quinta-feira, 29 de março de 2018

Tudo Passa - Nova Via no Enxadão - Itatim/BA

O Morro do Enxadão, localizado em Itatim, Bahia ganhou mais uma via no último final de semana: Tudo Passa (6º VII A1+ E2 D4) 290m. A via segue pelo negativo amarelado, bem destacado, do lado direito da sua face principal. [ALTERAMOS O GRAU GERAL, QUE ESTAVA COMO 5º, PARA 6º,ACREDITAMOS QUE FIQUE MAIS CONDIZENTE ASSIM]


No primeiro dia do ano de 2018 fui sozinho até a base da pedra e vi perfeitamente que havia uma linha de fenda cortando o negativo ao meio. Como o primeiro 1/3 da parede era positivo, comecei a coquista na hora, em solitário. Nesse dia abri as três primeiras enfiadas, com proteção fixa apenas nas paradas (exceto por 2 chapas em uma barriga mais lisa na terceira enfiada), o resto em móvel, por pequenas fissuras isoladas ao long da via.

Vista da P1 paa a base, na primeira investida, ainda em solitário

Meses se passaram e o Zé Roberto, amigo de Brasília, comentou que estava vindo pra Bahia e chamou pra escalar, mostrei as fotos da conquista e ele pilhou na hora! Chegamos em Itatim na última sexta-feira, pra darmos as investidas finais.

Sábado escalamos as três enfiadas já conquistadas e continuei a 4ª, que começa em uma pequena chaminé, depois passa por uns buracos, em móvel, até chegar em um diedro cego, com agarras quebradiças, bati algumas chapas, depois mais umas peças e fixei a P4 num mini-platô.

Zé pegou a ponta, e seguiu por uma fenda fina no diedro, depois por uma linda e exigente fenda de meio corpo, peças grandes, mais duas chapas e a P5, logo abaixo da parte mais negativa da via, em um platô de um pé só.

Zé na chaminé de meio corpo da quinta enfiada

Coloquei a sapatilha e comecei a escalar a fenda, mas na segunda peça já vi que não ia rolar em livre...peguei os estribos e segui em artificial por mais uns 10m, ótima fenda, até que começou um zum zum zum.

Algumas abelhas saiam de dentro da fenda, continuei de mansinho, bem lentamente, mas elas não queriam me deixar passar, se aproximando cada vez mais. Já era um pouco tarde e resolvemos descer, pra voltar no dia seguinte com um baygon, e ver no que dava, afinal, a fenda seguia por mais uns 10m ainda. Fixei três peças boas e descemos, deixando todo o trecho até ali encordado.

No meio da sexta enfiada, Zé na P5.

Domingo subimos com mais uma corda pra fixar, e lá fui eu tentar conversar mais uma vez com minhas amiguinhas, mas elas estavam mais atiçadas, coloquei mais duas peças e tomei uma picada, elas ficaram mais nervosas e me mandaram descer. Infelizmente as abelhas não gostam de proteção móvel em seu lar, o que me fez ter que pegar a furadeira e fazer uma sequencia de artificial logo à dieita da fenda, por onde elas me deiaram em paz. Onde a fenda termina, dá pra ver as marcas do que foi uma antiga caixa de abelha. A parede fica mais negativa e bati alguns furos de cliff pra render mais, até chegar na parada. Então ficou uma enfiada menos charmosa do que poderia ter ficado, mas ainda assim, bm divertida!

Zé Jumareando a sexta enfiada

A P6 ficou bem aérea, é preciso fixar uma corda no trecho inicial da sexta enfiada, para rapelar pela via, ou rapelar direto pra P4, com duas cordas (ver betas no croqui). Demorei bastante nessa enfiada, e só deu tempo do Zé dar início à próxima, batendo 4 chapas num lance que provavelmente será na casa do VII, mas não conseguimos ainda visualizar a parte superior da parede, que tinhamos dúvida se iria apresentar ou não grandes dificuldades. 

Início da sétima enfiada

Descemos com essa dúvida na cabeça. O dia seguinte era o último dia que tínhamo disponível, se a parede continuasse difícil provavelmente não terminaríamos a via, e teríamos que subir tudo de novo, sem cordas fixas, pra poder voltar a conquistar.

Segunda-feira começamos mais cedo e jumareamos até a P6, Zé pegou a ponta e continuou a conquista, ele fez a transição dos estribos pra escalada em livre, e gritou a notícia de que a parede nos daria uma trégua. Fixou a P7 na base de uma chaminé. Peguei a ponta e entrei na chaminé, um passeio, cheio de agarras! Coloquei uma chapa e algumas peças e cheguei perto de onde seria a parada, mas quando gritei pra perguntar quantos metros de corda faltavam, aquele zum zum zum...esperei, observei, esperei a chuva passar, esperei secar e vi que dava pra passar mais pela esquerda, fugindo de onde pareciam estar as abelhas. Deu certo, bati uma chapa onde ficou sendo a P8 e continuei com mais algumas peça até a P9, que já deu o gostinho do sucesso! 

Nona enfiada, já no positivo

Puxei o Zé e ele se atracou com as bromélias, passou por um boulder e chegou no cume, finalmente! Tomamos um banho de chuva rápido, à propósito, todos os dias foram chuvosos, mas a negatividade da parede não nos deixou molhar nenhuma vez! Descemos, limpando as cordas fixas, os equipos que deixamos pela parede.

Cume!

Descendo...

O resultado foi uma via relativamente exigente, a mais exigente dessa parede, pois requer diversas técnicas como escalada em fenda, em agarras, em móvel, artificial, apicultura, etc. porém, a graduação é moderada para todos os estilos exigidos, enfim, uma boa opção pra quem quer passar um dia cheio na parede.



O acesso é simples, uma vez na base do Enxadão, caminhe para direita, margeando a pedra, até encontrar uma cerca, a via começa logo após a cerca.

A via fica poucas horas do dia no sol, então dá pra entrar bem cedo sem medo de insolação. As proteções fixa que usamos são predominantemente chapeletas PinGo (inox), inclusive em todas as paradas, e algumas chapeletas de aço carbono.



Valeu Zé pela parceria!! SBI Outdoor, Fiveten BR e Mbuzi Outdoor pelo apoio de sempre!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

São Desidério - Calcário Baiano!!

No carnaval desse ano tivemos uma boa folga e aproveitamos pra rodar quase 800km até Sítio Rio Grande, distrito de São Desidério, para conhecer o setor de calcário no oeste do estado da Bahia! Cada km valeu a pena pra escalar no calcário na beira do rio.

Beta I
Chegamos no sábado e fomos recebidos por Matheus e Bruna, que moram em Barreiras/LEM, mas estão sempre no Sítio, eles mantém a Morada dos Tapuias, abrigo onde ficamos hospedados, e deram aquela moral incrível na apresentação dos setores e tudo mais que precisamos!!

Beta II
O abrigo fica no Sítio, que é uma cidade que tem uma estrutura bem razoável (mercado, farmácia, restaurante, etc), além, é claro, do Rio, que garante o banho refrescante a qualquer hora do dia. De lá, a maioria dos setores são acessados a pé mesmo, com caminhadas de 5 até 20min, e há  alguns em que é melhor ir de carro (menos de 10min).

Beta III
As caminhadas são curtas e as bases são ótimas, sombra na maior parte do dia nas vias...Levamos um bebê na trip e fomos pra todos os setores sem problemas, sempre com a cria junto de nós! Bom, Se você for escalar lá, vai ficar mal acostumado, com certeza!

Bom, no mesmo dia seguimos pro setor do Braga, um dos setores com o acesso mais complicado, cerca de 15min de caminhada em um pasto! kkkkk
Lá escalamos as vias fixas que ficam em um salão, elas vão de 5sup até 8a e são mais regletentas, as mais clássicas que entramos são: Sombra do Ego (5sup), Gestão Pública (8a), Logística Reversa (7b) e LDL (7b).


LDL(7b) - Foto: Bruno Henrique

Domingo conhecemos o Labirinto da Corja, um dos setores que ficam a 10min de carro da cidade, paramos na beira da estrada e andamos uns 5min ou menos, chegando ao setor com vias incríveis! No andar de cima duas vias fáceis bem legais são: Honolulu Baby e Seg de Baiano (IV ou V grau), tem também a Agradecidos (7a) que é uma boa pedida. Descendo um degrau estão as principais vias do setor, onde conhecemos os famosos "Cherts", que são agarras horizontais compridas ou até mesmo bolotas perfeitas formadas por uma camada rochosa diferente, que se sobressai ao calcário em alguns pontos.

Maverick (7c) é uma beleza de via, início técnico e final de resistência, agarras perfeitas, entrada obrigatória! Mas a via que mais deu trabalho foi a Body Piercing (8b), entrei sacando e demorei pra conseguir me encaixar na chaminé lisa do início pra costurar a segunda chapa, finalmente achei um entalamento de joelho que me fez alcançar a chapa, depois um beta do Matheus me mostrando uma agarra (um shert) que estava atrás de mim me impediu de cair, descanso em dois buraquinhos (mono e bidedo) e toca pra cima em boas agarras, aguentando a bombação do braços. Que via!! Entrei também na exótica Finados (7b) e na difícil Dinâmica do Equilíbrio (7c).

Maverick (7c) - Foto: Bruna Passos

 Body Piercing (8b) - Foto: Bruno Henrique


Segunda-feira fomos conhecer o Mundo de Sofia, setor próximo ao labirinto, porém com vias maiores, mais negativas e com boas agarras, a clássica do setor é a Sinfonia de Sofia (7c), linda via, com lances bem variados.  Três vias entre V e VIsp são bem legais de fazer também: Caminho das Águas, Tobogã (essa dá pra fazer toda em móvel!!) e Lapinha. Raízes é um 7c melindroso, e pra fechar, Paraíso dos Sherts (8c) de regletes e movimentos dinâmicos, exigindo até a última pitada de resistência! Ainda demos uma caminhada pelos setores adjacentes, pelas catacumbas, uma gruta com vários projetos e vias duras, onde não chegamos a escalar dessa vez.


Paraíso dos Sherts (8c) - Foto: Bruna Passos

Último dia de escalada, já estávamos quebrados, mas ainda rolou uma ida no setor mais antigo da região, o Paredão do Deus me Livre, Fenda Hiperbólica (VI), Magia (7a) e Aresta Paulista (7b) são vias lindas! Entrei também na Jamile, um 7b com um crux super concentrado no início, foi a via na qual eu mais caí nesses dias, até entender o lance e encadenar. De tarde a sombra aumentou na parede e resolvi entrar na belíssima Dia Perfeito, na verdade fiz a variante, que é a saída direta, escorreguei em um pé polido logo no início, não fosse esse vacilo, teria saído à vista, mas saiu logo na sequência, essa é cinco estrelas também!!

 Fenda Hiperbólica (VI) - Foto: Bruno Henrique

  Dia Perfeito (8a) - Foto: Bruno Henrique

 Depois foi só tomar aquele banho de rio, dormir e voltar pra casa, quase 800km dali.

Valeu Matheus e Bruna, anfitriões nota 1000!! Bruno e Bruna pelas fotos iradas!! Bruno, Marcel e Lay pela parceria de trip de sempre!! Eveline e Maitê...melhor parceria! Faltou uma foto com todos....

Mais betas e croquis: facebook.com/moradadostapuias

SBI Outdoor, Fiveten Br e Mbuzi garantiram o sucesso da trip e deram aquela força nas cadenas!!


Eveline, Cauí, Maitê e Bruna, Paredão ao fundo.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Encontro de Escaladores do Nordeste - Inscrições Promocionais e Sorteio!


Esse ano acontece em Brejo da Madre de Deus a 16ª edição do Encontro de Escaladores do Nordeste, as inscrições estão abertas e quem se inscrever até 30/06 concorre ao livro "50 Vias Clássicas do Brasil", além de pagar mais barato!

Brejo é um lugar muito especial e o evento vai ser incrível! Mesmo de longe estou ajudando a fazer uma boa festa pro dia 7 de setembro!

Esse evento vai viabilizar a elaboração da 2ª edição impressa do Guia de Escalada de Brejo da Madre de Deus, que tá ficando bonito!

Vai lá no site e dá uma olhada geral, todas as informações que você precisa estão lá: http://eene.com.br

Até mais!

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