quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Deuses Esquecidos em Livre!

Segunda-feira tiramos o dia para escalar algo mais pesadinho, após a realização da Mulambada (evento para iniciantes que realizamos em Brejo) no final de semana.


Fui com o Miguelito fazer a Deuses Esquecidos (5º VIIIb/A1 A2 E2 220m), na Serra do Ponto, com a intenção de tentar encadenar as duas últimas enfiadas da via, que já tinham sido livradas, porém sem cadena (a penúltima eu tinha feito de top e a última com quedas), quando entrei com Otto da vez passada.

Começamos a caminhada às 4h40, e às 6h estávamos na base da via.

Início da trilha

Miguel tocou a primeira enfiada, onde já rola um crux de 7c ou A1, ele passou "meio-a-meio" e terminou a primeira enfiada sob leve garoa. Guiei a segunda passando por uma rampinha suja no fator 2, depois por um diedrinho que olhando parece fácil, mas é bem estranho, terminando numa aderência meio musguenta. Terminamos assim a parte fácil e rápida da via, andamos no platô de mato até o início da próxima enfiada e havia uma nova plantação de urtigas, que Miguel gentilmente removeu pela raiz. Miguel começou guiando, passando pelo artificial fixo, alguns parafusos, entrando no diedro em móvel, chegando em umas colocações melhores desceu e me passou a ponta da corda, de cara coloquei a próxima peça, parecia boa, dei uns pulinhos no estribo e ela nem se mexeu, quando coloco o peso tomo uma vaca, a fenda é escorregadia por causa da sujeira/merda de morcego...voltei, passei um lance que eu não lembrava ser tão chato, meio saindo dos cliffs e dominando um platôzinho meio em livre, pra continuar mais uma sequencia em móvel e chegar nos grampos do final da enfiada, já em livre. Demoramos muito nesse trecho, chegando no fim da enfiada ao meio dia, com o sol rachando, e assim seria até o final!

 Platô da P3

Miguel no início do Artificial (4ª Enfiada)

Restavam agora duas enfiadas, a primeira delas é curtinha, cerca de 15m, conquistada originalmente em artificial, protegida em móvel com um grampo perto do fim . Entrei em livre carregado de peças, mas acabei usando três friends e uma costura no grampo, felizmente a cadena saiu, mas já tava batendo o cansaço...

 Miguel jumareando a 5ª enfiada

Platô antes da última enfiada

Ainda tinha a última enfiada, que da outra vez eu tinha feito com algumas quedas, mas fazendo todos os movimentos, eu achei que seria difícil, mas que dava pra fazer, porém antes de entrar eu estava totalmente tranquilo quanto à possibilidade de não conseguir encadenar, não seria um problema, chegar no cume e achar uma sombra já seria perfeito. Conquistamos essa enfiada quase toda em artificial com cliffs de agarras, de buraco e grampos, muitos grampos, são 18 costuras, sem contar as das paradas, ao longo dos 40 m verticais.

Comecei e já passei aperto no início, vertical com micro agarras, cristaizinhos de pegadas estranhas, e cada vez piores, ainda não sei como, mas em uma fração de segundos achei um pé salvador quando estava preste a cair, e consegui recuperar e tocar mais alguns lances delicados até um trecho positivo no meio da enfiada, onde dava pra descansar um pouco, saindo do positivo quando a sapata começava a fritar, começa a tortura, trecho técnico com um lance mais chato que o outro, e quando você pensa que acabou, tem um pior acima. Primeiro tem um lance onde você sai de um pé bom, e tem que abraçar uma laca, chapar os pés no nada e fazer uns lances de oposição, o grampo tá no pé e a queda é bem na rampinha abaixo, antes de entrar nesse lance, fiquei uns 10 minutos tentando entrar sem sucesso, até que tive a brilhante ideia de laçar o grampo, felizmente eu tinha uma fita de 120 de nylon, e o grampo estava providencialmente com o olhal alguns milímetros distante da pedra, lacei e passei o lance, quase não consegui parar pra costurar o grampo com uma costura de verdade, por falta de posição, costurei quando ele já tava abaixo da minha cintura, e nada de lugar pra descansar, as agarras de mão melhoraram, mas eram todas laterais, uma merda pros pés, aí vem um lance exótico, duas canaletas, uma ao lado da outra, com uma coluna abaolada no meio, as pernas vão em tesoura e o corpo em oposição pra esquerda até passar pelo lance meio negativo. Mas acha que no vertical vai aliviar? Ainda tem mais dois lances tesourando pra chegar em uma linha de regletes pra mão, são ótimos e salvadores, mas o problema é dominá-los pra ficar em pé neles, e quando você fica em pé neles, suas mãos estão no cume, mas o cume é abaolado, então tem que pagar uma viradinha de boulder, pra concluir as 7 vezes que tive certeza que eu ia cair e não caí!

Cheguei na parada, meio sem acreditar que eu não tinha caído, fixei a corda e o Miguel veio jumareando enquanto eu recuperava o fôlego e esperava em uma sombrinha.

Acho que apesar de não ter lances isoladamente mais difíceis que 8a, a última enfiada vale um 8b pelo conjunto da obra, ou seja, as intermináveis sequências de lances "derrubáveis" após o crux. Aguardamos confirmações!!

Chegamos no cume às 14h30, caminhamos até o Sítio Amaro, de onde fomos resgatados de moto pelo Silas e pelo Zé do Ovo, no caminho pro abrigo tomamos uma chuva boa pra esfriar a cabeça!

Graduação Atualizada!

Luciano W. e eu conquistamos essa via em 2011, em um total de 05 dias de trabalho, repeti ela com o Otto em 2012 e no mesmo ano, durante o Festival de Escalada Tradicional, Mário e Minhoka fizeram a primeira repetição sem conquistadores. Esta foi a terceira repetição da via, que está em plenas condições para receber novos escaladores, em livre ou em artificial! Valeu a parceria de todos!!!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Festival de Escalada de Itatim/BA

Como Itatim é incrível!!

No final de semana dos dias 20 e 21 de Setembro rolou o 1° Festival de Escalada de Itatim, organizado pelo Clube de Escalada Paraguaçu, e fui matar a saudade desse lugar fantástico!

Cheguei sexta-feira cedo no aeroporto de Salvador onde encontrei Juan e Dani, organizadores do festival, e os mineiros Felipe Belisário e Marcella Romanelli que completaram o bonde! Seguimos pra Itatim, onde encontramos o Raphael Donato que completou o time, ainda fizemos os últimos ajustes pro festival e fomos escalar!

Foto: Marcella Romanelli

Já tinha gente espalhada pelos setores e nós fomos pra Fonte, entrei na Aquários (6sup) e na Leão (7b), destaque pra essa última que vai aumentando de dificuldade progressivamente, sendo o final feito em regletes contados pro sucesso! 

No sábado o setor foi o Talhado, onde as vias que eu tinha entrado antes cresceram e onde não tinha nenhuma via agora tem!
Entrei na Granito Fashion, um 7b de 25m lindo! Depois experimentei a nova via do Juan e do Raphael, Retorno do Titan (8a) que saiu à vista, foi bem legal. E pra fechar a estadia no talhado entrei de flash na Faixa de Gaza, um 8c/9a novo que eles abriram por lá, a via tem quase 30m, o crux é no início, depois ela segue mais amena e no final fica mais negativinha com um lance mais chato, e adivinha onde eu caí...na última agarra, isso mesmo, na última! hahahaha Mesmo sem a cadena fiquei muito feliz com essa escalada, nem dei chilique quando caí! Depois volto pra "tocar a sirene".
Nesse setor todas as vias são incríveis, levemente negativas, compridas, alguns regletes, muitos batentes e agarras boas, abrasividade na medida e movimentação boa.

No mesmo dia de tarde fomos pro Enxadão, onde entrei na Martírio, um bonito diedro de 6sup em móvel. Calangorex (7a) eu fiz uma força boa e na Pata Choca (7b) os betas ajudaram muito, todas as duas curtinhas e regletera!

Visual do Jararaca - Foto: Marcella Romanelli

Domingo o destino não poderia ser diferente e o saldo não poderia ter sido melhor! Jararaca. Sem comentários, veja as fotos!
Da última vez que fui lá dei duas entradas na Esmirilator (9a), isolei mas me pareceu distante ainda. Dessa vez entrei de novo nela, primeiro equipando e parando de grampo em grampo tentando memorizar bem as passadas com os betas complexos, que incluem por exemplo um lance meio de cabeça pra baixo, entalando o pé acima da cebaça, enfim...desci, descansei mais de 1h e entrei de novo, sem muito compromisso, passei a primeira parte, onde tem o crux mais duro (isoladamente falando) e cheguei no descanso sem as mãos, fiquei ali bastante tempo até zerar os braços, criei coragem e entrei na segunda parte, onde os tinha por exemplo esse mov estranho que ainda não tava decoradinho, fui indo, cheguei nessa passada sentindo bem, fiz o lance um pouco diferente ainda, e cheguei na agarra de descanso antes da última sequência, entrei e senti o braço tijolando, peguei na agarra de costurar a penúltima e não senti firmesa pra costurar, adiantei logo pra próxima agarra, e mais uma, já melhorsinha...costura a parada e pow! Saiu!! Desci e encerrei as atividades feliz da vida!


Esmirilator (9a) - Fotos: Antônio Paulo

Valeu demais os parceiros da trip!! Muito bom!! Juan e Dani como sempre dando aquela força!! Até a próxima!!
As fotos eu roubei no facebook...

Foto oficial dos participantes, foram cerca de 100 inscritos! Parabéns galera!!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Guia de Escalada de Brejo da Madre de Deus - Download

Faz duas semanas que publiquei a atualização do GUIA DE ESCALADA DE BREJO DA MADRE DE DEUS, uma compilação que venho atualizando desde o início do aumento do número de vias na região, hoje totalizando 169 vias.



O guia é disponibilizado para download gratuito, basta clicar aqui.

O download pode ser feito também na página "Escalada em Pernambuco" neste mesmo blog.

Pra mais detalhes sobre a escalada em Brejo e em Pernambuco no geral, incluindo atualizações do guia acesse: http://escaladape.blogspot.com

E apareçam pra escalar em Brejo!

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