domingo, 28 de agosto de 2011

Conquista na Serra do Ponto - Brejo

Uma longa semana em Brejo da Madre de Deus para abrir uma via na face oeste da Serra do Ponto, chegando ao cume do estado de Pernambuco (1.213m). Longas caminhadas, chuvas, pé doente, artificial e outros detalhes tornaram a empreitada bem interessante e cansativa. O melhor é que ainda teremos que voltar para concluir a via!

Face Oeste da Serra do Ponto

Quando começamos a pensar nessa conquista, visualisamos uma linha sem vegetação, na qual se chegava ao cume da montanha escalando, portanto, a caminhada seria mais longa, pois a base é mais elevada. A primeira parte era positiva e a segunda bem vertical e possivelmente sem agarras, o que forçaria trechos em artificial fixo, depois visualisamos um diedro quase na linha pretendida, resolvemos passar por ele, o que deixou a conquista mais bacana!

Segunda-feira, dia 15 de agosto nós deixamos de analizar e rumamos pra base da parede. Com a ajuda da galera de Brejo (Silas e Zé do Ovo) eu e Luciano Willadino subimos a trilha da garganta (caminhada q leva ao cume) com todo equipo de conquista e poucos grampos, a idéia era fazer o transporte e procurar bem a melhor linha pra começarmos. Chegamos rápido ao local que queríamos, organizamos a base e começamos a conquista. Nesse dia sairam os primeiros 30m, algumas proteções móveis no início, e um lance de VIIc ou A1 e depois a via fica mais positiva, com lances de IV e muita vegetação na rocha (Tilanzias). Finalizamos o dia assim, terminando de subir a trilha pro cume, de onde voltamos pra Brejo em uma caminhada de cerca de 2h.

Início da trilha que sobe o vale à esquerda

Arrumando os equipos

Primeiros lances

Primeiro grampo

O que temos pela frente

No meio da descida pela "Mãe Rainha"

Na terça-feira o pé do Luciano, recém recuperado de uma fratura no tálus já dava sinais de reclamação, descansamos e nos preparamos pra subir no dia seguinte com equipo de bivak e o resto dos grampos e baterias que tinhamos que levar. Inocentemente achávamos que iríamos terminar a via nesses 2 dias.

Saimos na quarta antes das 5h da manhã com uma chuva fina, que não parou antes das 12h. Começamos a escalar às 14h após a pedra secar, tocamos mais uns 50m de IV ou V grau e descemos pra base, deixando uma corda fixa. Rango feito na fogueira com a lenha úmida e capotamos.

Nublado

Chuva de manhã, barraca improvisada!

Não deixe o pão francês no fundo da mochila

Conquistando a primeira parte

A quinta-feira amanhaceu chuvosa também, mas não durou muito e começamos a jumarear às 8h. Nesse dia guiei um diedrinho em móvel meio sujo, terminando por um positivo também com musgos chegando ao grande platô de mato no meio da parede, antes dela ficar mais vertical. O Luciano deu início ao trecho em artificial fixo, alternando grampos e parafusos. Descemos ainda de dia para fazer o início da trilha de volta com luz e devagar por causa do pé doente, agora só estávamos nós dois e é fácil de se perder por lá.

Entrando no trepa-mato

Parafuso

Luciano no artificial

Descansaríamos sexta e voltaríamos no sábado para mais um bivak até domingo. Sábado acordamos 3h30, tomamos café, arrumamos as coisas e o Luciano disse que o pé tava mal ainda, precisaria de mais um dia de descanso. Voltamos a dormir e mais tarde acordei e fui com a galera escalar na Bicuda, fiz a Rei das Coxinhas com a Aurelie e dei umas boas entradas no projeto Sr. Ninguém, caí com a mão no agarrão do bote! tá quase!!!

No domingo subimos munidos de 4 baterias carregadas e equipo pra dormir na parede, mais uma vez iludidos com a idéia de sair pelo cume. Subimos as cordas fixas, levando o peso de água pra dois dias, comida, grampos e baterias dentro do Raul (nosso Haulbag feito de saco de sal). Toda essa logística demorou bastante e nesse dia terminamos o trecho de artificial fixo e entramos na fenda, também em artificial, fizemos boa parte dela, bem lentamente e descemos pro platô, onde passamos uma noite super desconfortável, pois o platô não era nada plano (imagina dormir em uma escalada) e a chuva caiu a noite quase toda, pelomenos não fez frio.

Jumareando

O Diedro

Raulzando

Grande platô de merda

Segunda-feira jumareamos, terminamos a fenda, na verdade fugimos pra uma linha de agarras ao lado dela, chegando a um platô de mato menor, puxamos o Raul e conquistei o segundo trecho em A2, chegando a um platô, antes do headwall. Bati a parada chamei o Luciano e já sabíamos que não iria dar tempo de sair por cima, pois já era tarde e tinha mais uns 40m de conquista até o cume com graduação na casa do sétimo possivelmente. Mesmo assim o Luciano bateu mais dois grampos, foi quando começou a chover, nos apressamos em descer com a dúvida de deixar ou não cordas fixas pra próxima empreitada. Como não tinhamos data prevista e teríamos que voltar pra Recife no dia seguinte, descemos com tudo. Eis que no penúltimo rapel uma das cordas prendeu...continuamos a descida e deixamos a corda do ultimo rapela passada nos grampos pra no dia seguinte irmos buscá-las.

Segundo A2

Mesmo trecho

Último grampo da trip

Pôr do sol ( O visual dessa via é incrível!)

Como já era noite dormimos na base novamente, foi a pior noite pois a chuva caiu forte e nossa lona não tava aguentando muito. Na terça saimos em retirada levando os equipos, mas ainda deixamos algumas coisas na base para buscar no dia seguinte, além das cordas presas. A chuva continuou durante o dia e o cume da montanha estava dentro das núvens, o que nos fez dar umas voltas a mais, perdidos com pouca visibilidade pra ter referências, mas refizemos o caminho e acertamos o rumo, chegando em Brejo sãos e salvos, cansados e abatidos e sabendo que o serviço ainda não foi concluído...hehehe

Haja!

No dia seguinte, pra variar o Luciano ficou choramingando por causa do pé, resolvi aproveitar que o tempo estava bom e subi sozinho pra buscar os equipos que faltaram. Consegui desprender a corda e descer com tudo. FIM

A via em si não é muito grande, quando concluída terá menos de 250m, mas possivelmente será por si só a via mais demorada de Brejo, creio que seja um D3, o que torna a escalada mais comprometedora é o fato dela estar em um local de acesso difícil e demorado. Aventura garantida!

O croqui até o momento ficou assim:

Em breve teremos a Serra do Ponto - Parte II, aguardem...

domingo, 31 de julho de 2011

Mais Salinas!

Mais cedo do que esperava parti pra mais uma trip pra Salinas, ou Parque Estadual dos Três Picos em Nova Friburgo-RJ. Dessa vez a trip foi bem mais longa, então o post tb não será pequeno!

Três Picos + Capacete

Saí de Recife no domingo 17/07 de madrugada, desembarcando no Santos Dummont, dps ônibus pra rodoviária do Rio, ônibus pra Friburgo, ônibus pra rodoviária Central de Friburgo, ônibus pra São Lourenço, descendo em Santa Cruz, caminhada de quase 4km até o Refúgio das Águas, o abrigo do Sérgio Tartari, onde finalmente encontrei os parceiros da trip, uma caminhonete cheia de brasilienses, salvando-me de ter que subir a pé mais alguns km's até o Camping dos Deuses, onde realmente ficamos, quase na base do Capacete e bem (relativamente) próximo ao Pico Maior.
Pico Maior + Lua + Capacete

No mesmo dia subimos, nos acomodamos e fomos descansar pra no dia seguinte tentar uma via no Pico Maior. A via escolhida foi a Decadénce avec Elegance (700m) D4 5° VIIa (Ao/VIIc) E2, que passa ao lado da Face Leste do Pico Maior, via que havíamos escalado na trip anterior.
No dia seguinte eu e Zé Roberto (Bsb) acordamos cedo, começando a escalar às 7h30, fazendo a primeira parte da via rapidamente, escalando em simultâneo chegamos à P6 em 1h e mais 1h até a P9, onde então paramos pra respirar e começar a parte mais exigente da via, foram duas lindas enfiadas de VI e VIIa, depois algumas enfiadas mais demoradas, onde tivemos dificuldade para nos localizar, pois existem outras vias que cruzam a Decadence (na verdade é o contrário), deixando o trajeto mais confuso, chegamos à base do artificial, nos situando bem novamente, depois um quintinho nervosinho e mais uma enfiada pra chegarmos ao cume!

Friaca na madruga!

Em alguma parada no meio da Decadénce

Zézim

Canaletinha final

Almoçando

Zé chegando no cume!

Visual do cume do Pico Maior (2400m)

Foram 9h de escalada, mas o dia não iria acabar tão cedo...hehehe. Descemos os costões para rapelar pela via Cidade dos Ventos (não é a via mais utilizada pro rapel, mas a única que conhecíamos então resolvemos utilizá-la) no segundo rapel, ainda de dia não encontramos de maneira alguma os grampos do próximo rapel, a noite caiu e tivemos que improvisar pra evitar uma noite fria na parede. Encontramos uma boa laca para laçar e fazer o rapel, se os nossos cálculos estivessem certos, ao rapelarmos da laca, chegaríamos à Cidade dos Ventos novamente, o Zé desceu testando a laca com o backup de dois friends equalizados, chegou a um platô de mato 55m abaixo, em seguida eu removi os friends e desci na laca devidamente testada e aprovada. Achamos os grampos abaixo do platô, fizemos o mais dois rapéis de cordas emendadas e BINGO! a corda prendeu na hora de puxar! Felizmente conseguimos liberar o nó e ficamos com 1 corda ainda, por sorte a partir dali, só dali, os rapéis eram possíveis com apenas uma corda de 60m...ufa! Chegamos no camping 21h30, cansados e felizes por podermos dormir no conforto de nossas barracas naquela noite! Uma das cordas ficou na parede e foi resgatada pelo Pedro e pelo Tácio alguns dias depois., rapelando pela via.
Na terça-feira o objetivo era descançar e tomar um banho, tarefa não tão simples no chuveiro gelado do camping onde dias antes nos disseram que a água dos canos tinha congelado durante a madrugada...até que foi bom o banho!
No outro dia escalamos a Fata Morgana D3 5° V+ E3, no Capacete, a via em si possui 280m, mas inicia na P1 da CERJ e termina antes das duas últimas enfiadas da mesma, totalizando cerca de 400m de escalada. A via é linda, segue um traçado natural e possui bons lances em móvel, porém sem muitas fendas definidas, exigindo um pouco da criatividade do escalador pra proteger os lances. Quando chegamos ao cume vimos uma dupla chegando ao cume do maior, e coincidentemente eles iam rapelar pela via em que nossa corda estava presa, alguns gritos pra lá e pra cá e pronto, corda recuperada! Depois soubemos que os escaladores eram o Pedro e o Tácio, e que tinham feito a Arco da Velha e estavam em um rítmo frenético em Salinas!

Começar a escalada com esse visual...não é em todo lugar.

Diedro da Fata Morgana, enfiadinha cumprida sô!

Galera no cume do Pico Maior, visto do cume do Capacete (força no zoom)

Pico Maior

Quinta-feira, dia de descanso ativo, saímos tarde pra escalada de 1/2 período na Rodolfo Chermont (140m) D2 4° V (A0/VI+) A0 E1, a via mais acessível ao cume do Capacete, bem legal, lances de aderência e abaolados interessantes. Conseguimos voltar a tempo de tomar um banho (tarefa impossível após as 16h) e descer pro abrigo do Tartari pra comer o famoso rodízio de pizza, clássico!!
Visual da Serra dos Órgãos a partir do cume do Capacete

Na sexta-feira tava rolando um papo de frente fria e nós vimos que o nosso tempo estava acabando, que só tínhamos mais 3 dias de escalada, pois domingo a galera voltava pra Brasília e eu ia pro Rio pra voltar pra Recife. Resolvemos então não descansar mais, nesse dia escalamos a El Kabong (450m) D3 5° VI E2, via muito boa também (to falado isso em todas né) com a primeira parte técnica, estilo Pedra da Boca, depois do crux boas passadas de agarrões e uma fendona incrível no final!
O dia seguinte ficou chuvoso, uma leve garoa caiu durante o dia todo, mas no domingo o tempo abriu (não abriu muito, mas parou de chover) e fomos pro Pontão do Pico Maior passar frio na Sol Celeste (280m) D2 5° V+ E3, a via tinha sido recomendada, mas eu não imaginei que seria tão louca! São duas enfiadas de aderência e depois a parede fica bastante vertical com agarrões gigantes e as proteções bem espaçadas, fixas e móveis, sem dúvida esta pode ser dita uma via "bastante aérea", pra fechar a trip com chave de outro!

Bsb na Face Leste

Começando a Sol Celeste

Cume do Pontão do Pico Maior!
Domingo a noite voltei pro rio com o Damata, de carona com o Leandro e o Marcelo, lá encontramos o Breno, gente finíssima. Pra encurtar o parágrafo, escalamos a Italianos + CEPI, e demos um pulo no Platô da Lagoa com o Felipinho (PE/RJ), pra esmerilar de vez, ainda saiu a cedena à vista da Bom dia África (7c?), foi estranho fazer força no negativo após 7 dias usando bastante as pernas.

Damatta e Breno na Italianos, Pão de Açúcar/RJ

Valeu Zé pela parceria de novo, galera do bonde de Bsb, Breno e toda galera do Paraná na maior vibe no Vale dos Deuses!! Até a próxima em Salinasssss!



terça-feira, 12 de julho de 2011

Curso Básico de Escalada (nova data)23 e 24 de Julho!

Fala galera!

Após o sucesso da I Mulambada da ASPER, evento realizado pela associação com apoio da Prefeitura de Brejo da Madre de Deus e da Desafio Vertical, eu e Luciano Willadino preparamos um cronograma de cursos para o mês de julho, sendo a primeira turma para o próximo final de semana, dias 23 e 24 de julho.

São 03 vagas, pois a primeira foi ocupada por Luiz Arthur, vulgo Josie, ganhador do sorteio da DV na Mulambada!

Inscrições comigo mesmo, via e-mail: cauivc@gmail.com

Infos AQUI

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