 anos que estou na Bahia e sigo dando prioridade a escalar em vez de conquistar, são muitas vias novas pra mim, de todos os estilos, então após mais de 10 anos abrindo vias quase sempre em Pernambuco, to meio devagar nesse quesito por aqui, apesar de não faltar opções icríveis de linhas pra abrir.
Mas nem só de escalar vias prontas vive o homem, e vez ou outra acabamos abrindo uma ou outra via. Já postei aqui o relato da conquista da Tudo Passa, no Morro do Enxadão, mas faltou registrar aqui no blog algumas vias que foram abertas nesse meio tempo.

SETOR RUPESTRE

Na base do Morro do Crocodilo existe um bloco de aproximadamente 15m onde o Marcelo (Itatim) e o Emerson (SE) abriram algumas vias fixas, fui com o Marcel em abril de 2017 conhecer as vias e deixamos mais duas opções pro setor: 
- Do Inferno a Paraíso (Vsup) - Quase toda em móvel, exceto por uma chapa no início e parada dupla no topo. É a via mais à esquerda do setor.
- Coisas Laterais (7a) - Fixa, é a via da direita.

Coisas Laterais - Foto: Marcel Gama

JARARACA

Abri com o Marcel e o Vitor Wolmer a continuação reto da "Mulambo Atrevido", que foi nomeada de "Desvio de Função" (8a), pois no dia fomos pro setor trocar algumas chapas podres e acabamos fazendo outra coisa.
Em duas ou três investidas em agosto e setembro de 2017 regrampeamos algumas vias no setor, pois a situação das proteções estava bem feia. Ainda restam muitas vias pra serem regrampeadas, mas as que estão perfeitas pra escalar são as seguintes:
- Desvio de Função (8a)
- Mulambo Atrevido (VIsup)
- Mimi Jando (7a)
- Los Vagabundos (7b)

Chapa substituída

Regrampeando a Los Vagabundos 

Conquistando a Desvio de Função

MORRO DA FONTE

Plutão (5º VIIc E2 D1) 135m

Conquistamos uma interessante via de cume no Morro da Fonte, acredito que seja a mais dura das que vão ao cume. Juan, Marcel e Bruno foram os pareiros das três investidas necessárias pra concluir a via, principalmente devido à furadeira já não mais aguentar fazer muitos furos.
A primeira enfiada é um VIIb fixo, com crux no início (melhor pré-clipar a primeira proteção), passando por um tetinho e seguindo em agarras pequenas até a P1. Depos uma enfiada de V com uma chapa e algumas peças, mais duas enfiadas mistas no positivo até chegar na base da última enfiada: um 7c vertical com lances de oposição e regletes, infelizmente a fenda que proporciona algumas agarras, não aceitava bem as peças, e a enfiada ficou fixa, mas não diminui a beleza da via. 



Cauí na P1 e Marcel na segunda enfiada 

Última enfiada

MORRO DO TALHADO

Mistério da Bateria (4º VIsup E3) 235m

O Talhado possuia apenas uma via de cume, a qual ainda não tive oportunidade de entrar, chamada Seu Vavá, a via tem lances de artificial exigentes e não deve ser repetida em pouas horas, sendo assim resolvemos abrir uma via mais amigável por lá.
Escolhemos uma linha à esquerda das vias do Chiquinho, onde parecia ter uma chaminé. Quando chegamos vimos que a chaminé tinha uma parada dupla no final, então optmos por começar mais pela esquerda, escalando pelas agarras. Batemos alumas chapas, colocamos algumas peças e quando chego à um platô vejo uma chapa, aproveitei e parei nela, depois vi que pertencia à mesma linha da chaminé que vimos na base, felizmente vinhamos também em móvel e não alteramos nada da via existente. Como não viamos nenhuma chapa pra cima, e a bateria já dava sinais de fraquesa, tivemos que seguir sem bater nada até a parada, que puxei pra esquerda pra fugir da linha existente, no final de super certo, e chegamos no primeiro grande platô de mato. Abrimos um caminho pelo mato até encontrar a pedra novamente, e comecei a escalar sabendo que a furadera mal ia fazer mais um furo, consegui subirr por uma canaleta onde couberam duas peças, depois por um diedro onde entraram mais duas ou três peças. No final do diedro fiquei em uma rampa onde comecei um furo com a furadeira e terminei batendo direto na broca.
Na investida seguinte nós subimos mais 30m até o segundo grande platô de mato, por onde caminhamos, dessa vez de tênis, em meio à espinhos e bromélias até chegar na rocha novamente, o últio trecho estava escorrendo água, mas a única parte seca era a linha que tinha cara de ter mais agarras! Conquistamos então a última enfiada, com chapas e duas peças, por volta de VIsup, o crux da via.
Voltamos mais uma vez pra duplicar as paradas e repetir a via ao lado pra ver se realmente não tínhamos interferido, felizmente não, até chegamos a relocar uma chapa da nossa via, pois a pesar de não interferir, estava visível da outra via.






Vermelho: Mistério da Bateria / Amarelo: Por Deus, Não Chape

14: Mistério da Bateria / 13: Por Deus, Não Chape


DEPARTAMENTO

- Bolsa de Valores (VIsup) - Fixa, 30m.

MORRO DO ENXADÃO

Concluí um antigo projeto do Filipe, faltava apenas a parada, visinho à Piratas do Caribe:

- Mão Leve (8a) - Fixa.


terça-feira, 31 de julho de 2018

[Vídeo] 8 Cumes em 1 dia - Itatim/BA

Dia 07 de julho conseguimos por em prática uma ideia que tivemos meses antes: escalar 8 cumes em Itatim, Bahia, todos no mesmo dia! O parceiro dessa empreitada foi o Marcel Gama.

Selecionamos as vias que seriamas mais rápidas em cada pedra, traçamos um roteiro (que foi forçado a mudar por conta da chuva), separamos equipamentos específicos a serem usados em cada uma das vias e escalamos previamente todas elas.

Acordamos às 3h30, tomamos um rápido café da manhã e seguimos pro primeiro objetivo: Morro do Enxadão, onde escolhemos fazer a via O Jardineiro (5º VIIb E2 300m), que não é a via mais fácil da parede, tendo cerca de 5 enfiadas na casa do sétimo grau, porém, por ser bem protegida, ter melhor acesso e ser uma linha reta, acaba sendo mais rápida. Não escalamos toda em livre, como a ideia era ser rápido, costuras eram agarras. Começamos às 4h40 e escalamos toda a via emendando duas enfiadas de 30m, exceto o início e o final, que eram mais fáceis, onde escalamos unindo três enfiadas. Ficamos surpresos ao chegar no cume e ver que eram 6h30 da manhã ainda, e tínhamos subido a via em apenas 1h48min! Levamos uma corda de 66m e 20 costuras, rapelamos pela via.

A chuva nos pegou no rapel da Jardineiro, o que nos fez mudar o roteiro, em vez de ir pro Morro do Talhado, vizinho de onde estávamos, fomos pro Morro da Fonte, distante alguns minutos de carro. Labareda de Fogo (5º VIIa 100m) foi a via escolhida, parede vertical, apostamos que estaria seca e acertamos. Escalamos também de 2 em duas enfiadas e o final em simultâneo. Foram 47 minutos de escalada até o cume. Levamos a corda de 66m, 13 costuras e 3 peças. Rapel pela via.

O tempo não tava perfeito ainda pro lado do Talhado, mas resolvemos ir ver mais de perto, realmente não tava bom, optamos por escalar o Morro do Napoleão sob uma chuva leve, pra não perder a viagem. 02 de Julho (2º IV 100m) foi a via de conquista do Morro do Napoleão, ainda na década de 90, uma escalada fácil, que fizemos de tênis 5.10 e sem corda, subimos e descemos em 30 minutos. 

E o tempo continuava instável, nos impedindo de ir pro Talhado que estava ali ao lado novamente, seguimos então pra Ponta Aguda, o cume mais fora de mão do nosso roteiro, mas que seria a opção de escalada seca pro momento. Subimos pela via recentemente aberta pelo Marcel e pelo Elder: Shaolin do Sertão (3º V E2 200m), via fácil e bem protegida, além de linda! Nos planos iríamos com uma cordinha de 25m pra dar menos arrasto, mas esquecemos e fomos com a de 66m mesmo, além de 20 costuras. Escalamos em uma tacada só do chão ao cume em 25 minutos e descemos pela trilha.

Durante a escalada da Ponta Aguda o sol apareceu, e começamos a reclamar dele em vez de reclamar da chuva. Enfim conseguimos ir pro Talhado. Mistério da Bateria (5º VIsup E3 235m), via que abrimos recentemente com o intuito de ser uma via mais fácil pro dia D, uma vez que a única via de cume do Talhado era um A2 cabuloso. Fácil ficou, mas é uma via exposta, com duas "trilhas" no meio, o que acaba deixando o processo mais lento. Corda de 66m, costuras e 1 jogo de camalots até o #5, arrastamos essa tralha toda morro acima, levamos 1h42min pra escalar e mais uma hora pra rapelar. 

A via estava seca, e o sol pegou! Descemos bem cansados, mas não largamos o osso, paramos na padaria, tomamos uma coca-cola/guaramix que deu um ânimo extra e seguimos pros três últimos cumes que faltavam.

Zé Badim é um Morro ainda pouco conhecido, mas um dos cumes mais bonitos de Itatim, fica atrás do Morro do Crocodilo, e possui um dos acessos mais longos da cidade, míseros 30 minutos que foram cruéis nesse dia. A via de mesmo nome graduada na casa do IV grau, tem 90m e fizemos em 14 minutos, pra descer são dois rapéis com uma corda de 70m dupla (levamos só uma perna e escalamos com ela dobrada).

Voltamos caminhando pelo outro lado do Crocodilo e escalamos a Normal da Agulhinha (3º VI 100m), bela via do André Ilha, não sei se acertamos o início, mas o final não tem como errar. Chegamos ao cume na última luz do dia, depois de 19 minutos de escalada. Desaceleramos, já era noite e não faria diferença correr muito, descemos tranquilos, nos perdemos um pouco na caminhada de volta ao carro e seguimos pra Toca.

Morro da Toca, a clássica Via Expressa, um terceiro com quarto grau de 200m lindo, cheio de agarrões, que fizemos, agora sim, com a corda de 25m, em uma enfiada só, do chão ao cume sem parar, 25min. Encerrando o projeto com sucesso às 20h, quando chegamos ao chão após descer a trilha da Toca.

Foram mais ou menos 16h de atividade, 1300m de escalada mais de 30 enfiadas, cerca de 25 rapéis, muitos km de carro, alguns km a pé, 10 litros de água, e uma semana com dores no corpo depois desse dia.

Foi muito divertido! Adoraria ver mais alguém entrar na brincadeira também!! Itatim é incrível!

Valeu Macel pela parceria de sempre!! Valeu SBI_Outdoor pelos pisantes que garantiram o sucesso da empreitada!!

Segue o vídeo:

Mais Vistos